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Cultive o equilíbrio emocional no trabalho com essas dicas

Artigo mostra formas de cultivar o equilíbrio emocional no trabalho e como isso se estende para a vida pessoal

Tatiana Pimenta*

09/05/2019 às 18h30

Foto: Shutterstock

A busca pelo equilíbrio emocional no trabalho, para muita gente, é como tentar alcançar o pote de ouro além do arco-íris: por mais que você caminhe na direção, acaba não encontrando nunca! E isso ocorre, infelizmente, por falta de habilidade e aceitação das próprias condições.

Mas a boa notícia é que, diferente do pote de ouro, o equilíbrio emocional não é uma lenda e pode, sim, ser alcançado e usufruído com toda tranquilidade.

Para isso, no entanto, é preciso exercitar o autoconhecimento e aprender algumas técnicas que auxiliam no relaxamento da mente e no controle das emoções, principalmente no ambiente de trabalho, onde qualquer desequilíbrio pode atrapalhar significativamente o desempenho profissional do indivíduo.

Neste artigo apresentaremos algumas formas de cultivar o equilíbrio emocional no trabalho e como isso se estende para a vida pessoal, melhorando as relações e, até mesmo, evitando doenças como ansiedade e depressão.

Por que o ambiente de trabalho interfere nas emoções?

A cada dez pedidos de afastamento do trabalho, três são por causa de depressão, segundo dados da Previdência Social. Todavia, alguns transtornos mentais e comportamentais, como a ansiedade e a Síndrome de Burnout, além de serem motivo de muitos afastamentos, também podem ser consequência de ambientes laborais poucos saudáveis.

E por que isso acontece?

Para a maioria das pessoas, o trabalho costuma ser a atividade de maior responsabilidade e onde se passa até 1/3 das horas do dia. Muita gente costuma, inclusive, abdicar de momentos de lazer e com a família em nome do trabalho. Isso sem contar a necessidade financeira, que faz com que muita gente exerça funções de risco ou das quais não gosta, para garantir o sustento.

Assim, ao se deparar com uma insatisfação e, junto a isso, com a impossibilidade de mudar o que está desagradando – afinal, trocar de emprego não é algo tão simples nos dias atuais –, as pessoas começam a ter suas emoções afetadas, tornando-se deprimidas e ansiosas.

Outro fator é quanto à pressão exercida sobre alguns cargos e profissões, além da cobrança excessiva por produtividade. A regra é: quanto mais trabalho em menos tempo, melhor. É preciso apontar soluções rápidas para os problemas, ser proativo, criativo e multifuncional. O resultado é uma alta dose de diária de adrenalina, que acaba gerando estresse e desencadeando transtornos de ansiedade.

Menos é mais
A receita ideal para manter a produtividade e o equilíbrio emocional no trabalho deveria ser “menos estresse, mais rendimento”, “menos pressão, mais satisfação”. Mas para a maioria das empresas o que realmente importa são as estatísticas de desempenho, com metas alcançadas e lucro cada vez maior.

São raras as vezes em que a subjetividade de um indivíduo, com suas emoções e sentimentos, são levadas em conta, embora algumas empresas já estejam olhando com mais cuidado para a saúde mental dos colaboradores e investindo nessa área. Talvez esse seja o início de uma compreensão da lógica do “menos é mais” quando se trata da relação trabalho vs. equilíbrio emocional.

Algoz de si mesmo
Infelizmente, não são apenas os empregados que sofrem com a perda do equilíbrio emocional. Muitos patrões também acabam se perdendo em meio ao caos de uma vida profissional atribulada, sobrecarregados de tarefas e responsabilidades, cobrando demais de si mesmos e tentando demonstrar super poderes quando, na verdade, são apenas humanos, com suas necessidades e sentimentos.

E não precisa ser diretor de uma grande corporação com centenas de funcionários para ter seu equilíbrio emocional afetado. O problema se estende aos profissionais liberais, autônomos, empreendedores e microempresários que, sem delegar funções a ninguém, acabam perdendo o controle da situação.

Num mercado de trabalho altamente competitivo como o brasileiro, onde a taxa de desemprego cresce a cada dia, muitas pessoas tem verdadeiro pavor de perder o emprego, ver sua empresa falir ou perder clientes.

E, geralmente, os que mais adoecem e são mais afetados por transtornos mentais com oBurnout, são os profissionais que mais se destacam, por serem mais perfeccionistas, terem metas próprias e ambição.

Isso faz com que se tornem escravos do trabalho, deixando de lado sua saúde física e mental. Além do que, ao perceberem o problema já instaurado, simplesmente ignoram suas limitações ou escondem o fato por medo das consequências. E nem é preciso dizer o quanto esse tipo de atitude só piora o que já não está bom.

Cultivando o equilíbrio emocional no trabalho
Diante de uma rotina intensa e desafiadora, manter o equilíbrio emocional torna-se indispensável. Sabemos que essa não é uma tarefa fácil, pois para muitos ainda é preciso encontrar esse equilíbrio, que pode ter se perdido no tempo e dado lugar a crises nervosas frequentes.

Por isso é preciso pensar no equilíbrio emocional como uma semente, que deve ser planta e cultivada com atenção e cuidado, e que, após germinar, dará bons frutos que alimentarão sua vida profissional e pessoal.

Conhece-te a ti mesmo
A famosa frase atribuída a Sócrates, na verdade trata-se de uma inscrição presente na entrada do Oráculo de Delfos, na Grécia antiga. O local dedicado a Apolo, deus da luz e da razão e patrono da sabedoria, era onde os gregos da época buscavam o conhecimento do presente e do futuro.

Segundo a filosofia socrática, o autoconhecimento é o ponto de partida para uma vida equilibrada e, consequentemente, mais feliz. E com certeza não foi à toa que Sócrates propagou esse pensamento muitos séculos antes da nossa existência.

Ao se conhecer melhor, o indivíduo desenvolve a capacidade de entender suas emoções e exercer maior controle sobre elas. Essa capacidade é de grande importância no gerenciamento das relações interpessoais, principalmente no ambiente de trabalho, onde é possível construir uma imagem positiva e sadia perante os colegas e superiores. Vale lembrar que, para um mergulho dentro de si, dois processos podem ser muito úteis: a psicoterapia e o mindfulness.

Isso sem contar que o autoconhecimento é um exercício de bem-estar fundamental para evitar o surgimento de sentimentos negativos como baixa autoestima, fracasso e irritação excessiva. Ao se auto observar, você aprenderá mais sobre suas emoções e sentimentos e saberá qual a melhor maneira de administrá-los.

Comida, diversão e arte
Numa canção de 1987 chamada “Comida”, que fez sucesso na voz dos Titãs, a frase “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” demonstra bem o quanto a necessidade das pessoas vai além do sustento material, e que o trabalho também deve proporcionar acesso à cultura, à arte e à diversão, de modo geral.

E quando falamos de equilíbrio emocional, precisamos entender que os momentos de lazer e relaxamento devem fazer parte da nossa rotina tanto quanto trabalho, estudos e demais obrigações. Afinal, como a própria música diz, “a gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade”.

Mens sana in corpore sano
Tão conhecida quanto verdadeira, a frase acima nos diz muito sobre o quanto os cuidados com o corpo refletem nas emoções. Ao praticar uma atividade física, nosso organismo libera substâncias que promovem sensações de satisfação e bem-estar, como a endorfina, além de elevar os níveis de serotonina, dopamina e noradrenalina.

Além disso, atividades físicas como a corrida, por exemplo, ajudam a desenvolver a capacidade cardiovascular e desenvolvem o foco e a concentração. As artes marciais também são excelentes para quem busca equilíbrio emocional, pois trabalham a autodisciplina e auxiliam na orientação das emoções.

Salve, empatia!
Pessoas mais equilibradas emocionalmente costumam ter mais facilidade para se colocar no lugar do outro e compreender seus sentimentos, mesmo diante de situações que nunca viveram. No entanto, a empatia vai além de reconhecer como os outros se sentem, pois também fala sobre como você responde às emoções alheias.

Especialmente no local de trabalho, exercitar a empatia permite manter o equilíbrio emocional diante de pessoas e situações. Compreender que um colega pode estar passando por dificuldades, que o estagiário ainda não sabe como funciona todo o sistema e que o chefe sente o peso da responsabilidade do cargo ajuda a controlar sentimentos negativos como impaciência, egoísmo e frustração, melhorando as relações.

*Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude, plataforma que conecta psicólogos e pacientes

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