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Atenção ao mindset colaborativo do Blockchain

Compartilhar para somar é o futuro

Julio Carvalho *

04/01/2017 às 17h58

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Blockchains não são apenas uma tecnologia disruptiva. Eles representam um novo mindset colaborativo e de open source que
o mercado está abraçando rumo à Quarta Revolução Industrial. Ainda em
fase de amadurecimento, a tecnologia transformará o jeito como
informações são trocadas, focando primordialmente na experiência do
usuário e abrindo um sem-fim de novas possibilidades.

Se
você ainda não sabe o que são Blockchains, talvez seja mais fácil
começar com uma breve lembrança da aula de ciência. Quando o nosso corpo
está em formação, antes mesmo de nascermos, as células sofrem dois
tipos de processos de divisão. Focaremos em um deles, a Mitose,
constante divisão celular que produz novas células para o crescimento,
reparação e substituição geral das mais antigas, no qual uma célula
somática se divide em duas novas completas que são idênticas à
original. Assim, copiando-se e multiplicando-se de maneira extremamente
rápida, crescemos e vivemos.

Agora
podemos voltar para Blockchain, uma tecnologia nem tão recente, mas que
anda recebendo muitas novas atribuições de uso. Criada em 2008 para
Bitcoins, está sendo pesquisada e testada principalmente pelo mercado
financeiro, mas logo poderá ser aplicada a todos os segmentos,
revolucionando a maneira como trocamos qualquer tipo de informação.
Blockchains têm potencial para substituir cartórios inteiros, assinar
direitos autorais eletronicamente e até assegurar votações eletrônicas.

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Blockchain
é a melhor forma de transferir dados sem que sejam copiados, isto
porque já parte do princípio que estes são públicos. Por isso, uma das
grandes vantagens desta tecnologia é a transparência. As informações são
compartilhadas inúmeras vezes dentro de blocos que se somam uns aos
outros, formando cadeias, e podem ser acessadas e editadas
simultaneamente por todos, tornando transações muito mais rápidas.

É
também mais seguro, já que não há um centro controlador que um hacker
possa atacar. Para alterar uma informação seria necessário alterar todas
as repetições dela, o que é possível, mas improvável. Seria como tentar
reconfigurar um ser humano, mudando simultaneamente todas as células de
seu corpo.

As
informações do Blockchain são criptografadas e podem ser acessadas por
meio do uso de chaves públicas ou privadas (uma longa série de números
gerados aleatoriamente), que se tornam o endereço do usuário no
Blockchain, rastreando seu uso das informações.

Ele
usa registros distribuídos de duas formas: ou cada usuário tem sua
própria cópia de todos os registros, ou usuários pedem permissão para
ter partes das informações – no caso de dados sensíveis.

Sem
centralizadores, não há necessidade tampouco para um viabilizador de
processos, o famoso ‘homem do meio’. Uma transação financeira entre
países, por exemplo, seria feita de maneira mais rápida e barata.

Larry
Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, explicou bem
quando fez uma alusão a máquinas de fax, que, sozinhas, não serviam para
nada. Só passaram a fazer sentido quando muitas empresas começaram a
usa-las, para conversar entre si. Blockchain funciona assim, o mercado
precisa adota-lo para que faça sentido e revolucione a maneira como nos
relacionamos com informações.

Amplamente
testada em Bitcoins, com sucesso comprovado, a lógica do Blockchain faz
perfeito sentido, basta que o mercado consiga alterar um antigo costume
de trancar informações a sete chaves. Compartilhar para somar é o
futuro.


(*) Julio Carvalho é diretor de Pré-vendas de Segurança e API Management da CA Technologies para América Latina

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