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Como ser um bom mentor

Pesquisa da CIO EUA mostra que apenas 40% dos CIOs receberam mentoria, apesar de cada vez mais, se provar um investimento com ótimo retorno

CIO (EUA)

13/05/2008 às 11h28

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Lance Wilson tem uma história de 17 anos em mentoria, tanto como mentor como mentorado. Para cada um dos lados dessa relação, diz ele, carrega uma lição valiosa. Uma das mais lembradas é a que aprendeu nos anos 1980 e 1990, quando ele estava crescendo na TI da Pillsbury sob a mentoria de Carl Wilson. O último, que hoje é EVP e CIO da Marriott International, é um membro do Conselho Executivo de CIOs (CEC) e júri do prêmio “Ones to Watch,” um programa conduzido pela CIO norte-americana e a CEC que premia os futuros IT líderes.

“Lembro-me de Carl falando sobre como minha carreira seria determinada pelo meu desempenho, imagem e exposição,” diz Lance Wilsonatual CIO da Assurance Health, uma seguradora de Milwaukee. Carl Wilson credita a idéia a um colega da Pillsbury, John Hammitt.

Para aprimorar sua habilidade gerencial, Lance Wilson aprendeu a fazer uma série de questões. “O tipo probatório, não informacional,” diz ele. Fazendo isso – sempre que encontra um cliente, fornecedor, parceiro ou adversário – um CIO aprende a olhar para si mesmo e a seu projeto ou idéia de forma mais objetiva. “Existe uma palavra grega, ekstasis, para estar fora de si. Ajuda muito,” diz ele. Isso também ajuda a polir a sua imagem, acrescenta, e o expõe a outras pessoas e pontos de vista. “Usei essa estratégia muitas vezes para entender mudanças dramáticas, com as quais todo CIO terá que passar em algum momento,” diz ele.

“Para criar organizações fortes, com bom desempenho, é preciso ter foco nos indivíduos,” diz Hammitt, que também já foi diretor de gerenciamento de informação da Morton-Thiokol e VP de sistemas de informação da United Technologies. “Executivos têm a responsabilidade de desenvolver estratégias e prever sua execução, mas mais importante, garantir que o grupo fique mais forte a cada dia.”

Wilson foi feliz em ter mentores para o guiarem: Cerca de 40% dos CIOs colocam o tempo de desenvolvimentos de talentos em TI no ranking de prioridades, de acordo com a pesquisa “Estado do CIO” de 2008. Apesar da carreira de CIOs que tinham mentores ilustre como, quando a relação funciona, os programas de mentoria se pagam em benefícios para os profissionais e para a empresa. Dezessete dos 20 primeiros colocados no “Ones to Watch” classificaram a mentoria como muito efetivo ou extremamente efetivo para o sucesso profissional; 15 dos ganhadores descreveram seus CIOs como “extremamente comprometidos” com o desenvolvimento de suas carreiras.

Carol Mullins, uma das ganhadoras do concurso em 2008, credita a ascensão de sua carreira ao diretor de processos do serviço de revenda interno. Atualmente, Mullins lidera o desenvolvimento de um dos projetos de modernização desse departamento, e gerencia um orçamento de US$113 milhões. Seu mentor, diz ela, “me deu o empurrão que precisava para subir um degrau quando um pouco insegura.” Mullins espera ser uma CIO um dia, e mentorar outros dentro e fora da TI. A mentoria tem muito valor na vida pessoal e profissional de muitos executivos de TI, diz Jeri Dunn, CIO da BAcardi. “Existem tantos momentos em que as pessoas não recebem um olhar atento dos superiores,” diz ela. “Isso está errado.”

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Dunn, que foi CIO da Nestlé EUA e da Tyson Foods é sócio-fundadora da CEC e da Rede de Mulheres Executivas do Arkansas, diz que cria um programa de mentoria onde quer que trabalhe.

“As pessoas precisam desse tipo de atenção. Precisam de alguém para conversar sobre a carreira, problemas no trabalho ou de qualquer outro lugar,” diz Dunn. A mentoria também torna a empresa melhor, diz ela. “Quando você tem a habilidade para comunicar e guiar alguém, você se torna mais confiante e produtivo.”

CIOs que tiveram a sorte de receberem uma boa mentoria no início da carreira geralmente mantêm a  tradição e mentoram colegas mais jovens. Aqueles com quem conversamos disseram que existem forma corretas e erradas de fazê-lo.

Por exemplo, uma mentoria não deve ser formal; forçar uma relação a sabota. Como Craig Cuyar, SVP e CIO da Realogy, coloca: “para obter o máximo dessa joint-venture, é preciso compartilhar riscos e benefícios. Você não tem isso em um casamento arranjado.”

Apesar de acontecer com freqüência, mentoria não deveria ser confundida com coaching. A última é focada no desenvolvimento de algumas metas específicas como habilidade de falar em público, por exemplo, ou como escrever uma revisão de desempenho, diz Catherine Bivie, membra do CEC e vice-presidente sênior de TI da Pacific Blue Cross, um sistema de saúde de Vancouver.

Mas mentorar é sobre desenvolver uma carreira em paralelo com o desenvolvimento das habilidades e metas pessoais. Mentoria, diz Boivie, “é uma relação ininterrupta, mais do que uma transação.” E, Boivie arescenta, os coaches são pagos. Mentores são voluntários.

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