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As organizações e o apoio à igualdade

Os papéis de gênero governam as oportunidades e os desafios no ambiente profissional. Na área de tecnologia, as distâncias são ainda mais explícitas

Maria Celeste Frascaroli *

08/03/2019 às 6h17

Foto: Shutterstock

Há uma lacuna econômica e cultural entre homens e mulheres: um vasto espaço em que os papéis de gênero governam as oportunidades e os desafios no ambiente profissional. Na área de tecnologia, as distâncias são ainda mais explícitas. Embora haja cada vez mais demanda e sejam geradas mais funções alinhadas com as carreiras em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (disciplinas STEM), a população de mulheres que decide seguir essas carreiras não reflete isso.

De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Girl Scout, 81% das adolescentes manifestam interesse em seguir carreiras STEM, mas somente 13% as consideram como suas primeiras opções. Da mesma forma, na Argentina, meu país de origem, as estatísticas levantadas pela Chicas en Tecnología e pela Medallia revelam que somente 16% dos inscritos em cursos relacionados à programação são mulheres.

Mas não há motivos para nos sentirmos assim e é bom lembrar que a inteligência, as habilidades, o talento e a capacidade não distinguem o gênero. Hoje, a indústria procura abrir as portas e se adaptar para ajudar, assim, as mulheres a entrar nesse competitivo mercado de trabalho e a se tornarem futuras líderes em tecnologia com total igualdade de condições que os homens.

Cada vez mais organizações estão implementando importantes transformações. Mulheres do mundo todo contam hoje com o apoio de instituições como a Women Who Code ou a Laboratoria. A primeira é uma ONG cuja missão é ajudar a criar um mundo onde as mulheres sejam representadas proporcionalmente como líderes técnicas, executivas, fundadoras, investidoras, diretoras de conselhos e engenheiras de computação. A segunda, uma startup latino-americana que recruta jovens mulheres com talento em tecnologia e lhes dá acesso à educação e, posteriormente, ao trabalho no setor digital. A organização ajuda suas alunas a triplicar a renda que possuíam antes de entrar no programa.

Na Argentina também se destaca a Chicas en Tecnología, cuja meta é formar uma nova geração de mulheres inovadoras e desterrar os estereótipos profissionais que durante tanto tempo afastaram as adolescentes das carreiras ligadas a STEM.[1]

Muitas empresas também estão fazendo da igualdade de gênero sua prioridade. Marc Benioff, Co-CEO da Salesforce, investiu entre 2015 e 2017 mais de oito milhões de dólares para eliminar uma lacuna salarial detectada entre seus funcionários de sexos diferentes. Em reconhecimento à sua cultura organizacional inclusiva e diversa, a Fortune e a Great Place to Work elegeram a Salesforce como a empresa com o melhor ambiente laboral para mulheres em 2018.

Cada vez mais empresas percebem também que a liderança não distingue os gêneros. Em um caso histórico, outro de nossos parceiros, a Zendesk, decidiu incorporar três mulheres muito destacadas em seu Conselho Diretor pouco antes de lançar seu IPO em 2014. Assim, a sua equipe de direção de sete pessoas passou a ser formada por quatro homens e três mulheres.

Na Aivo, oferecer as mesmas oportunidades para homens e mulheres é um compromisso desde o primeiro dia. Por sermos uma empresa global de tecnologia e inovação, queremos dar o exemplo. Procuramos equilibrar nossa equipe e promover uma cultura que reconhece o mérito, sem distinção de gêneros. 45% da nossa equipe é formada por mulheres e 41% dos cargos de direção ou líderes de área são ocupados por elas. Além disso, a companhia oferece programas de formação para todos aqueles que querem potencializar suas carreiras, sem distinção, e licença estendida de paternidade.

Como continuar promovendo a mudança?
Com a diversidade, todos ganham: funcionários e empresas. A soma de diferentes habilidades, conhecimentos, personalidades e experiências permite uma melhor compreensão dos diversos segmentos do mercado e dos interesses dos consumidores. O respeito pela pluralidade e a extinção de estereótipos também enriquecem o ambiente de trabalho e as relações entre os funcionários. Além disso, um estudo conduzido pelo Center for Creative Leadership e pela Watermark revela que as organizações com um elevado percentual de mulheres apresenta uma maior satisfação no trabalho, maior dedicação dos funcionários e menor risco de burnout (esgotamento). E tudo isso se traduz em uma melhora significativa da produtividade.

A discriminação e o preconceito não fazem nada além de aumentar as tensões e alimentar um ambiente laboral e social que não fortalece as empresas. Trabalhar pelo respeito, reconhecer as diferenças e promover a diversidade são os primeiros passos.

Para colocar ambos os sexos em igualdade de condições no ambiente laboral, a mudança deve começar por nós. É necessário romper os estereótipos de gênero e tomar consciência dos papéis naturalizados que seguimos inconscientemente.

Quando entrei para a equipe de desenvolvimento da Aivo, em 2015, eu era a única mulher. Ali aprendi a trabalhar constantemente entre homens, adaptando-me, e eles sempre me respeitaram. Hoje, quase 20% da equipe é de mulheres, com planos para aumentar ainda mais nossa participação.

Pessoalmente, sinto-me feliz de trabalhar em tecnologia, onde estamos criando coisas novas o tempo todo. Cada indivíduo contribui de forma única para este setor, independentemente de seu gênero. A verdade é que hoje as mulheres estão ganhando o lugar que merecem na tecnologia, não pelo fato de serem mulheres, mas graças às suas habilidades adequadas para o cargo que ocupam.

Na Aivo, todos compartilhamos a mesma paixão, e a diversidade faz que tenhamos um estilo próprio, com a contribuição que cada um oferece e o modo como os membros da equipe lidam com cada desafio. Isso enriquece e estabelece um marco de trabalho colaborativo, onde todos aprendem continuamente com suas fortalezas e fraquezas.

(*) Maria Celeste Frascaroli é chefe de produto da Aivo

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