Home > Carreira

CIO da Afferolab vence peso cultural que inibe mulheres na TI

Bárbara Olivier escolheu tecnologia para estabelecer conexão com o futuro e conquistou seu comando em trilha de perseverança

Solange Calvo

07/03/2019 às 11h35

Foto: Divulgação

Em meio à tradicional encruzilhada, característica da adolescência, em que é preciso escolher a profissão a ser seguida, Bárbara Olivier, hoje diretora de Tecnologia e Inovação da Afferolab, deixou nas mãos do destino essa decisão. Inscreveu-se no vestibular para Ciência da Computação e também para Belas Artes. Não deu certo. Passou nas duas.

A saída foi a reflexão, segundo ela. “Entendi que a tecnologia é a conexão com o futuro e escolhi Ciência da Computação, migrando para tecnologia. Graduei-me em Tecnologia na FESO em 1998.”

A tecnologia despertou a atenção de Bárbara na pré-adolescência por influência da profissão do pai, que era gerente de Operações na Rede Globo e tinha acesso fácil às tecnologias de última geração. A atmosfera tecnológica imperava na casa, mas ela também gostava de desenhar e mais tarde fez MBA na UERJ em Computação Gráfica e Multimídia.

O professor do MBA na UERJ a indicou para trabalhar em um grupo de Educação a distância na universidade, em uma empresa formada por universitários – Empresa Jr. A iniciativa atendia às demandas de Furnas e funcionava dentro das dependências da universidade.

“Eu desenvolvia várias peças de e-learning para treinamentos corporativos. Ali, aprendi na prática o que era trabalhar com tecnologia. Afinal, educação é saber e educação corporativa é saber fazer”,relata.

Seguiu então sua trilha depois na Actio Interactive Solutions, como web designer e consultora de e-learnning; BRQ, na consultoria de web designer; Xerox no cargo de analista de web e na Singularity São Paulo.

Era Afferolab 

O ano de 2009 marcou o ingresso de Bárbara na Afferolab, empresa de treinamentos corporativos, onde está há mais de nove anos. Seu primeiro cargo na empresa foi gerente de Soluções Educacionais e seguiu evoluindo para gerente de Tecnologias Educacionais até alcançar a posição de comandante de Tecnologia e Inovação em 2018 na empresa.

Mas a jornada de Bárbara na Afferolab teve um brake quando aceitou uma proposta na concorrência, a Laboratório, justo a empresa que se fundiu tempos depois com a Affero, da qual havia saído, dando origem à Affero Laboratório. “Ironia do destino”, brinca.

“Quando saí da Affero e cheguei à Laboratório, ganhei uma área estratégica, em que havia um equilíbrio do números de profissionais homens e mulheres. Pude realizar um bom trabalho. Até que, com a fusão, retornei à Affero, que se tornou Affero Laboratório, e atualmente Afferolab”, diz, acrescentando que foi muito bem recebida pelos ex-colegas em seu retorno.

Vencendo o peso da cultura 

Mas o que acontece quando se conquista o objetivo maior? Bárbara confessa que quando assumiu o cargo de diretora-executiva de Tecnologia e Inovação da Afferolab o ranço da cultura bateu forte.

“Senti medo de assumir um cargo que tradicionalmente vem sendo ocupado na maior parte dos casos por homens. Pesou sobre os meus ombros essa cultura. Sabia que tinha de fazer o meu melhor. Mas logo veio o orgulho e a certeza de estar conquistando um sonho e representando muitas mulheres”, diz a executiva que comanda uma equipe composta por mais de 50% de mulheres.

Ela alerta que é preciso acreditar e se engajar e lamenta que em todas as vezes que abre vaga para desenvolvedores, a cada cinco canditados homens, surge apenas uma mulher. “Quero muito aproveitar jovens profissionais mulheres em nosso Laboratório de Inovação, mas está difícil”, diz, destacando que as meninas precisam de voz e de espaço em TI.

Dizendo-se privilegiada porque não sofreu discriminação pelo fato de ser mulher em uma área de tradicional hegemonia masculina, Bárbara lembra que independentemente desse tipo de barreira a ser enfrentada por muitas mulheres, existem outras nessa trilha. A maternidade é uma delas.

“Engravidar e ter filhos é sempre uma preocupação em meio ao turbilhão de responsabilidades de uma executiva, mas é um fator transformador. “Quando me tornei mãe, mudei a forma de lidar com os mundos pessoal e profissional, de maneira mais humana, mas sofri um grande impacto sobre como encarar o futuro”, confessa.

“Bateu um desespero de como controlar o futuro. E nunca havia me preocupado com isso, sempre o vi como uma orientação presente, meta a perseguir. Mas fiquei muito ligada em estruturar o presente em tudo na minha vida para garantir um futuro sustentável profissional e para a família.”

O sonho é agora

Para Bárbara, o momento hoje é de realização de sonhos. “É muito instigante poder trabalhar com projetos ligados à inovação e à transformação digital – viver essa evolução por meio de projetos, de aplicação de tecnologias como Inteligência Artificial e machine learning. Mas nesse cenário, reunir soft skills no comando é vital para o crescimento do gestor e da equipe.”

Na avaliação da executiva, além de sensibilidade, alta capacidade de comunicação e de trabalho em colaboração, ter visão 360° é importante para o negócio. “Contudo, com a avalanche de informações que invadem as empresas, para que essa visão se sustente, é necessário o uso da tecnologia”, alerta.

Ela dá a dica: “É preciso criar canais para estar mais próximo da equipe e acompanhar andamento de projetos de maneira moderna. A interação nesses canais é muito importante, cada um contribui de maneira diferente, ampliando horizontes. Criamos grupos no WhatsApp com a equipe, no Instagram, fazemos live todos os dias. Assim, de maneira natural, fico em dia com o que está acontecendo e interajo constantemente”, ensina.

“Gosto muito de gente, de estar em grupo e isso favorece a minha gestão. Adoro dar feedback, um procedimento muito importante na equipe, que considero parceira”, diz a executiva que exerga esse perfil como uma vantagem na nova era.

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail