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Como visionários inauguraram uma cultura de inovação na Nasa em 1986

Grupo desafiou status quo e hierarquia da agência para criar sistema que transformou controle de missões espaciais

Redação

03/05/2019 às 8h03

Foto: Shutterstock

No mundo dos negócios, muitas vezes as pessoas rebeldes são vistas como causadoras de problemas ou como aquelas que precisam entrar na linha e seguir a cultura da organização. Um grupo particular da Nasa, contudo, chama a atenção para o quanto essas “ovelhas negras” podem ser importantes para quebrar paradigmas e renovar as organizações para o futuro.

Um estudo de caso realizado por pesquisadores da University of Warwick entre de 2013 a 2018 no Johnson Space Center da Nasa buscou entender como as organizações são capazes de equilibrar objetivos concorrentes, como eficiência, inovação e desenvolvimento de capacidades atuais e futuras.

Durante as investigações, os estudiosos depararam-se com um grupo de funcionários da Nasa que desafiaram o status quo e ficaram conhecidos como “Piratas”. Formado em 1986, a equipe foi responsável pela criação de um premiado sistema de controle de missão para o programa de ônibus espaciais. O diferencial é que a solução foi desenvolvida em tempo recorde, com um orçamento restrito, enquanto enfrentavam forte resistência interna.

O novo sistema alimentado por dados em tempo real exibia gráficos coloridos e interfaces fáceis de usar, relatórios integrados sobre o status dos sistemas de transporte e funcionava perfeitamente em ocasiões em que o sistema de mainframe travava. Os controladores de voo logo perceberam que poderiam tomar decisões mais rapidamente e com mais precisão com a ferramenta. Tempo depois, todos os sistemas técnicos necessários para operar um ônibus espacial foram gradualmente transferidos para o sistema criado pelos Piratas, que utilizaram hardwares emprestados de outros times e trabalharam durante horas livres durante um ano.

Os valores e métodos desse grupo chacoalharam a cultura hierárquica existente na agência espacial americana. Eles foram pioneiros em práticas ágeis, mesmo antes do método ágil entrar para o vocabulário organizacional. Além disso, os Piratas foram capazes de superar a oposição, conquistar o apoio de patrocinadores de alto nível dentro da Nasa e desenvolver um novo sistema de controle de missão de transporte com enorme economia de custos.

A história do grupo oferece ensinamentos importantes para todas as organizações sobre como os “renegados” podem ajudar a equilibrar as metas muitas vezes conflitantes de eficiência e inovação. É comum que as empresas concentrem-se no alinhamento estratégico e organizacional, esperando que todos sigam a mesma reta. Essa homogeneidade pode promover eficiência e otimização, mas também oferece riscos de não abrir espaço para a evolução. Os desvios de rota podem, sim, serem positivos nos negócios!

Grupos como os Piratas são antídotos para a inércia – por serem questionadores acabam levando para as discussões algumas discordâncias construtivas, que podem resultar em melhorias tanto nos sistemas tecnológicos, quanto nas estruturas organizacionais.

O estudo mostra que para promover a formação desses grupos internamente é preciso:

1. Desenvolver uma cultura organizacional aberta ao desafio e à dissidência positiva.

2. Fornecer desvios positivos com financiamento inicial e tempo para experimentação.

3. Proteger essas equipes da burocracia e da política da empresa desde o início.

4. Garantir que patrocinadores de alto nível se conectem e suportem esses grupos.

5. Reconhecer as primeiras conquistas do time para motivar a organização a adotar novas práticas.

6. Desenvolver líderes com mentalidade ambidestra, equilibrando as necessidades do presente e do futuro.

Um ambiente com essas características voltadas para a inovação pode fazer com que os questionadores e rebeldes realmente façam a diferença na cultura e nos negócios da empresa.

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