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Como será a carreira de TI nos próximos 5 anos e em que você deve apostar?

O impacto da automação será sentido? Quais cargos serão criados? Ouvimos as apostas de especialistas para a nova geração da TI

Paul Heltzel, CIO.com

26/06/2019 às 7h58

Foto: Shutterstock

Com todas as transformações tecnológicas e as mudanças nos locais de trabalho, a carreira de TI está passando por uma verdadeira reformulação. Quando se pensa na TI do futuro, geralmente as pessoas imaginam funções envolvendo inteligência artificial, ciência de dados e nuvem. Esses tópicos, sem dúvida, fazem parte das expectativas para os próximos anos, mas especialistas também incluem novas funções que ainda não existem no mercado.

Para avaliar como será a carreira de TI daqui a cinco anos, analistas vêm discutindo o que será mudado no trabalho e de que forma essas transformações melhorarão os resultados dos negócios. Nas análises, os especialistas também consideram como essas mudanças podem ajudar na realização de ajustes e correções que possam beneficiar os profissionais de TI no futuro.

Novos cargos em segurança

O crescimento das ameaças à segurança devem criar novas funções para os profissionais. Para Joy Beland, diretora sênior de desenvolvimento de segurança cibernética da Continuum, essas variáveis terão impacto na cultura organizacional, e não apenas na tecnologia. “A cultura interna das empresas precisa adotar uma nova perspectiva em torno da privacidade e segurança”, explica. “A adoção de ferramentas e soluções cibernéticas é completamente dependente disso. Eu acho que isso levará a um novo cargo: diretor de cultura de segurança cibernética. Aqueles que se concentram no elemento humano para a implementação da segurança cibernética vão se tornar mais procurados, já que a integração entre a política de RH, a cultura corporativa e a segurança da informação se fundem em um único papel de liderança.”

Beland também acredita que as funções de CIO e CISO serão fundidas nas pequenas empresas, já que há a necessidade de integrar supervisão de tecnologias com privacidade e segurança. "Os orçamentos dentro de empresas menores lutam para acomodar ambas as funções”, afirmou a especialista.

Jim O'Gorman, da Offensive Security, também vê a necessidade na criação de novas funções de segurança, pois as demandas de trabalho com proteções cada vez mais complexas estão aumentando e exigindo que os profissionais aprofundem seus conhecimentos em áreas específicas.

Equipes remotas

O trabalho remoto deve crescer cada vez mais, criando demanda para a implantação de novas ferramentas para cumprir prazos e metas. “Como quase metade dos funcionários dos EUA já trabalha remotamente de alguma forma, a tecnologia permitirá que um número maior o faça nos próximos cinco anos”, afirma Chris McGugan, vice-presidente sênior de soluções e tecnologia da Avaya. "E para as empresas realmente colherem os benefícios de tal força de trabalho, os gerentes de projeto serão necessários para garantir que a distribuição do trabalho seja cumprida".

McGugan vê, ainda, a necessidade de especialistas em TI que possam implementar novas soluções colaborativas para facilitar o trabalho remoto, permitindo que os funcionários contribuam para os negócios de forma mais eficaz. "Esses especialistas serão necessários para escolher os fornecedores de tecnologia certos e garantir que os sistemas funcionem bem", diz.

Michael Cantor, CIO da Park Place Technologies, vê outro aspecto que tornará necessário o avanço do trabalho remoto. "O crescimento dos trabalhadores aposentados também dificultará a aquisição de talentos à medida que a mão de obra diminuir, tornando as formas de trabalho alternativas mais aceitáveis", considera o executivo. Apesar disso, Cantor não espera uma mudança completa nos desdobramentos dos planos de carreira, mas sim que novos padrões de trabalho estejam disponíveis para os interessados.

Democratização do desenvolvimento de dados e aplicativos

Steven Hall, sócio e presidente do ISG, espera ampla adoção de ferramentas nas divisões de negócios que podem ajudar os funcionários a desenvolver aplicativos e dar sentido ao big data. “Em geral, estamos vendo uma desindustrialização e descentralização da TI. A tecnologia é acessível a todos, com milhares de SaaS e micro serviços disponíveis para os iniciantes”, relata o especialista.

Para ele, existe uma tendência emergente: o surgimento de plataformas e ferramentas Low-Code, que tornam a ciência e a análise de dados mais acessíveis às empresas.

“As habilidades de TI estão mudando drasticamente, mas de maneiras bastante interessantes. As soluções Cloud e SaaS com recursos de Low-Code ou sem código simplificaram o desenvolvimento de softwares. As organizações estão mudando para soluções de PaaS, como ServiceNow e Force.Com, para desenvolver rapidamente aplicativos com suporte de TI limitado”, observa. “Desenvolvimentos rápidos na visualização de dados por meio de ferramentas como Microsoft BI, Tableau, Domo, etc., transferiram funções tradicionais de relatórios de TI para a frente dos negócios, onde profissionais de toda a organização podem analisar os dados facilmente com recursos visuais extremamente sofisticados para entender melhor as informações.”

Contratações de especialistas

Andres Rodriguez, CTO da Nasuni e ex-CTO do The New York Times, diz que há uma necessidade crescente de contratação de cientistas de dados com habilidades específicas. "Nós vemos empresas relativamente pequenas que se especializam em setores específicos, como produtos farmacêuticos, transporte, logística etc.", relata Rodriguez. Com o investimento em especialistas, as análises de dados podem ser adaptadas de forma simples, conforme a demanda dos clientes.

O impacto da automação

A automação já está transformando os fluxos de trabalho, e a confiança nas tecnologias demonstra um aumento na demanda por profissionais capacitados para lidar com as mudanças de papéis que a digitalização impõe. Cathy Southwick, CIO da Pure Storage, percebe um crescimento cada vez maior da automação no futuro, mesmo em pequenas e médias empresas. “Eles podem automatizar muito do que é necessário em uma perspectiva de TI - desde listas de distribuição de e-mail até permissões de aplicativos”, explica a especialista. "Isso pode parecer trivial, mas o volume de tal trabalho realmente aumenta quando tem que ser feito manualmente."

Chatbots também devem ajudar a reduzir a sobrecarga dos profissionais de TI. “Um colaborador pode ser atendido por um bot para fazer uma redefinição de senha ou solicitar uma licença de software. Isso economiza tempo para o funcionário que é o usuário final e para o funcionário de TI, que é liberado para lidar com tarefas mais importantes”, diz Southwick. "Isso também cria uma experiência melhor para os funcionários, já que eles podem ter suas solicitações tratadas em questão de minutos com o uso da tecnologia."

Sobre o assunto, Wendy Pfeiffer, CIO da Nutanix, afirma que as ferramentas de aprendizado de máquina de sua empresa já estão resolvendo quase um terço de suas solicitações de help desk. "Neste novo ambiente de TI, o que será mais demandado são as habilidades que cercam a IoT e a computação de ponta. Até 2021, a Cisco prevê que os dispositivos de IoT produzirão aproximadamente 850 zettabytes de dados por ano, ou mais de 40 vezes a informação gerada pelos data centers do mundo. As equipes de TI precisarão das pessoas, ferramentas e estratégias certas para coletar e analisar esses dados.”

Muitos profissionais de tecnologia acreditam que a automação pode reduzir a quantidade de trabalho das pessoas. Outros entendem que para a transformação, os profissionais precisarão se adaptar às inovações. “A aprendizagem de máquina e a IA serão cada vez mais usadas para apoiar e aumentar as capacidades das empresas, levando os empregadores a se concentrarem mais em áreas que exigem atuação humana de alto nível”, alerta Chris Murphy, da ThoughtWorks. “É claro que a desvantagem dessa mudança é o risco de esvaziar a base de funcionários para a manutenção dos mais altamente qualificados, o que pode, no final das contas, exacerbar a desigualdade entre os trabalhadores."

Para alguns analistas, a automação de processos e a inteligência artificial também podem assumir trabalhos técnicos, antes considerados como apostas seguras para longas carreiras em TI.

Profissionais especialistas em IA

Embora a maioria das indústrias esteja buscando a incorporação da inteligência artificial, Ben Lorica, cientista-chefe de dados da O'Reilly, diz que as pessoas com conhecimento específico em IA terão bastante demanda de trabalho em um futuro próximo. "A IA depende de dados e de uma certa quantidade de conhecimento para reunir informações de alta qualidade".

Sem domínio na área, muitas empresas continuarão tendo dificuldade para encontrar as tecnologias corretas para alavancar os negócios. Dessa forma, especialistas acreditam ser fundamental adquirir conhecimento e experiência no assunto, já que as tecnologias da geração atual de IA ainda precisam ser ajustadas para aplicações específicas.

Novas formas de trabalhar

As empresas que não reconhecem que as novas forças de trabalho desejam novas formas de atuar perderão a concorrência, argumenta Neerja Sabharwal, chefe de nuvem e big data da Xavient Information Systems. “Já estamos vendo os efeitos dessa geração emergir, com funcionários mais jovens que querem oportunidades para compartilhar suas opiniões e influenciar a tomada de decisões, trabalhar de forma mais colaborativa em toda a organização e participar de planos personalizados de aprendizado e desenvolvimento para avançar em suas carreiras.”

Com a geração mais jovem de profissionais de TI se aproximando do seu auge nos próximos cinco anos, a expectativa é de que as empresas alterem a forma como o setor funciona. “Se os empregadores não puderem atender às suas necessidades e fornecer os melhores locais de trabalho, cultura, tecnologia e outros incentivos, eles começarão a experimentar taxas de desgaste cada vez maiores, o que será exponencialmente problemático, dadas as habilidades de TI escassas", defende Sabharwal. “A geração do milênio e suas preferências pelas formas como querem trabalhar serão um dos maiores fatores para determinar como serão os locais de trabalho e as carreiras nos próximos 5 a 10 anos.”

 

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