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AI lidera padronização de cortes bovinos na Premium Foods

Iniciativa leva o CIO da empresa, Marco Fain, a sair vencedor no Executivo de TI do Ano 2019, categoria Indústria de Alimentos e Bebidas

Déborah Oliveira

20/03/2019 às 21h44

Foto: Divulgação

Logo cedo, aos 15 anos, Marco Fain, CIO da Premium Foods, iniciou sua jornada em TI. À época, seu direcionamento era mais técnico, uma base importante quando ingressou na faculdade de Ciência da Computação. Com o passar dos anos, ganhou habilidades fundamentais para sua trajetória como gestor. Hoje, são 17 anos no ramo alimentício, no qual se especializou.

“Trabalhar em TI é um aprendizado diário. É uma grande escola e eu gosto muito desse lado, pois me dedico sobremaneira ao aperfeiçoamento”, revela o vencedor do prêmio Executivo de TI do Ano 2019, promovido pela IT Mídia, na categoria Indústria de Alimentos, Bebidas e Fumos.

Adepto da colaboração, especialmente com pares das áreas de negócios, Fain acredita que sozinho não se pode chegar longe. Com um time enxuto de 13 pessoas, e 3 mil clientes internos, contar com uma equipe engajada e competente, portanto, é a chave do sucesso. “Não tenho simplesmente profissionais de TI, tenho talentos altamente conectados aos negócios. São analistas de negócios”, diz.

Para que todos os projetos sejam bem-sucedidos, a TI aposta em metodologias ágeis e em parceria com startups para dar mais ritmo às inovações propostas aos negócios. Essas duas frentes foram amplamente usadas em um projeto desenvolvimento recentemente pela área, que buscava usar inteligência artificial (AI) para padronizar cortes bovinos, adequando de forma autônoma o atendimento a contratos específicos de clientes.

A Premium Foods atua essencialmente com a exportação de carne bovina e um dos seus desafios era identificar adequadamente o peso do corte de picanha, que varia de 1,4 Kg a 700 gramas. Alguns clientes, contudo, só aceitam até 1 Kg por peça, com uma capa mínima de gordura, por exemplo. A solução usada pela empresa até então identificava com acurácia o peso, mas os detalhes de gordura demandavam crivo humano.

A TI, então, buscou uma solução para automatizar todo o processo. O uso de TI, mais especificamente de Machine Learning, criou padrões para cada corte bovino, de acordo com as diretrizes estipuladas pelos clientes, possibilitando identificar com mais assertividade falhas que poderiam passar despercebidas pela avaliação humana, evitando etapas de reavaliação. “São detalhes críticos. Nossos clientes são bem exigentes e qualquer peça fora do padrão implicava em devolução”, lembra.

Em linha com startups

Fain relata que todo o projeto foi concebido em um mix de desenvolvimento interno e trabalho em parceria com duas startups, que não tiveram seus nomes revelados. “Existem muitas soluções de mercado com a promessa de identificar coisas por meio de IA, mas para nós foi difícil encontrar parceiros que realmente conseguiam entregar isso. Com as startups chegamos onde queríamos”, afirma.

Todo o processo consumiu 13 meses e, atualmente, o processo está em produção em uma das fábricas da Premium Foods. Com o sucesso da iniciativa, a expectativa é de ampliação para outras unidades.
Na visão de Fain, projetos de inovação como esse são capazes de renovar as energias do time e prepará-los para desafios ainda mais instigantes. “Esse foi um fator positivo para a equipe”, compartilha.

AI na linha de frente

Com o projeto, Fain destaca inúmeros benefícios. Entre eles, o aumento de vendas para mercados específicos, devido a garantia de entrega de produtos devidamente categorizados pelo sistema. Houve ainda redução de custos de reprocesso/reavaliação de cortes e custos logísticos de devolução por erro de padrão reduzidos a praticamente zero.
“Possibilitou também inserir no mercado produtos de extrema qualidade, com padrão definido por mercados/clientes com nível de exigência muito altos, diferenciando-nos no mercado frente aos concorrentes”, comenta.

Segundo ele, clientes externos certificaram a padronização, evidenciando menores prazos de entrega e melhoria na qualidade do produto, aumentando o número de pedidos e eliminando problemas de devolução.

Já os clientes internos, os funcionários envolvidos no processo, obtiveram maior qualidade na operação, com garantias de padronização, possibilitando melhor aproveitamento do tempo para atividades de alto rendimento.

“TI hoje não tem mais papel secundário. É essencial para qualquer negócio. A partir do momento em que conduzirmos um projeto desse porte, nos tornamos mais estratégicos, sim”, finaliza o executivo, que já arregaça as mangas para o próximo desafio: o de aprimorar a rastreabilidade dos alimentos usando tecnologia.

Finalistas do prêmio Executivo de TI do Ano 2019 – Indústria de alimentos, bebidas e fumos

1º Marco Fain, CIO da Premium Foods

2º João Paulo Oliveira, coordenador de TI da ISIS

3º Cristina Augusto, CIO da Aryzta

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