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Como a análise de dados diminuiu o tempo de entrega dos pedidos do iFood

Com mais de 20 milhões de pedidos por mês, plataforma investe em IA para otimizar processos internos e tempo de entrega de pedidos

Guilherme Petry*

30/11/2019 às 13h22

Foto: Shutterstock

A plataforma de delivery de comida iFood possui uma demanda de mais de 20 milhões de pedidos por mês. Esse número de pedidos gera uma incontável quantidade de dados de comportamento de clientes e usuários. Para lidar com a gestão desse volume de dados, a empresa agora investe em inteligência artificial.

Após receber aporte de US$ 500 milhões no ano passado, o iFood contratou mais de 100 profissionais para o time de inteligência da empresa, afirmou Sandor Caetano, Chief Data Scientist (CDS) do iFood durante o CASE 2019, evento voltado para startups e realizado pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups) que aconteceu na última quinta-feira (28).

De acordo com Caetano, a contratação e a ampliação do time de inteligência têm como principal objetivo a expansão da empresa. “Porque o mercado é agressivo e a iFood é uma empresa extremamente agressiva em sua gestão, com metas pesadas e desafiadoras”, destacou o executivo.

Para atingir as metas, a empresa aposta em um projeto de treinamento profissional especializado em inteligência artificial que é oferecido para todos da empresa, até mesmo para os cargos de diretoria, para que toda a equipe, principalmente o time de tecnologia tenha noção dos processos e saiba trabalhar eficientemente os dados da empresa.

Chamado de Projeto 300, uma referência à série de revistas em quadrinhos "Os 300 de Esparta", o projeto se constitui em cursos de inteligência artificial e dados, no mínimo uma vez por semana. “A meta é treinar todo mundo da equipe até o final do ano que vem”, informou Caetano. Caetano revelou também que logo após os primeiros esforços em trabalhar e organizar os dados, o tempo de entrega dos pedidos foi notoriamente otimizado, sendo o tempo de entrega um dos principais benefícios da análise inteligente dos dados.

O executivo explicou também sobre o "Cerebrão", a plataforma unificada de dados da empresa. “O Cerebrão, nossa plataforma com todos os dados da empresa, como um business intelligence (BI), a única diferença é que há métodos de integrar machine learning, que podem interagir com os dados da empresa”, explica.

Outra ferramenta desenvolvida para a otimização do serviço mencionado pelo executivo foi o simulador de rotas, um sistema de análise que consegue criar pedidos e entregadores em um ecossistema simulado e com base nos dados do Cerebrão. O sistema consegue realizar testes de otimização, sem que nada seja alterado na plataforma principal.

Dentro dessa plataforma, são realizados testes de estresse com o objetivo de diminuir ainda mais o tempo de entrega dos pedidos. “Usamos o simulador, onde o modelo vai definir quais são os melhores parâmetros”, explicou Caetano.

Caetano comentou também que a empresa tem planos de investir em robôs autônomos. A ideia é que que os robôs operem em lugares onde não é possível ou não é muito acessível para entregadores chegar, como praças de alimentação de shoppings, por exemplo. Os robôs então, pegariam os pedidos do shopping e levariam para um espaço onde os entregadores teriam acesso, diminuindo o tempo de entrega final.

O executivo, entretanto, não revelou quando o iFood planeja lançar tal iniciativa.

*Estagiário sob supervisão da editora Carla Matsu

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