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Como líderes podem aprender a falar melhor em público?

Devemos ser incentivados para falar em público desde cedo. Mas caso a habilidade tenha ficado para trás, busque a autoexpressão

Theodore May, CIO (EUA)

01/11/2019 às 18h08

Foto: Shutterstock

Quando lidero as Master Classes em habilidades de apresentação de negócios para profissionais, muitas vezes os participantes vêm até mim e dizem: "Gostaria que alguém tivesse me contado tudo isso há 15 anos". E isso me fez pensar: Por que alguém não disse isso a eles? Quem deveria ter dito? Onde e quando eram a hora e o local certos para lhes contar?

Funcionários, gerentes e executivos de todos os níveis participam das Master Classes que lidero. As aulas são oferecidas às empresas como desenvolvimento para os colaboradores. Também lecionei e treinei estudantes e profissionais em meio de carreira em programas de MBA Executivo. A grande maioria deles experimenta nervosismo excessivo quando são chamados para apresentar o seu trabalho. A pesquisa anual da Chapman University sobre o medo revela que falar em público é identificado como fobia por cerca de 25% da população.

Parece loucura que algo que temos que fazer com tanta frequência nos negócios continue sendo tão doloroso. Como, quando e onde devemos começar a resolver esse problema?

Comece cedo

A escola parece ser um bom lugar para começar. Enquanto eu me concentro na apresentação dos negócios, e nem todos os alunos estão interessados ​​em negócios, a ideia é passar que as habilidades de apresentação "profissionais" são um substituto fácil e quase universal para as habilidades de apresentação de negócios.

Toda escola deveria adotar o discurso em público. Entretanto, como “falar em público” abrange discursos em ocasiões diversas, eu preferiria adotar aqui o “falar em público de maneira profissional”.

Há pouco tempo, discurso, interpretação oral e retórica eram considerados componentes-chave de um sistema de educação abrangente. Mas acho que essa questão foi deixada para trás. Tive aulas de discurso na escola, mas como disciplina eletiva. Não era obrigatório.

Penso que o fato de serem opcionais sinaliza que não são considerados essenciais, e que essa ideia acaba sendo transferida para a nossa vida profissional. Tendemos a pensar em apresentações como algo que não faz parte do nosso trabalho; algo que nos afasta da nossa função. Apresentações são um incômodo e algo que muitos preferem deixar para os outros. Grande parte das pessoas tenta evitar apresentações (e aí que está o problema), então nos sentimos presos (irritados e nervosos) quando não temos como fugir.

É o que fazemos sempre

Precisamos começar a reconhecer que conversar com grupos nas nossas vidas profissionais é essencial para o que fazemos... a menos que tenhamos escolhido a vida monástica. Falar em público não é algo extracurricular. Deixar o laboratório ou a mesa para assumir um papel de liderança em qualquer organização exige que nos comuniquemos com outras pessoas - em tempo real e no espaço real.

Essa ideia e prática devem começar cedo na escola. Ser chamado em sala de aula não é suficiente e nem um bom treinamento para falar em público. Na realidade, ser chamado para falar em público na sala de aula pode causar ansiedade, porque você está sendo testado. Se você não souber a resposta ou não puder expressar a opinião "correta", estará exposto ao fracasso, ao ridículo e à rejeição. Se essa é a única oportunidade de um aluno falar publicamente, ele aprende a associar o ato com ansiedade e estresse.

Mais problemas

Quando limitamos o falar em público dentro de grupos, como um clube de debate, por exemplo, tendemos a redefinir imediatamente o ato como um esporte competitivo. E isso apenas aumenta a ansiedade da maioria das pessoas.

O tempo também é um problema. Quando devemos começar? Eu recomendo antes e depois da adolescência (pule o ensino médio). Esse é o momento das nossas vidas em que é difícil para a maioria de nós se separar e se destacar do grupo de colegas. Isso causa ansiedade. As crianças mais jovens costumam ter menos autoconsciência e vontade de agradar, e os jovens adultos estão mais dispostos a estabelecer suas próprias identidades e a se rebelar contra as convenções.

Também entendemos mal o papel e a importância da autoexpressão. Muitas escolas estão adotando o aprendizado baseado em projetos. Eles exigem que os alunos façam uma breve apresentação ao final do projeto (também às vezes em um ambiente competitivo de “feira de projetos”). Essa prática também tem valor limitado se os alunos não receberem treinamento. Esses projetos são baseados em fatos, fatos e mais fatos e combinados com dicas que os professores dão ao aluno para ele se lembrar da sua fala - novamente, induzindo à ansiedade.

Sou fã de autoexpressão. Nós tendemos a associar a autoexpressão a empreendimentos criativos, e não a equipes de tecnologia e ciências, onde queremos apenas os fatos objetivos.

O que devemos entender como autoexpressão é o que você vê quando olha para o mundo. O que você observa do seu ponto de vista, que é único. Quando você é chamado em sala de aula, não deve ser apenas para recitar fatos ou opiniões de outras pessoas que você decorou. Todos devemos ser encorajados e capazes de falar com distinção e convicção sobre o que observamos e achamos interessante. Esse é o começo de uma apresentação convincente.

É nisso que todos devemos ser incentivados e ficar à vontade para fazer desde cedo. Então, a questão não é tanto por que alguém não nos contou isso antes, mas porque não fizemos isso antes?

A grande maioria dos artigos publicados sobre oratória é sobre medo. Não podemos voltar no tempo e enfrentar nossos medos e nem todos podemos voltar para a escola. Mas podemos garantir que outros 15 anos não passem. Não tenha medo. Fale. Comece a dizer às pessoas ao seu redor o que você vê e o que acha mais interessante.

 

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