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Como foi 2018? CIOs do TJ-RS e Demarest Advogados respondem

Apesar de um ano abalado pelas incertezas políticas e econômicas no País, inovar com criatividade fortaleceu a TI

Solange Calvo

12/12/2018 às 8h30

Foto: Shutterstock

Nesta época do ano, certamente muitos CIOs já revisitaram suas estratégias e estão realizando ajustes finos nas propostas para 2019. Este que já começa a invadir corações e mentes de profissionais preocupados em fazer o melhor e virar muitos jogos que ficaram no zero a zero. Foi um ano complicado para o Brasil na política e na economia. Mas a TI seguiu em frente com criatividade, procurando inovar em processos, que vão muito além da tecnologia, aprimorando a gestão focada em pessoas.

No Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), a área responsável pela TI além das responsabilidades tradicionais e dos desafios da nova era, precisa cumprir um planejamento que é traçado por períodos. No momento, cumpre o de 2016-2020. A questão é que, ao longo da vigência desse bloco, o órgão passa por mudança administrativa e, então, muitas propostas podem sofrer alterações.

Entre os objetivos traçados no Planejamento estratégico de 2016-2020 estão modernização da gestão , melhorar o desempenho das áreas e tornar eficiente os meios de informática por meio de programa de virtualização processual, com implementação de TI e Comunicação para Virtualização e Implementação de Processo Administrativo Eletrônico, para acompanhamento dos processos físicos e eletrônicos de primeiro e segundo graus, disponível a advogados e membros de órgãos públicos.

Reestruturação vital
Luis Felipe Schneider, diretor de Tecnologia da Informação e Comunicação do TJ-RS, no entanto, revela que a área lida muito bem com esse desafio, porque sempre está apoiada em projetos altamente pertinentes. E descreve 2018 como um ano em que deram um salto importante em direção à criação de uma estrutura de TI mais moderna, concisa e eficiente em sua administração.

“Reduzimos significativamente os níveis hierárquicos da área de TI entre a direção e a execução. Dessa forma, diretores estão mais próximos, acompanhando e colaborando mais de perto nos projetos, e adotando metodologias modernas, com divisões de grupos por projetos (squads)”, diz.

Segundo Schneider, a formação de grupos por projetos e a direção mais próxima de toda a operação da área, contribuíram para acelerar o ciclo de entregas de maneira global. “Em janeiro de 2020, totalizaremos seis ciclos entregues”, contabiliza, acrescentando que os ciclos mais curtos geram respostas positivas e muita satisfação para o órgão, time e sociedade.

Outra vantagem dessa mudança estrutural, afirma o CIO, é que os grupos formados para cada projeto interagem e tornam a operação muito produtiva porque trocam informações em um planejamento combinado. “O suporte agora tem visão do todo. Essa é uma grande vantagem.”

Toda essa mudança impulsionou a TI e proporcionou acelerar o Processo Eletrônico no TJ-RS. “Iniciamos a implantação do sistema Eproc para acompanhamento de processos eletrônicos. Ele foi desenvolvido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Estamos realizando adaptações sistêmicas para engrenarmos em 2019”, avisa.

Outras ações relevantes da TI em 2018 foi a implementação de Wi-Fi nos 200 prédios que fazem parte do TJ-RS e ainda a adoção de videoconferência em todas as unidades do judiciário gaúcho. “Foi um grande projeto concluído no final de outubro”, diz, destacando que também estão incluídos os presídios.

“Eliminamos com a tecnologia a necessidade de deslocamento de presos para audiências, que gerava muito tempo para planejamento, além de alto custo. Agora, há mais eficiência e segurança para as unidades e para a sociedade, sem contar com o alto índice de agilidade que proporcionou a esse processo.”

Para 2019, o CIO do TJ-RS adianta que irá prosseguir com os projetos já iniciados, expandindo o uso das soluções em curso, atento às aplicações inovadoras que podem se realizar com o que já têm em mãos. “Já asfaltamos a nossa estrada de inovação em 2018, agora a usaremos para aprimorar 2019”, diz Scheneider, adiantando que estão em andamento o uso de inteligência artificial para ajudar nos processos de julgamento em massa, com a criação de assistente virtual e de chatbots para atendimento da TI (já já), em 2109.

Valorização das pessoas é chave na Demarest
Há 70 anos no mercado, o Demarest Advogados está entre os maiores escritórios da América Latina. Atua nas mais diversas áreas do Direito por meio de unidades em São Paulo (Campinas e capital), Rio de Janeiro, Brasília e Nova York. Sua operação totaliza mais de 700 colaboradores. No comando do time de 30 profissionais de TI está o CIO Nilson Busto.

Ele afirma que em 2018 continuaram apostando na tecnologia. “Nosso investimento é alto, e sempre crescemos apoiados no uso da tecnologia como meio para modernizar a operação e neste ano colhemos bons frutos.”

O destaque de 2018, diz Busto, foi a adoção do SAP S/4 Hana, um conjunto de negócios construído com base no sistema de banco de dados operacional e na plataforma de computação in-memory da SAP. “Fomos o primeiro escritório a implantar essa tecnologia na América Latina na área de serviços para agilizar processos.”

Segundo o CIO da Demarest, a solução eliminou a papelada, consequentemente erros humanos e agilizou de maneira significativa os processos. “É muito importante avaliarmos qual tecnologia vai fazer a diferença no atendimento dos desafios de negócio e não por ser emergente. Por isso, sempre olhamos outros mercados, diferentes do nosso, para extrair exemplos inusitados e importar para o nosso ambiente”, ensina.

Essa estratégia, ele prossegue, está fundamentalmente focada em pessoas. “Não adianta investir em alta tecnologia sem um time integrado e colaborativo. Por isso, investimos no treinamento dos colaboradores (líderes e seus times). É preciso contar com uma equipe de perfil resiliente. Ela será um forte agente de transformação do negócio. É uma estratégia vital em um mercado carente de mão de obra qualificada.”

O momento agora, pós go-live, é de dedicação, observação, ajustes, diz Busto. “Minha função é gerar tranquilidade para o sucesso da solução, ganhar adesão e multiplicadores. Todos precisam estar envolvidos, desde o board. Acredito que estamos vivenciando uma era de resgate da humanização no ambiente profissional e da tecnologia como aliada, onde há interação entre pessoas de diferentes gerações e habilidades, uma troca. É a valorização das pessoas. Para entregar um bom produto é preciso investir no diálogo, na inspiração e na colaboração.”

Inspiração no Google
A inspiração brotou em 2018 no Demarest e o buscador Google foi protagonista. Imagine os advogados contarem com um buscador para encontrar com facilidade e agilidade documentos importantes em alguns cliques? Assim como no Google. Este era o sonho do escritório, que se tornou realidade neste ano.

E assim nasceu o Fuça, um buscador apoiado em uma solução de mercado, que ganhou contornos customizados para ficar em linha com as necessidades do negócio, facilitando a vida dos advogados que passaram a contar com um poderoso aliado. “Agora temos o nosso Google”, brinca. O nome Fuça é resultado de uma campanha criada internamente pelo Marketing da Demarest, que foi consagrado pelos colaboradores.

“Em 2019, nosso desafio será grande, considerando todas as adaptações que teremos de suportar para apoiar os clientes em relação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Nossa área de Propriedade Intelectual e outros profissionais já estão preparados e fortalecendo o conhecimento. Certamente iremos viabilizar nosso trabalho por meio da tecnologia. E prosseguiremos fortemente em nossa jornada de transformação digital”, finaliza.

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