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CIO tipo exportação

Executivos brasileiros de TI que trabalham no exterior dividem experiências e dão dicas para quem pretende seguir o mesmo caminho

Thais Aline Cerioni

18/02/2008 às 11h17

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Um país distante, uma cultura totalmente desconhecida, novos costumes, uma nova língua. Se tantas novidades causam ansiedade até mesmo às vésperas de uma curta viagem de férias, não é difícil imaginar o turbilhão de sentimentos que invade quem é convidado a trabalhar fora de sua terra natal. A cada dia mais líderes de TI brasileiros passam por esse momento. Ao mesmo tempo em que o País consolida-se como um exportador de serviços e de profissionais na área de tecnologia, o mundo, como diria Thomas Friedman, torna-se cada vez mais plano, fazendo com que as empresas busquem profissionais competentes onde quer que eles estejam.

O frio na barriga que segue o convite é inevitável - e explicado pela ciência como uma reação cerebral à necessidade de se enfrentar situações diferentes das quais estamos acostumados -, mas é também inevitável aceitar a chance de ampliar seus horizontes profissionais (e pessoais), abraçando a mudança como uma enorme oportunidade. "No campo profissional é um passo que vem tornando-se comum devido às organizações serem cada vez mais globais. Uma expatriação, ou mesmo uma longa viagem, pode atender à necessidade da passar conhecimento técnico ou gerencial de algum lugar para outro. Por isso, todo profissional deve aceitar este desafio", ensina Fernando Birman, ex-CIO da Rhodia Brasil e, atualmente, diretor de estratégia e customer relationship management da companhia, baseado em Lyon, na França.

Vivendo na Europa desde o começo de 2007, Birman já estava em uma posição global desde o ano anterior, devido, principalmente, à forma de organização da área de TI da corporação. "Na Rhodia, extinguimos o conceito geográfico de TI. Não existe uma área de tecnologia do Brasil, uma dos EUA e outra da China, por exemplo. Cada equipe mundial (Infra-estrutura, BI, ERP etc.) tem pessoas espalhadas pelo mundo as quais trabalham nos mesmos projetos", explica o executivo.

Longe de casa, ele não está sozinho. Augusto Cruz, da Whirpool; Jairo Silva, da Nokia Siemens Networks, e Murillo Zamora, da DuPont, são apenas alguns outros exemplos entre as dezenas de executivos brasileiros expatriados. "Vejo [o trabalho no exterior] como uma chance de aprender e aplicar o que já aprendi. Além disso, a mudança traz desafios e motivação para superá-los", avalia Cruz, atualmente diretor de sistemas de informação para a área de entrega de projetos da Whirpool, nos Estados Unidos.

Além do ânimo extra trazido pelo desafio, conhecer e vivenciar outras realidades consistem em outros dos pontos positivos da mudança. "O lado bom é a possibilidade de aprender novas culturas", diz o CIO da DuPont Safety Resource, Murillo Zamora. Na DuPont há 24 anos, esta já é a segunda estada do executivo nos Estados Unidos. "Fui transferido em julho de 1997 e fiquei por lá até julho de 2000. Depois, em outubro de 2003, fui transferido novamente", detalha.

A pluralidade cultural também é apontada por Jairo Silva, vice-presidente mundial responsável pelos centros de operação de redes de telecom, como uma das grandes realizações durante períodos de trabalho no exterior. Devido à sua posição, além de ter de lidar com as diferenças culturais em relação aos alemães, já que está sediado em Munique; ele tem de lidar com profissionais portugueses e indianos, já que os dois centros de operação estão localizados em Portugal e na Índia. "As diferenças são muito grandes. Na Índia, ainda é preciso investir muito nos aspectos gerenciais", aponta o executivo. "Nos últimos 15 dias, estive três vezes na Índia para explicar o que é trabalhar com processos. Hoje, há muita mão-de-obra disponível, a custo baixo e competente, mas sem capacidades gerenciais."

Mesmo assim, Silva garante que as diferenças culturais não são empecilhos para o trabalho. "Há muita diferença entre trabalhar na Europa e no Brasil. Europeu não trabalha 14, 15 horas como os brasileiros, somos 'pau pra toda obra'", compara. "Mas, na hora que eles percebem a sua experiência, aceitam muito mais, independente da sua origem. Acredito que eles são mais relutantes frente a um chefe muito novo que diante de um estrangeiro", comenta. Cruz, da Whirpool, vê situação semelhante para os expatriados nos Estados Unidos. Em sua opinião, a transferência é comparável a uma mudança de emprego. "Apesar de conhecerem seu histórico profissional, o espaço e o respeito devem ser conquistados novamente", avalia. Para Birman, essas conquistas são diárias. “Integração profissional e social em um outro país é um desafio que precisa ser vencido a cada dia. Quando você cumpre uma parte, está na hora de se alcançar uma outra esfera. É um processo contínuo que só acabaria se algum dia esquecerem que você é um expatriado”, diz.

Se as questões profissionais causam apreensão, é no que tange à vida pessoal que se encontram os principais desafios durante os processos de expatriação. Para quem está fora, é consenso dizer que a maior preocupação é a adaptação dos familiares. "Para a família, as mudanças e desafios são grandes, já que envolvem escola, língua e amigos novos. A esposa(o) que tem uma vida profissional no país de origem, por sua vez, é a parte mais impactada", comenta Zamora. 

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