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6 soft skills que a TI precisa para ter sucesso na era digital

Empatia, visão, consultoria, marketing, comunicação e mente questionadora. Estas são habilidades indicadas para você desenvolver e se destacar

Mary K. Pratt, CIO.com

06/07/2019 às 10h59

Foto: Shutterstock

Com o avanço das transformações digitais, muitas organizações estão percebendo que necessitam de profissionais com habilidades específicas para dar conta das novas tecnologias. De acordo com pesquisas recentes do Gartner, 70% dos funcionários não possuem os conhecimentos para a execução de seus trabalhos, enquanto 80% não estão preparados para um futuro bem sucedido.

Além disso, apenas 44% dos mais de 2,5 mil CIOs entrevistados em um estudo da Robert Half Technology afirmaram que seus departamentos de TI têm profissionais adequados. Para 77%, é difícil encontrar pessoas com habilidades tecnológicas atualizadas. No mesmo sentido, 38% das empresas participantes de um levantamento da Nintex responderam que as iniciativas de digitalização não atendem às expectativas pela falta de talentos.

Pensando em solucionar esses problemas, especialistas defendem que os executivos devem identificar as habilidades que suas equipes de TI precisam para alcançar transformações digitais de impacto. A PwC, por exemplo, tem um programa de "aprimoramento digital" para ensinar aos seus mais de 50 mil colaboradores tudo o que é necessário para que a empresa se mantenha competitiva.

“Nós reconhecemos que tivemos que capacitar as pessoas em toda a empresa de forma diferente, incluindo nossa equipe de TI, para sobreviver e prosperar. Tivemos que trazer todos, incluindo a nossa equipe de TI, para um nível compartilhado de conhecimento e conscientização digital”, afirma o diretor digital Joe Atkinson.

A PwC está aprimorando os conhecimentos de seus trabalhadores em fluência digital, análise de dados, inteligência artificial e robótica, assim como muitas outras organizações. Atkinson explica que essas são apenas algumas das habilidades fundamentais para o futuro. Os colaboradores também precisam identificar problemas, atuar de forma ágil e ter mentalidade focada no cliente.

As principais habilidades para a transformação digital são um conjunto diferente das demandas do passado, com características não tradicionalmente exigidas para os técnicos. Uma pesquisa global da Deloitte em 2018 descobriu que a criatividade, flexibilidade e inteligência emocional já são requisitos importantes.

As habilidades necessárias para a transformação digital, agora e nos próximos anos:

Visão geral

À medida que mais equipes de TI adotam metodologias de desenvolvimento ágeis para o gerenciamento de projetos, os CIOs precisam de profissionais que entendam como as suas contribuições beneficiam a empresa como um todo, afirma David Collins, vice-presidente sênior de TI do Addison Group. Essa mentalidade garante uma visão geral sobre o negócio, garantindo o funcionamento bem sucedido da organização.

Recentemente, Collins entrevistou um candidato que mostrou como ele ajudou a identificar as necessidades de empresas e criou aplicativos que atendiam a essas demandas.

Além disso, o profissional explicou o impacto que cada aplicativo teve nos negócios. "É esse tipo de talento que as empresas precisam", explica Collins, observando que, como resultado de suas capacidades, o candidato tinha diversas ofertas de emprego.

Empatia com o usuário

Para os líderes de TI, os profissionais bem sucedidos têm empatia com o usuário. "É entender o que o cliente precisa e como atender a essas necessidades", diz Dean Pipes, chefe de inovação da TetraVX. “É o design thinking que é empatia.”

Os consultores afirmam que os departamentos de TI precisam de colaboradores que não estejam apenas focados em responder aos usuários, mas que possam ser verdadeiramente centrados neles. “Eles precisam pensar na experiência do cliente. Você pode ser o melhor desenvolvedor que já existiu, mas se você não puder interagir e entender os clientes, não será tão valioso para a organização”, observa Ryan Sutton, presidente da Robert Half Technology.

Consultoria

Donagh Herlihy, vice-presidente e CTO da Bloomin Brands, explica que a TI precisa estar disposta a ajudar as organizações a desenvolver suas estratégias e a influenciar a tomada de decisões em investimentos digitais. Apesar dessa necessidade, Herlihy descobriu, mesmo dentro da Bloomin Brands, que os profissionais não oferecem suas opiniões durante as reuniões. "Há uma lacuna em termos da capacidade de influenciar, comunicar e consultar colaboradores de outras áreas e profissionais em níveis mais altos da hierarquia", diz o CIO.

Para o executivo, esse comportamento é remanescente das épocas em que a TI apenas atendia às necessidades dos negócios. Hoje em dia, no entanto, o setor precisa ajudar a definir a direção e o modo de pensar das empresas. "Precisamos de habilidades de consultoria", acrescenta o especialista.

Marketing e promoção

Quando a Deloitte questionou os CIOs sobre a percepção das empresas sobre os departamentos de TI, apenas 14% disseram que os colegas veem o setor de tecnologia da organização como líder de mercado. Já 87% afirmaram que a empresa os enxerga como seguidores rápidos, atrasados ou inadimplentes das soluções vistas na concorrência.

Apesar dessas percepções poderem ser consideradas corretas em muitos casos, Dan Roberts, CEO da Ouellette & Associates, diz que muitos líderes empresariais não dão crédito suficiente para as suas equipes de TI porque elas não sabem mostrar seu próprio valor. "A TI precisa melhorar em seu próprio marketing", defende Roberts.

Herlihy concorda, dizendo que esse é um aspecto que pretende trabalhar em seus próprios colaboradores.

“O pessoal de TI tende a não querer chamar a atenção, acreditando que se fizer um bom trabalho, o trabalho falará por si. É um dos poucos lugares nos negócios em que essa é a mentalidade padrão”, observa. “Mas promover o valor da TI não é algo egoísta; é ter certeza de que, à medida que entrarmos em discussões difíceis sobre recursos, a TI tem que ser entendida como uma função apreciada. Isso é importante porque, em um mundo onde a TI está impulsionando a transformação, estar sob alocação de recursos não coloca a TI em risco, coloca o negócio em risco.”

Comunicação

Com a equipe de TI liderando a transformação digital em muitas organizações, os CIOs esperam que os profissionais sejam capazes de gerenciar os colegas de trabalho durante as várias etapas que a empresa precisa passar. Como parte dessa necessidade, as equipes de TI não estão apenas presentes nas reuniões - elas, muitas vezes, são as protagonistas.

Para Sutton, esse cenário traz diversos pontos positivos. Um dos benefícios mais importantes é que a TI pode ouvir diretamente dos usuários as suas necessidades. Há mais comunicação direta e interações que levam a melhores informações sobre as demandas da empresa.

Para isso, no entanto, os profissionais encarregados de conduzir as interações devem aperfeiçoar suas habilidades de comunicação para ter sucesso. “Os executivos estão se afastando dizendo: 'Este é o seu projeto; você o apresenta. Então eles precisam saber como conduzir uma reunião, seja virtual ou pessoalmente. Eles precisam de habilidades de apresentação para que possam realizar um webinar ou uma teleconferência. Essa é uma habilidade completamente diferente do que você esperava que os técnicos tivessem entre três e cinco anos atrás”, declara Sutton.

Mente questionadora

As transformações digitais estão levando à criação de novas funções dentro das empresas. Os CIOs, analistas e consultores citam a necessidade contínua de mais especialistas em cibersegurança e em dados, bem como um crescente interesse em profissionais com habilidades necessárias para impulsionar tecnologias emergentes, como a inteligência artificial e as automações.

Pensando nisso, especialistas defendem que as empresas devem procurar profissionais de TI que tenham interesse e capacidade de aprender constantemente, para que a organização esteja melhor prepararada para acompanhar a evolução das tecnologias.

Roberts afirma que, hoje, as habilidades tecnológicas médias tem meia-vida de 18 meses. Isso significa que uma solução e os conhecimentos necessários para usá-la podem se tornar completamente obsoletos em poucos anos. Departamentos de TI não podem ter profissionais que desejam obter uma capacitação e passar anos a utilizando. As equipes precisam de membros que possam aprender e se adaptar rapidamente.

Atkinson diz que a PwC chama esse movimento de “aprendizado infinito”, explicando que a empresa mudou seus treinamentos de um dia inteiro em salas de reunião para vídeos e podcasts curtos que podem ser acessados sob demanda. “Essa é a maior habilidade para nós”, afirma, “o desejo de aprender o próximo assunto. Hoje, isso é muito mais importante do que nunca.”

 

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