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Aquecimento do mercado cria vácuo de consultores

CIOs têm que lidar com a mudança de consultores na metade dos projetos, com os risco de atraso causado por essa movimentação e até com o estouro do orçamento

Marina Pita

18/04/2008 às 19h07

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A vida dos CIOs, especialmente aqueles de empresas localizadas fora do eixo Rio-São Paulo, está se tornando ainda mais complicada nos últimos doze meses. O aquecimento da economia e, conseqüentemente, do mercado de tecnologia da informação tem aumentado a demanda por consultorias e inflacionado o custo dos projetos.

“O impacto desse aquecimento é o risco de não entregarmos o serviço adequado aos nossos usuários,e também a elevação das possibilidades de fracasso quando implantamos projetos com o auxílio de consultorias externas,” afirma Renato Pereira e Souza, gerente de sistemas da Caramuru.

O assédio aos consultores diante do aumento da procura faz com que alguns deles aceitem propostas em meio a uma implantação. O projeto de upgrade do sistema SAP da Aracruz Papel e Celulose, por exemplo, acabou correndo risco de não ser concluído a tempo justamente por esse motivo. Diante da situação, Mario Dobal Teixeira Neto, CIO da companhia, decidiu contratar mais gente e garantir que o prazo fosse respeitado. O resultado, porém, foi uma elevação de 10% no orçamento inicial.

Teixeira Neto, que deve iniciar um grande projeto de revisão do sistema da área florestal da Aracruz no segundo semestre está temerário: “Estou um pouco receoso, antevemos dificuldade e aumento do custo das consultorias.”

No caso de Marcos Pelaez, CIO da CSN, a situação é ainda mais complexa. O setor de mineração e siderurgia vive um momento de aquecimento como há muito anos não se via. O reflexo em sua equipe, porém, não tem sido positivo. “Está ocorrendo muita troca de recursos humanos entre as empresas desse setor e faltando mão-de-obra qualificada, apesar da preocupação das empresas com certificação de pessoas,” aponta ele.

Localizada no Rio de Janeiro, a área de TI da CSN sofre também com a concorrência com a Petrobrás em busca de consultores. “É uma empresa enorme, que acaba sugando boa parte da mão-de-obra qualificada, seja por meio de concurso público, ou pessoas que criam suas empresas e prestam serviço terceirizado,” lamenta Pelaez.

Longe do eixo de maior movimento, a TI da Caramuru, porém enfrenta outro problema: a redução do assédio das consultorias que acabam preferindo projetos de menor custo logístico. “Em épocas de aquecimento do mercado as consultorias optam pelos projetos com melhor logística e, naturalmente, melhor rentabilidade. Se o mercado nas capitais está aquecido é natural que os profissionais de consultoria prefiram trabalhar próximos às suas residências,” aponta Renato Souza.
 
Segundo ele, “os profissionais sênior acabam obtendo alguns privilégios de suas companhias, podendo em alguns momentos optar pelos projetos mais convenientes geograficamente”. Para contornar essa questão, “cabe aos gestores do interior fazer uma seleção rigorosa dos consultores, analisando as experiências anteriores, e verificar principalmente se o perfil do profissional é adequado à cultura da empresa, pois em alguns projetos o consultor acaba convivendo meses.”

Para os que pensam que esse problema será logo resolvido, Souza, da Caramuru, sentencia: “Acredito que o mercado está e continuará aquecido por muito tempo. Penso que a solução é formar mão de obra. Formar internamente os talentos que se destacam e incentivar as faculdades a formar novos profissionais oferecendo oportunidades de contratação para os alunos”.

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