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CIO da Jaguar mira transformação de olho no futuro do setor

Transporte como serviço, carros elétricos, híbridos e autônomos estão sob os olhares da fabricante, que aposta em inovação para atuar hoje e amanhã

Déborah Oliveira

18/03/2018 às 22h34

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Marca de automóveis de luxo, com sede em Whitley, na Inglaterra, a Jaguar produz bilhões de veículos ao ano. Para se ter uma ideia, a cada 43 segundos uma Range Rover é finalizada em uma de suas muitas fábricas, uma delas no Brasil. Customizar essa produção, portanto, é um grande desafio. Há uma série de variáveis, como tipo de roda e assento. O cenário, contudo, faz com que a fabricante inove sempre. É o que afirma Simon Bolton, CIO global da Jaguar.

Para ele, falar do futuro do setor é passar por uma série de temas, como carros compartilhados, autônomos, elétricos e híbridos e inteligência artificial. Todo esse contexto faz com que a empresa pense em tecnologia como caminho. “Estamos mudando de tecnologias legadas para as novas, pensando cuidadosamente nas soluções que temos de ter nas nossas fábricas hoje e no futuro. Isso inclui desenvolver tecnologia olhando o supply chain para ter visibilidade completa da nossa cadeia de suprimentos”, revelou ele em conversa com a CIO Brasil.

Com o objetivo de aprimorar sua cadeia de suprimentos, uma das estratégias colocadas em prática, afirmou Bolton, é o uso de inteligência artificial (AI, na sigla em inglês). “Teremos investimentos significativos nos próximos 12 meses em reação a isso”, disse sem entrar em detalhes.

E essa visibilidade da cadeia passa por compartilhamento de dados entre as equipes que atuam na Jaguar, como Engenharia, Vendas e Marketing. “Estamos criando um data lake para começar a trocar dados”, adiantou.

Transformação digital
Para uma indústria já bastante pautada por tecnologias falar de transformação digital parece vintage, mas a verdade é que até as automobilísticas entraram de cabeça nessa jornada. “Elegemos a SAP para nos ajudar nesse quesito. Usamos diversas tecnologias deles como Concur, SuccessFactors, ECC, ME e PoC”, destacou, acrescentando que o CEO da Jaguar costuma dizer que a empresa se transformou de automobilística para uma de tecnologia – transição que grande parte das companhias tem passado. “Tecnologia está em tudo o que fazemos”, completa o CIO.

O executivo entende que em dez anos poucas pessoas terão carros. O caminho mais provável será a subscrição, assim como acontece com a nuvem, pagando pelo uso, formando o conceito de transporte como serviço (transportation as a service). “Essa é a aposta. Mas não sabemos verdadeira como será daqui uma década. Temos alguns palpites e Google e outras empresas querem falar com a gente para cocria o futuro. Vivemos um tempo bastante inovador.”

Quando a internet das coisas (IoT) por meio dos carros autônomos chegarem efetivamente ao mercado, a estimativa é de que cada carro gere 25 GB de dados por hora. Imagine a transformação tecnológica da indústria automobilística para suportar essa avalanche de dados. Ciente desse cenário, Bolton aponta que olha com bastante cuidado para essa questão, para não só armazenar dados, como respeitar a privacidade e identificar, em casos de acidentes, o responsável. Uma equação desafiadora.

A mudança passa por uma revolução no data center da Jaguar. Por enquanto, a intenção da fabricante é construir uma nuvem privada. E nesse contexto, a High Performance Computing (HPC) também deposta como uma aposta, relata o executivo.

Jaguar

Tudo elétrico
No último ano, a Jaguar anunciou que a partir de 2020 todos os seus veículos serão eletrificados (totalmente ou híbridos) e mostrou como espera encarar o futuro da mobilidade com um novo carro autônomo chamado provisoriamente de Future Type, previsto para 2040. A novidade é acelerada pela legislação, aponta Bolton. 

Apesar dessa evolução, as cidades ainda precisam avançar – e muito – para receber carros elétricos. Atualmente, ainda são poucos os postos para recarga desse tipo de veículo. “Esse é um grande desafio das cidades. Por isso, creditamos que a eletrificação precisa ser suportada pelo governo e por infraestrutura.”

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