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Agricultura digital transforma operação da Bevap e inova setor

Fábio André Ramos, gerente de Tecnologia e Inovação da usina, renovou a TI, inspirou nova cultura e conquistou o título de Executivo de TI do Ano 2019

Solange Calvo

20/03/2019 às 21h30

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Formado em Ciência da Computação e Engenharia de Software, Fábio André Ramos, gerente de Tecnologia e Inovação da Bevap (Bionergética Vale do Paracatu), ingressou há cinco anos na usina de etanol, açúcar e cogeração de energia elétrica com a missão de contribuir com sua evolução tecnológica para gerar redução de custos operacionais e ampliar a eficiência.

Localizada em Minas Gerais, com pouco mais de dez anos de mercado, na medida em que foi crescendo, segundo Ramos, a Bevap adotava tecnologias sem muito planejamento, de acordo com a necessidade do momento. “Por isso, meu desafio assim que cheguei era fazer a TI funcionar. Colocar a casa em ordem para atingir objetivos de reduzir custos operacionais e ampliar a eficiência”, diz o executivo, que reuniu esforços para preparar a equipe existente.

Nesse processo, que tradicionalmente envolvia a contratação de profissionais residentes em outros estados, especialmente São Paulo, Ramos quebrou paradigmas e defendeu a capacitação de pessoas da região.

“Esses profissionais logo abandonavam a usina para retornarem às suas origens. Então, passamos a investir no talento regional, os capacitamos e deu certo. Hoje, 80% minha equipe está comigo desde quando ingressei. Essa postura gerou muito respeito e confiança à equipe e estes foram meus principais ganhos”, revela.
Segundo ele, essa filosofia acabou permeando nos últimos três anos todos os departamentos da empresa, além da TI, que passaram a contratar talentos da região. “A estratégia levou a formação dessa nova cultura.”

Inovação no DNA

Um ponto diferencial da Bevap, ele diz, é a forte de inovação em seu DNA. “O presidente é muito focado em inovação e tecnologia. Esse apoio é vital para evoluir e simplificar a implementação de projetos novos, melhorias e ganhos de produtividade. Em nosso mercado de atuação, muitas empresas concorrentes não têm essa vantagem de incentivo do board. Penso que a maioria das usinas não tem ideia do ganho que pode obter com o uso da tecnologia. Estamos à frente.”
Esse gosto pela tecnologia e a missão de colocar a Bevap na trilha da Agricultura Digital, levaram Ramos a conquistar o prêmio Executivo de TI do Ano 2019, na categoria Agronegócio e Serviços Relacionados.

Agricultura digital

Os motivadores para a realização do projeto Agricultura Digital, concluído em outubro de 2018, foram redução de custos operacionais, aumento de eficiência, ganho de produtividade, segurança e confiabilidade de informações. Para alcançar esses objetivos, foi necessária a integração de diversas inovações como uso de IoT, machine learning, inteligência artificial (IA), Big Data, cloud computing, BI e sensoriamento.

“Dividimos o projeto em três frentes importantes em que a tecnologia proporcionou a disruptura dos processos existentes em janeiro de 2018 para trazer os benefícios esperados, no trajeto da cana até a usina”, relata.

Na etapa Colheita e Transbordo, foram instalados nas colhedoras e tratores transbordo, computadores de bordo e tecnologias como IoT, machine learning e sensores. Os recursos possibilitaram a comunicação entre colhedoras e tratores (M2M), sem uso de link de internet ou operadoras.

Por meio das tecnologias, os equipamentos aprendem e fazem cálculos e usam inteligência artificial IA) para agilizar tomadas de decisão durante a operação. “Antes, as colhedoras trabalhavam ao lado dos tratores para que eles recolhessem a cana. Quando enchia o trator, era necessário parar e iniciar todo o processo para a chegada de um novo”, descreve, acrescentando que essa logística era demorada e resultava em uma espera de cerca de duas horas. No final do dia, deixava-se de colher 80 toneladas de cana.

Com o projeto, tanto a comunicação quanto o processo passaram a ser automáticos e sincronizados. Ao atingir 80% da sua carga com a cana, todas as máquinas recebem alertas em seus painéis, ampliando a produtividade. Além disso, foram eliminados processos manuais morosos e erros nos apontamentos das informações. Os dados puderam ser acessados em real time, agilizando tomadas de decisão.

O Transporte é a segunda fase do projeto, em que o sistema de logística adotado usa algoritmos de machine learning e AI para fazer os despachos e a otimização de todos os caminhões, equipados com computadores de bordo turbinados com AI e machine learning.

O caminhão, responsável por transportar a cana até a usina, ao se aproximar do trator transbordo troca informações por meio de sensores sobre local (fazenda, pivô, talhão) da colheita – a colhedora que fez aquela colheita, o operador, número de ordem de corte e demais dados. O sistema de logística usa IA para decidir pela melhor rota, alocação e destino sem intervenção humana o que permite a solução ótima para o processo logístico.

“Antes, o nosso centro de controle disparava os caminhões por meio de rádio, tornando lenta a logística. Com a automação, esse mesmo pessoal de controle agrícola possui um painel em tempo real com todas as informações em tempo real, eliminando a defasagem entre três a quatro dias para acessá-las”, destaca Ramos.

Assim que o trator está carregado, o sistema aciona o caminhão para se deslocar para pegar a cana, otimizando a logística por meio de IA, que dispara o deslocamento e direciona o caminhão de acordo com a demanda. Ao chegar à usina, todas essas informações são transferidas automaticamente para o servidor.

A terceira é a Certificado Digital de Cana (CDC), que eliminou o preenchimento manual de guias da cana. Hoje, as informações da trilha da cana desde a sua origem são passadas automaticamente dos computadores para os servidores da usina assim que o caminhão chega na balança de cana. “É possível fazer todo esse rastreamento com muita rapidez e facilidade.”

Em destaque no setor

Entre os benefícios proporcionados pelo projeto estão aumento de eficiência de colheita com ganho de 80 toneladas/dia por máquina, redução do consumo de diesel em 20%, melhoria na eficiência logística, redução do número de caminhões e criação de um Centro de Operações Agrícola, que fornece informações importantes aos gestores e à operação. O executivo revela que o projeto Agricultura Digital, que se pagou em oito meses, foi diferenciado e resultado de um trabalho intenso de dez meses.

“A iniciativa envolveu mudança de cultura, evangelização, capacitação de pessoas, e forte parceria com as áreas de negócio – pares agrícolas e industrial e de controle de gestão da inovação, além dos profissionais que integram o comitê de inovação permanente com pessoas de diversas áreas”, diz o Executivo de TI do Ano, na categoria Agronegócio e Serviços Relacionados, para quem a Bevap, com esse investimento no digital, está à frente da concorrência no setor.

Finalistas do prêmio Executivo de TI do Ano 2019 – Agronegócio e Serviços Relacionados

1º Fábio André Ramos, gerente de Tecnologia e Inovação da Bevap

2º Odércio Claro, CIO da Yara Brasil Fertilizantes

3º Luciano Lance, gerente de TI da Adama Brasil

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