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Blockchain já começa a transformar varejo brasileiro

Carrefour e IBM experimentam o potencial da tecnologia para revolucionar as transações no setor

Guilherme Borini *

28/02/2018 às 8h39

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Foto:

O Blockchain vai muito além do Bitcoin e de outras criptomoedas.
A definição representa grande parte do desafio de evangelização que
especialistas no tema enfrentam para consolidar a tecnologia no mercado.
É o caso de Regina Nori, especialista em projetos de planejamento estratégico de TI na IBM
no Brasil. "Sempre que falamos de blockchain, as pessoas me perguntam:
então quer dizer que Bitocin é Blockchain e vice-versa? Precisamos
desmistificar esse conceito. É uma solução tecnológica que vem para
resolver problemas de negócios", resume.

Mais do que
transacionar as chamadas criptomoedas, o Blockchain tem potencial para
revolucionar não só o setor financeiro, mas diversos mercados - e já tem
feito isso. Um exemplo é o setor de varejo, com um caso prático com
grandes players no Brasil.

Rafael Barini, e-Bussiness e especialista em operações de comércio eletrônico e varejo do Carrefour,
que está à frente de projetos com Blockchain na empresa, explica que a
tecnologia é um grande banco de dados que não está centralizado em um
servidor único, no qual diversos integrantes fazem parte da cadeia
armazenando informações e registros. "Apesar de estar distribuído, uma
transação para ser aprovada precisa de consenso de todos os outros. É
como se cada parte assinasse aquilo como autêntico", comenta.

A
integração de diversos processos em uma única plataforma, com agilidade e
segurança, é onde está o potencial do Blockchain para revolucionar
processos em um setor como o Varejo. "Empresas como o Carrefour
transacionam com diversas outras empresas, como bancos, lojistas,
auditorias etc. Toda vez que realiza uma compra, emite uma nota. Todas
essas informações estão de alguma forma duplicadas dentro do parceiro de
negócios", comenta Regina.

A questão é que no Blockchain o
registro é único. "(Da forma como é feito hoje) As informações são
truncadas entre empresas e existe duplicidade de informações
"disputadas" entre elas. Essas informações podem estrar diferentes, o
que pode tornar o processo caro e vulnerável. Cada um pode estar falando
uma coisa. Se tiver algum dano em um produto no processo, quem será o
responsável? O Blockchain resolve esse problema, com todas operações
registradas em uma base e em um local em que todas elas visualizam",
explica Regina.

Vantagens
O Grupo Carrefour
Brasil realizou, na última semana, seu primeiro Fórum de Inovação em
São Paulo (SP). O evento, fechado para executivos, parceiros e
convidados, discutiu boas práticas e soluções digitais para as
principais demandas do varejo e o assunto blockchain foi um dos
destaques. Para auxiliar o entendimento da plateia, Regina resumiu
quatro pontos para entender a tecnologia.

O primeiro deles é o
compartilhamento de base de dados, em que todos os participantes têm a
mesma visão de determinada informação e é impossível alterá-la - apenas
acrescentar itens.

O segundo quesito é o de privacidade. "Eu
garanto a privacidade dos dados e que ninguém vai invadir e buscar
aquelas informações. Só terá acesso à minha rede quem eu permitir
visualizar. Isso é importante pois muitas vezes a rede de negócios conta
com empresas concorrentes, por exemplo."

Outro ponto citado é o
consenso, em que a transação só prossegue se todas as partes derem ok.
Por fim, a possibilidade de contratos inteligentes, ou seja, processos
que podem ser rastreados em tempo real. "Um exemplo prático é um
rastreamento de produto em que conseguimos medir temperatura ao longo do
caminho para determinar as condições em que foi transportado."

"Em
resumo, o Blockchain traz quatro principais benefícios: economia de
tempo, corte de custos, redução de riscos e aumento da confiabilidade."

blockchain

Varejo brasileiro na prática
O Blockchain já é realidade no Carrefour Brasil. No ano passado, o varejista e a IBM se uniram à rede de alimentos BRF para o projeto “Food Tracking”,
que rastreou produtos por meio de Blockchain. O objetivo é que o
consumidor tenha acesso, de maneira simples e objetiva, à procedência
dos alimentos, considerando todas as etapas do negócio: produtiva,
comercial e logística.

Desenvolvido na Garagem 11.57 – espaço
criado pela IBM para acelerar inovações e aplicações na nuvem -, o
projeto visa atender preocupações de clientes com a segurança alimentar e
dar confiabilidade sobre as origens dos alimentos.

O projeto usou
o produto lombo suíno fatiado congelado para dar qualidade ao processo.
"Por que não rastrear um lote de produção ao longo da cadeia e mostrar
ao consumidor?", lembra Regina.

O rastreamento começou na fábrica
em Santa Catarina, onde foram coletadas informações como data do abate,
do corte, pessoas responsáveis pelo manuseio do produto, bem como a
temperatura em que foi armazenado. Na sequência, a equipe mapeou o
transporte, qual foi o caminho, depois a chegada e armazenamento do
Centro de Distribuição de Jundiaí (SP) e de Itapevi (SP), até chegar à
loja da Rebouças, na capital paulista.

No supermercado Carrefour, a
solução foi experimentada por consumidores, que, a partir da leitura de
um QR Code afixada na embalagem, tiveram acesso a informações
detalhadas das etapas de produção, distribuição e disponibilização do
produto na prateleira do varejo.

Segundo Barini, não há planos
concretos de continuidade do projeto, ainda tratado como prova de
conceito. "Mas temos várias oportunidades de uso. Ainda teremos cenas
dos próximos capítulos para continuarmos com a solução", adianta o
executivo.

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