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Controle suas emoções

Às vezes, os sentimentos negativos criam mais problemas para o executivo do que a própria situação adversa. Entenda como evitar emoções nocivas

Marina Pita

17/03/2008 às 14h47

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As emoções têm um papel fundamental em nossas vidas. Em busca de satisfação, superamos limites e buscamos realizações.  Ao mesmo tempo, por medo, evitamos excessos e tomamos precauções.

De forma inconsciente, somos controlados pelo nosso organismo, através das emoções. Infelizmente, em algumas situações, desenvolvemos também emoções nocivas, que em nada contribuem para que alcancemos nossos objetivos de vida. E por que isto acontece?

De acordo com Flávio Leal, “coach”e sócio-diretor do Instituto de Liderança Executiva, nosso cérebro possui um sistema que tem como objetivo garantir nossa sobrevivência e que,  diante de  uma situação interpretada como de perigo,  deflagra ações de dois tipos “atacar ou fugir”.   Essa reação e sua velocidade para um homem das cavernas, diante de um oponente, eram fundamentais para garantir sua integridade física e também sua alimentação.

Hoje, porém, em uma sociedade moderna, este mecanismo pode gerar emoções nocivas. O que Leal denomina de “atos sob privação de sentidos” são, na realidade, ações executadas por emoções geradas de forma inconsciente, segundo o coach.

Identificar
É importante saber diferenciar uma emoção negativa útil de uma emoção nociva. Segundo Leal, as reações nocivas são aquelas que em nada contribuem para os nossos objetivos de vida. Elas atrapalham nosso desempenho profissional e são prejudiciais à nossa saúde. “Se o chefe faz uma crítica por você ter cometido uma falha e você fica triste, esta é uma emoção negativa útil. Vai estimular você a melhorar seu desempenho. Mas se você achar que foi injustiçado e ficar com ódio do chefe, isto em nada vai contribuir com seu desempenho e vai fazer muito mal à sua saúde.”

A forma como reagimos diante de uma determinada situação – seja ela boa ou ruim - não depende da situação em si, mas sim da forma como interpretamos esta situação.  A maneira de interpretar cada momento vai depender de diversos fatores desenvolvidos durante nossa educação e formação.  É esta programação, segundo Leal, determinará nossas reações.

“O problema é que muitas pessoas acreditam que, simplesmente, aprender a não demonstrar as emoções nocivas, resolve o problema. Mas isto não é verdade”, garante o coach. Para ele, “uma vez gerada a emoção, os efeitos nocivos vão surgir de alguma forma. Na raiz de muitas doenças, estão os efeitos das emoções nocivas”.

Como Mudar
Para Leal, na origem de uma emoção nociva está sempre uma crença irracional ou uma demanda dogmática que não é nem lógica nem verdadeira e nem útil.  “Vejamos o exemplo do trânsito”, cita Leal. “Quando alguém dá uma fechada em você e você fica furioso, o que o leva a desenvolver este sentimento? A seguinte crença: quem dirige perto de mim não pode nunca cometer erro. Se cometer um erro eu considero esta pessoa, na melhor das hipóteses, um imbecil”.

Segundo o diretor do Instituto de Liderança Executiva, nós temos de entender que o mundo, as pessoas e nós não somos perfeitos. Entender isto é fundamental para começar a mudar forma de ver as coisas. “Durante o recente caos aéreo nos aeroportos brasileiro, por diversas vezes presenciei cenas de histeria coletiva. Pessoas agredindo verbalmente os funcionários das empresas aéreas, entrando em desespero. Isto mudava a situação em alguma coisa? Nada.”

Isto não significa adotar uma postura passiva. “Como diz a famosa oração da serenidade: é preciso ter força para agir quando for possível melhorar alguma coisa, ter paciência para aceitar o que não pode ser mudado e ter sabedoria para distinguir uma situação da outra,” aponta Leal.

“Você tem opções,” destaca Leal. “Pode avaliar se o tempo que gastará no aeroporto em época de caos aéreo vale a ação que você irá fazer em determinado ponto do País, por exemplo,” diz ele.

Um dos conselhos do sócio-diretor do Instituto de Liderança Executiva para que os profissionais não gastem demasiada energia em coisas que não podem ser mudadas é seguir o que Stephen Covey, no seu livro “Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes“, ensina: entender a diferença entre o que ele chama de zona de preocupação e zona de influência. Ele diz que não devemos esquecer as preocupações legítimas sobre as quais não temos ação (zona de preocupação), mas devemos concentrar nossas ações exclusivamente nas coisas sobre as quais temos como influenciar (zona de influência).

Leal, porém, adverte que o conhecimento não é suficiente para garantir o comportamento sadio. “Reprogramar sua forma de agir é como aprender a andar de bicicleta”, exemplifica. “Não adianta você ter o conhecimento de que tem de ficar sempre na vertical. Se você não praticar, errando e corrigindo, não aprende. O mesmo acontece com comportamento.”
 

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