Home > Tendências

Adoção de APIs como objetivo estratégico avança entre empresas brasileiras

Setores financeiro, de seguros, varejo e TICs são os que mais investem em APIs para viabilizar transformação digital, aponta Sensedia

Da Redação

05/06/2019 às 16h27

Foto: Shutterstock

O investimento em APIs como forma de integrar parceiros e clientes tem despontado como um objetivo estratégico adotado por médias e grandes empresas no Brasil. Segundo o estudo “O Estado das APIs”, feito pela Sensedia, em parceria com a PwC, 77% das companhias ouvidas utilizam APIs externas para criar um ecossistema de negócios.

Realizada ao longo de 2018, a pesquisa ouviu 150 pessoas de 130 dentre as maiores empresas brasileiras para entender quais as principais estratégias de utilização de APIs, o nível de maturidade em que os projetos se encontram e o impacto dessas práticas nos negócios digitais de diferentes segmentos.

De acordo com o estudo, outros objetivos estratégicos também estão na pauta das empresas quando o assunto é APIs:

  • 50% esperam conseguir integrar e agilizar processos internos;
  • 80% das médias e 50% das grandes empresas querem expandir a proposta de valor dos produtos e serviços;
  • 60% planejam iniciar um ecossistema ou aumentar a quantidade de parceiros integrados;
  • 45% das médias e 57% das grandes companhias veem como importante a utilização das APIs para o fomento à inovação.

Esses dados reforçam a importância das APIs, não somente como questão tecnológica, mas também como habilitadoras-chave para novos negócios digitais e inovação. Ainda assim, a geração direta de receitas é pouco explorada: somente em 40% das médias e 29% das grandes corporações, concluiu o estudo.

Marcílio Oliveira, COO da Sensedia, enfatiza que “mais do que um padrão para integrações internas, as APIs permitem alcançar novos canais, monetizar dados e serviços, proporcionar experiências digitais e omnichannel, desenvolver ecossistemas de parceiros; e impulsionar a inovação, facilitando a experimentação e a criação de MVPs, a redução do time to market, assim como a colaboração por meio de iniciativas de open innovation”.

A pesquisa da Sensedia mostra que, embora 87% da demanda por APIs ainda venha da área de TI, a participação das áreas de negócios aumentou, principalmente canais, marketing, vendas, inovação e operações.

Os investimentos em APIs também devem aumentar, tendo em vista que 76% das empresas ouvidas disseram ter planos nessa direção. Além disso, 95% disseram que a quantidade de APIs em produção aumentou e 54% já estão com várias APIs em produção, criando um roadmap mais consistente. Em contrapartida, a maior parte das empresas não possui um modelo de negócios específicos para as APIs (48%), ou apenas visa resultados indiretos, como obter um diferencial de produto ou alcançar mais canais (46%).

Quatro setores lideram a adoção de APIs

Há setores em que a utilização de APIs se mostra mais madura e ganhando escala, como nas áreas financeiras, TICs (software, TI e telecom) e e-commerce. Mas já é possível observar um movimento em outros mercados também afetados pelo imperativo da transformação digital, como é o caso das empresas de saúde, educação e transportes, principalmente visando melhores experiências digitais para seus clientes e oportunidades na integração com parceiros.

A área financeira se destaca pela utilização de tecnologias avançadas, com processos e estratégias bem definidas e arrojadas. “As regulações, como a PSD2 para os bancos europeus, têm incentivado o uso das APIs. Soma-se a isso, a possibilidade de colaboração – e não somente competição – com fintechs, o que fortalece a tendência de disponibilizar APIs para aplicação de modelos de banking-as-a-service e de open banking”, explica Marcílio. No Brasil, a Cielo, a Elo, o Tribanco e a Portocred são exemplos de empresas do setor que têm transformado seus negócios graças ao investimento em APIs.

No caso do segmento de seguros, a pesquisa identificou que a principal motivação para implementação das APIs tem sido a busca por agilidade e inovação, integrando sistemas legados com tecnologias disruptivas (principalmente inteligência artificial, analytics, mobile e IoT), compondo serviços com parceiros, conectando-se com grandes clientes e corretoras, ampliando canais e fazendo pilotos para novos produtos, como por exemplo seguros on-demand e microinsurance. Foi o que fez, por exemplo, a seguradora SulAmérica, que conseguiu gerar mais agilidade na entrega de serviços em diversos canais digitais e criar produtos sob medida.

Competição entre ecossistemas

Por sua vez, as empresas de TICs perceberam que a competição não é mais entre produtos, mas sim entre ecossistemas. Por isso, utilizam APIs para integrar-se a ecossistemas existentes ou desenvolver o seu próprio; além de enriquecer funcionalidades de seus produtos e compor novos negócios (apps, plataformas, data products, api-as-products, etc). Mas apesar deste ser o setor que trabalha há mais tempo com APIs, a maioria das empresas prefere desenvolver suas soluções internamente, o que requer um tempo maior para alcançar estágios mais maduros.

Por fim, para e-commerces e varejistas a principal preocupação está em usar as APIs para chegar a novos canais, ampliar as fontes de receitas, integrar-se a marketplaces ou posicionar a si próprios como um, bem como agilizar o onboard de parceiros. Além disso, as empresas desse setor têm se preocupado em possibilitar uma jornada omnichannel e buscam novas maneiras de melhorar a experiência de seus clientes.

Um caso interessante de uso de APIs entre varejistas é o da Rede Panvel de farmácias, que trabalha com o conceito de omnicanalidade e, com isso, consegue oferecer uma experiência integrada. Eles têm vários canais digitais, integrados na mesma base, por meio de APIs. Com isso, conseguiram ganhar eficiência operacional e expandir sua atuação.

O estudo mostra que no caso das TICs, grande parte dos casos de uso com APIs são relacionados ao desenvolvimento de aplicações (69%). Enquanto que no setor de varejo, chama a atenção os poucos casos de uso de APIs em integrações com parceiros e clientes (50%), mesmo em um cenário de popularização dos marketplaces.

Maturidade técnica das equipes é a principal barreira

Quando o assunto é implementação de APIs, a segurança é considerada o item mais importante, com 95 pontos. Em seguida estão escalabilidade, com 91 pontos e insights para os negócios, com 89 pontos. No entanto, a principal barreira é a maturidade técnica das equipes, mencionada em 52% das respostas.

Outro ponto interessante mostrado pelo estudo, é que falta de orçamento (7%) e falta de apoio dos superiores (5%), foram pouco mencionados, indicando que as lideranças das empresas respaldam a implementação de APIs em seus negócios.

Time-to-market acelerou

Segundo o estudo da Sensedia, o time-to-market, que é o tempo desde a concepção de uma API até o lançamento para o mercado, acelerou. Em 2018, 49% dos respondentes disseram que o time-to-market das APIs é de semanas, ou até dias, frente a 37% no ano anterior.

Entretanto, a pesquisa ressalta que o foco em lançar rapidamente, mas de forma desestruturada, não alimenta a métrica que realmente importa, que é o time-to-value (valor esperado para os negócios). "As APIs bem-sucedidas serão aquelas que atenderão a estratégia da empresa da melhor forma possível. Num mundo em que todas as empresas são ou serão negócios digitais, o envolvimento de TI com áreas de produtos e canais passa a ser must-have no desenho da estratégia e operação", reforça a Sensedia.

 

 

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail