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Blockchain da IBM automatiza processos de contratos de trabalho

Companhia está utilizando a blockchain para resolver discrepâncias nos seus contratos de trabalho

Clint Boulton, CIO (EUA)

04/02/2020 às 14h00

Foto: Shutterstock

O processamento de pagamentos para milhares de contratados é uma tarefa onerosa que as grandes empresas enfrentam, principalmente com a chegada de prestadores de serviços técnicos e comerciais. A IBM venceu esse desafio utilizando a blockchain para reduzir os custos e o tempo necessário para processar as faturas geradas pelos trabalhadores temporários.

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O Contingent Labor, na IBM Blockchain, rastreia automaticamente folhas de ponto, pedidos de compra e outras informações, assegurando as aprovações propriadas, diz Burton Buffaloe, líder dos esforços globais de logística e blockchain da IBM. "Um dos maiores problemas de todos os fornecedores é a reconciliação de faturas", acrescentamo executivo, que liderou a iniciativa e se reporta ao CIO global Fletcher Previn. "A Blockchain vive nos espaços em que há atrito e discrepância."

Como um livro digital compartilhado para registrar transações, a tecnologia blockchain está respirando ar fresco no setor de negócios. Os CIOs estão intrigados com o potencial da tecnologia de escalar a confiança digital nos ecossistemas de parceiros e fornecedores. Sessenta por cento dos CIOs esperam adotar as tecnologias blockchain de alguma forma nos próximos três anos, segundo David Furlonger, analista do Gartner. O pesquisador estima que a blockchain alcançará a adoção convencional até 2023, ajudando o movimento global e rastreando US$ 2 trilhões em bens e serviços anualmente.

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Dilema de controvérsia

Buffaloe, que experimentou aplicativos cognitivos e automação de processos robóticos (RPA) em cargos anteriores durante os seus 13 anos na IBM, em 2018, decidiu explorar se a blockchain poderia ser aplicada às questões da força de trabalho da companhia. A empresa já havia trabalhado com grandes equipes para validar as faturas dos fornecedores, o que exigia muito papel e custava em média US$ 21 por fatura.

Incompatibilidades decorrentes de erros de entrada de dados geram bloqueios das faturas, o que as equipes de resolução de disputas devem resolver com os fornecedores. A correção dessas transações é uma tarefa complexa que custa entre US$ 250 e US$ 1 mil, já que a IBM e os fornecedores mantêm os seus próprios sistemas para pedidos e folhas de ponto, que acompanham horas de trabalho, custos e outras variáveis.

Em 2017, aproximadamente 10% do total de faturas da IBM para serviços técnicos foram bloqueadas e exigiram trabalho manual para a resolução de disputas. E as multas por atraso no pagamento somaram aproximadamente 1,5% dos gastos anuais, por conta de erros e despesas gerais associadas ao processamento da correção. Para além do tempo, os custos e os recursos envolvidos, a reconciliação de faturas leva ao atraso no pagamento, o que gera pressão e ansiedade nos colaboradores da IBM e seus fornecedores.

"E se a IBM pudesse usar a sua tecnologia blockchain para automatizar a manutenção de registros de mão de obra da cadeia de suprimentos?", questionou Buffaloe.

Reconciliação via blockchain

O Contingent Labor no IBM Blockchain é uma solução composta pela Hyperledger Fabric e Blockchain Platform da IBM, um aplicativo de registro digital que permite que os fornecedores enviem faturas e pedidos de compra. Cada transação entre os participantes da rede blockchain é armazenada digitalmente para garantir a autenticidade e criar consenso sobre as transações.

Como é típico das soluções blockchain, o livro razão é imutável e não pode ser alterado unilateralmente, o que significa que todas as partes da transação podem confiar nele como a única "fonte de verdade", eliminando erros que desencadeiam disputas e correções caras.

O software inclui lógica compartilhada de "contrato inteligente", garantindo que as regras dos negócios sejam aplicadas. Por exemplo, as regras garantem que o tempo trabalhado pelos contratados nunca exceda o valor disponível em um pedido de compra. As condições de pagamento também são incorporadas à lógica do contrato inteligente e usadas para gerar automaticamente notificações de faturas sobre as contas a pagar e a receber, com base nos horários aprovados armazenados na blockchain. Isso elimina a necessidade de emitir a fatura por parte do fornecedor e a necessidade de validá-la pelo comprador.

Para a IBM, a solução, que recebeu o prêmio IDG 2020 FutureEdge 50, honrando aplicativos de tecnologias emergentes, garante a conformidade com as condições de pagamento e elimina faturas e disputas bloqueadas, ao mesmo tempo em que reduz o tempo do ciclo para integração e custo. Também reduz pela metade o tempo necessário para a contratação de um prestador de serviços.

A IBM está preparando a solução para uma implementação global em 2020 e trabalhando para comercializá-la, de acordo com Buffaloe.

Grande demais para falhar?

O Contingent Labor não é a primeira solução da IBM em blockchain. Em 2017, a companhia lançou o Food Trust, uma divisão de blockchain que acompanha a cadeia de suprimentos de alimentos. Em 2018, a IBM fez parceria com a Maersk no TradeLens, um sistema de blockchain para remessas globais.

Apesar de todos os esforços, a promessa da tecnologia não acompanha o seu hype.

Em outubro, o Gartner considerou a blockchain como uma "calha de desilusão", citando que há um interesse cada vez menor na tecnologia por conta das falhas nos experimentos. Avivah Litan, analista do Gartner, espera que a blockchain comece a sair dessa situação até 2021, com a ressalva de que não poderá transformar os ecossistemas de negócios até 2028. Para Litan, as empresas devem abordar preocupações sobre como os usuários interoperarão com parceiros que utilizam diferentes blockchains.

Na visão de Buffaloe, a blockchain está seguindo um caminho semelhante a toda tecnologia emergente: excitação inicial que estimula um chavão de marketing, seguido por adoção cautelosa, com uma aceleração gradual em meio a um sucesso incremental. "Leva muito tempo para entender a tecnologia e ajustá-la aos processos de negócios", finaliza o especialista.

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