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Como é, para um CIO, abrir a própria empresa

Profissional experiente, que dirigiu a TI do McDonald's por 18 anos, Francez conta as dificuldades e delícias de começar a carreira de empresário

Paulo Rubens Francez

01/04/2008 às 10h27

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Depois de 25 anos trabalhando na área de informática em grandes empresas, sendo os últimos 18 para o McDonald´s (os 6 últimos como CIO), resolvi deixar o mundo corporativo em setembro de 2006 para tentar uma carreira solo. Abri, então, a minha própria empresa, a E-Deploy.

Uma decisão muito difícil de ser tomada se você esta ocupando uma importante posição em uma grande empresa. Mas encorajada se esta oportunidade aparecer como no meu caso. Na ocasião, todo o McDonald´s América Latina foi vendido para um grupo de investidores e passou a ser administrado pela Argentina. Novo modelo, novas direções, novos comandos que não mais me representariam um desafio profissional. Porém, a mesma satisfação que até aquele momento me fizeram estar na empresa.

Motivado por uma aplicação que havia acabado de propor para o McDonald´s – que permitiria aos clientes comprar seus sanduíches pelo celular –, investi, em 2007, na criação de alguns produtos para esse mercado de mobilidade, como soluções de mobile payment, cartões eletrônicos, controle de acesso, controle de identidade, venda de ingressos, aplicações para informações corporativas, jogos, chat, entre outros.

Após os últimos 16 meses neste novo caminho, minha avaliação é bastante positiva. Esta experiência me levou também a algumas conclusões bastante importantes para o meu amadurecimento profissional.

Uma delas é que o networking criado em todos estes anos de trabalho em TI foi fundamental. Seria praticamente impossível conseguir parceiros, clientes, fornecedores e clientes sem bons e fortes contatos.

Entendi também que é realmente muito mais fácil ser empregado. A segurança, o salário no dia certo, a posição (e o respeito que ela traz) são muito bons e facilmente nos deixam acomodados nesta situação. Porém, toda a dedicação, esforço e empenho ficam para a empresa. Todo o patrimônio que você ajudou a criar “não te pertence”. Esta é a grande diferença entre ter a sua empresa e trabalhar para uma corporação.

Outra coisa muito bacana foi a minha atualização na área. O conhecimento de novas metodologias de desenvolvimento, softwares de colaboração, novas tecnologias, constantes pesquisas para inovações e oportunidades de mercado e até mesmo a conclusão de um MBA executivo durante esta nova fase de minha carreira me trouxeram um “update”, que não pode ser realizado com tamanha intensidade anteriormente pela forte dedicação que meu emprego anterior exigia.
 
Uma das lições que aprendi e gostaria de passar aos meus caros colegas é: os seus verdadeiros patrimônios são sua rede de relacionamento, sua experiência, seus amigos, seus fornecedores e sua família. O resto passa e isto é o que fica e representa a sua continuidade profissional e de vida.

Ainda não sei se ficarei neste caminho ou voltarei a ser empregado, mas sem dúvida nenhuma esta sendo uma experiência profissional riquíssima que tem me modificado como profissional e como homem.

Paulo Rubens Francez é ex-CIO do McDonald’s e, atualmente, é proprietário da E-Deploy

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