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CIOs com grau de investimento

Número de IPOs no Brasil faz crescer procura por profissionais que entendam as necessidades do mercado financeiro. Leia e saiba como se qualificar

Marina Pita

05/05/2008 às 19h08

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A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) bateu mais um recorde ao atingir pela primeira vez os 70 mil pontos na segunda-feira (05/05/08), dias após a agência de classificação de risco Standard&Poor’s elevar o Brasil para grau de investimento. Isso depois de, em 2007, a Bovespa ter um ano excepcional - as ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) bateram recordes tanto em número de operações (64) como em volume de captação (R$ 55,5 bilhões) – resultado comparável somente ao ano de 1994, quando foi lançado o Real.

Mas o que tudo isso significa para o CIO? Muitas empresas interessadas em abrir capital estão em busca de diretores de tecnologia e sistemas de informação com experiência em empresas de capital aberto ou que ao menos entendam as necessidades desse tipo de companhia. Aliás, alguns apontam essa procura como responsável pela grande movimentação de profissionais que ocorre atualmente.

Segundo Marcelo Mariaca, dono da consultoria em gestão de capital humano que leva seu nome, o grande desafio dos CIOs de empresas de capital aberto ou com planos de lançar ações na Bolsa de Valores é entender que, além do cliente interno e externo, ele precisa considerar um terceiro: os acionistas. “Isso significa que entregar informação atualizada e processada rapidamente é ainda mais imprescindível,” aponta Mariaca.

Para ele, “é preciso levar em consideração e responder às demandas de um segundo público externo formado pelos analistas de mercado, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e acionistas, o qual cria uma demanda de velocidade e exatidão adicional.”

Além disso, acrescenta, é importantíssimo entender a função de Relações com Investidor e apoiá-la. “O diretor de tecnologia para uma empresa que pretende abrir capital precisa ter uma antena externa muito boa. Não pode ser só competente em termos de tecnologia de aplicações, instrumentos e equipamentos. Tem de reportar-se ao diretor de relações com investidores como sempre fez ao diretor financeiro. Não pode pensar em passar na frente do RI que tem uma função regulamentada e específica e um papel externo muito grande.”

Mariaca diz que, apesar do número absoluto de empresas de capital aberto no Brasil ser pequeno, a quantidade de IPOs – “somente no setor de construção civil foram 20 em 2007” – tem pressionado o mercado e evidencia a falta de profissionais com essas qualidades.

Para se ter uma noção, é possível traçar um paralelo entre a procura de CIOs para empresas de capital aberto, baseado na procura por profissionais de Relação com Investidor: segundo dados da Mariaca, a procura por esses profissionais cresceu 35% nos últimos seis meses, em comparação com o ano anterior.

Ninguém menos que Washington Salles, gerente-executivo de tecnologia da informação e telecomunicações da Petrobras – eleita uma das empresas exemplo de transparência nas informações publicadas sobre seus faturamentos no segmento de petróleo e gás no mundo, segundo o relatório "Promovendo a Transparência na Receita", da Transparência Internacional –, concorda com Mariaca.

“Na Petrobras, todo o relacionamento com os acionistas está centralizado na gerência-executiva de Relacionamento com Investidores, da diretoria-financeira. Ao gerente-executivo de tecnologia da informação e telecomunicações, cabe zelar pelos meios de comunicação e pelo armazenamento das informações operacionais e financeiras que suportam os negócios, garantindo que estejam disponíveis a tempo e hora, íntegras e resguardadas de riscos, para que a área de relacionamento com os investidores possa executar seu trabalho", detalha Salles. "Para tanto, a Petrobras emprega modernas tecnologias e certifica seus controles internos de TI, com base em auditorias reconhecidas pela CVM e SEC (Securities and Exchange Commission), como por exemplo, as exigidas pela lei Sarbanes-Oxley."

Mais responsabilidades
O vazamento de informação privilegiada de uma empresa de capital aberto, além de prejuízos tais como em empresas fechadas, pode significar um processo e multa se assim julgar a CVM, lembra Lucy Souza, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). “Ou seja, a necessidade de segurança da informação torna-se algo ainda mais crítico,” sentencia Lucy complementando que “nas companhias abertas, a política de divulgação de informações é regulamentada e a cultura interna deve ser adaptada.”

Segundo a presidente, os CIOs de empresas com ações cotadas na Bolsa terão muito trabalho com a aprovação da Lei 11.638 que regulamenta a adoção dos critérios internacionais para contabilidade até 2010. “Muita coisa que não era contábil passa a fazer parte da contabilidade,” afirma Lucy.

Para ela, os sistemas de informação das companhias estão se tornando cada vez mais relevantes para os analistas de investimento, responsáveis por recomendar (ou não) a compra de ações de determinada empresa, o que aumenta ainda mais a responsabilidades dos CIOs. 

 

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