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Carreira de CIO: a ruptura gerada pela crise

O momento de instabilidade exige que o líder de TI tenha uma nova postura, mude suas expectativas profissionais, especialize-se em seu setor e enxergue a possibilidade de atuar como consultor

Martha Heller, CIO EUA

17/04/2009 às 16h05

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Quando comecei a escrever na CIO, em 2005, acreditava plenamente que as bases da carreira de um líder de TI eram imutáveis. Mas nesse clima de turbulência econômica, marcado por incertezas e dúvidas, quando as qualificações dos executivos foram repentinamente atropeladas pela demanda, eu descobri que estava errada.

Para todos que estão no mercado (ou gostariam de estar nele), eu ofereço uma atualização dos princípios que norteiam a gestão de carreira:

1. Adeque sua postura

Eu recebi a ligação de um CIO de uma companhia que foi demitido após a integração das áreas de TI e de operações. E ele se perguntou porque a empresa não o escolheu para liderar a nova equipe. A resposta é simples: ele não demonstrou o mesmo nível de liderança do outro executivo.

Os CEOs estão examinando sua lista de gestores para escolher o time que eles querem que permaneça no próximo ano. Simplesmente fazer o trabalho e conhecer o negócio não são suficientes para fazer parte desse grupo. O executivo deve estar alinhado às pressões do negócio, ser proativo ao oferecer soluções e dar um novo passo na posição de liderança. “Tempos desafiadores são quando os executivos podem, realmente, demonstrar suas habilidades para liderar”, considera Dan Hill, CIO da Exelon. “Faz tempo, eu descobri que a maior parte do sucesso profissional que experimentei veio depois de um período difícil”, acrescenta Hill.

2. Gerencie suas expectativas

O candidato recebe um convite para ser vice-presidente de aplicações em uma grande companhia. Apesar da proposta, ele fica um pouco desapontado, já que sua verdadeira meta era atuar como CIO. Ao conversar com esse profissional, eu lembrei de uma história da época do estouro da bolha da internet. Na época, um executivo com uma carreira fantástica decidiu atuar em uma empresa ‘pontocom’ e depois da companhia falir, gastou um ano tentando se recolocar no mercado.

Uma década depois, veremos um movimento parecido acontecer nas corporações? Os CIOs irão fazer movimentos laterais ou sofrer um downgrade? Ajustar sua definição do que é uma carreira de sucesso, dentro desse novo cenário econômico, pode ajudá-lo a fazer as escolhas certas.

3. Fique perto do seu setor

Nos bons tempos da economia, eu encorajava os CIOs que queriam mudar de segmento de mercado a selecionar as companhias que seriam o seu alvo e traçar um caminho para atingi-las. “Tecnologia transcende indústrias”, eu costumava dizer. Agora, no entanto, com CEOs preocupados com demissões, os CIOs precisam pensar, agir e falar de acordo com o setor no qual estão inseridos.

“Permaneça no segmento que é seu core, mas expanda suas possibilidades”, sugere Jeff Campbell, que aposentou-se depois de trabalhar como CIO da BNSF Railway – uma das maiores ferrovias dos Estados Unidos. “Isso poderia não ser um bom momento para alguém como eu, que atuei no segmento de transporte e logística por toda a vida, tentar trabalhar em uma empresa de cosmético. Mas, por outro lado, minha experiência poderia ser algo bom para companhias de telecom, empresas aéreas ou na área de óleo e gás”, acrescenta Campbell.
  
4. Vire um consultor

Tem crescido o número de corporações que estão decidindo por não manter a figura do CIO. Essas companhias têm optado por deixar as operações de TI para alguém de nível mais gerencial e então trazem consultores para gestão estratégica e de crise. Se você já considerou a possibilidade de atuar em uma consultoria, esse representa um bom momento para isso.

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