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Como usar a Inteligência Artificial para prever e encontrar a demanda

A curva da demanda agora pode ser mais assertiva do que jamais imaginado pelos economistas clássicos e neoclássicos

Rodrigo Cunha *

30/01/2019 às 7h20

Foto: Shutterstock

A teoria do consumidor na microeconomia preocupa-se em entender como o consumidor faz suas escolhas de bens para, a partir daí, deduzir a demanda. Na prática, o que se busca é compreender como as pessoas alocam sua renda para a aquisição de mercadorias e serviços diversos, de acordo com suas preferências e respeitando a sua restrição orçamentária para maximizarem sua satisfação.

De fundamental importância para que as empresas decidam quanto ofertar e a que preço, a modelagem das escolhas dos consumidores, há pouco tempo, era limitada por conta dos cálculos complexos envolvidos no processo. Entretanto, com o advento da Inteligência Artificial, isso mudou. A curva da demanda agora pode ser mais assertiva do que jamais imaginado pelos economistas clássicos e neoclássicos.

Ao levar em consideração outras variáveis que não somente preço, como renda e tipos de bens demandados (substitutos, complementares, normais, inferiores ou de consumo saciado), uma empresa pode saber exatamente quanto de sua produção será consumido, que público vai consumir e, o melhor: onde estão as pessoas que ainda não conhecem seus produtos. Além de levar em consideração as variáveis clássicas da microeconomia, a modelagem de IA pode observar dados como sexo, geolocalização e perfil de compras que, após anonimizados, servem para a formação de perfis de grupos de consumidores, chamados personas.

Com a base dados da própria empresa, é possível entender o histórico de compras de grupos de consumidores. Tais dados são combinados com uma base maior e, por meio do uso de inteligência artificial, são transformados em informações que permitem à empresa otimizar vendas e melhorar a rentabilidade dos negócios, seja através de campanhas mais assertivas ou até de uma gestão de estoque correta.

Com o uso da IA é possível encontrar uma função utilidade – relação matemática que associa níveis de utilidade a cestas de mercado individuais – mais completa e que expresse as preferências do consumidor. Assim, identifica-se a persona que consome determinados produtos. Desta forma, em vez de a empresa oferecer todos os produtos para todos os clientes e potenciais, ela passa a direcionar suas ofertas para quem tem o perfil de compra adequado àquele produto, de acordo com sua função utilidade. Isso aumenta a assertividade e reduz custos, ao possibilitar um direcionamento a quem realmente se interessará pela oferta. Com menos recursos, se consegue aumentar a taxa de conversão.

Outra questão que preocupa os empresários e que pode ser auxiliada pelo alinhamento entre a microeconomia e a IA é a gestão de estoques. Baseados numa previsão de demanda mais assertiva, as empresas podem decidir se vão comprar ou não determinado produto. Através do cruzamento de milhares de variáveis, identifica-se produtos hoje consumidos e que nos próximos meses deixarão de ser adquiridos por conta de mudança de comportamentos ou até defeitos. Assim, há uma otimização do estoque, o que é fundamental para os varejistas.

Deve-se lembrar ainda que a utilidade marginal do consumidor (satisfação adicional obtida do consumo de uma unidade a mais de determinado bem) é decrescente, pois à medida em que se consome mais de determinada mercadoria, quantidades adicionais terão menor utilidade. Neste sentido, a IA também tem atuação importante, pois após encontrar e multiplicar o potencial de mercado ao identificar as personas ideais para comprar determinados produtos, ela deve ser voltada à retenção e rentabilização do cliente. A partir do momento que o consumidor começa a se relacionar com a empresa, pode-se entender seu comportamento para nortear novas ofertas. É bom para a empresa e para o consumidor final.

 

(*) Rodrigo Cunha é sócio da Neurotech

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