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6 dores dos líderes na gestão de um produto digital

Problemas na comunicação, perdas financeiras, acessos simultâneos que derrubam a página… saiba quais são, e como evitar as principais dores

Bruno Abreu*

22/05/2019 às 12h52

Foto: Shutterstock

Desenvolver e manter um produto digital de alta confiabilidade, segurança e qualidade é um grande desafio para os líderes e gestores de TI. Isso porque a “guerra de foice” entre concorrentes, bem como as metas de vendas e a necessidade de constante evolução dos apps e sites (para que se atraia cada vez mais usuários), impactam diretamente na questão da qualidade. E, às vezes, a qualidade acaba sendo deixada de lado! No longo prazo, a ausência de uma estratégia focada na cultura de qualidade resulta em diversos problemas como perda de usuários e prejuízos financeiros, por exemplo.

Quer saber quais são as principais dores vivenciadas pelos gestores de TI durante a concepção e manutenção de um produto digital e o que fazer para evitá-las? Acompanhe abaixo:

1 – Problemas de comunicação ou entendimento sobre o produto

O Velho Guerreiro Chacrinha tinha razão quando dizia que “quem não se comunica, se trumbica”. E falhas de comunicação parecem ser a dor número um dos gestores quando o assunto é desenvolvimento ou evolução de um produto digital.

Qual é o objetivo do projeto? Quais são as necessidades do cliente? O gerente de TI coordena os desenvolvedores, mas a informação do que deverá ser feito no produto muitas vezes vem dos Product Owners (PO’s). Geralmente, é nesse ponto que os problemas começam: a pessoa que passa as informações sobre o produto e sobre o que o cliente espera não consegue falar a mesma língua do time de desenvolvimento. Para evitar que esse tipo de falha aconteça é preciso que os times, juntamente com os gestores de TI, façam alinhamentos constantes, com o intuito de identificar gaps e melhorar o produto.

2 – Picos de acessos simultâneos

O que acontece quando muitas pessoas usam um produto digital ao mesmo tempo? Seja um site de ingressos, de inscrições para a universidades ou até mesmo um aplicativo. Será que esse produto “dará conta do recado” ou a quantidade de acessos simultâneos irá travar ou derrubar a página? Quando um produto digital apresenta problemas que acarretam perda de vendas, isso se torna uma enorme dor de cabeça para o gestor de TI.

Para que isso não aconteça, vale a pena antecipar-se e criar simulações de uso, que permitam entender como aquele produto digital irá se comportar se a demanda crescer abruptamente. Nestes casos, são indicados os testes de carga e stress, que permitem saber se o sistema vai sustentar a alta demanda e o que pode ser feito em caso de problemas

3 – Migração de plataformas

Hoje em dia, é muito comum acontecer a migração da arquitetura tradicional monolítica (na qual toda a aplicação é desenvolvida como um único bloco) para a de microsserviços (onde componentes separados trabalham em conjunto para realizar as mesmas tarefas como um todo). Isso é feito para desenvolver sistemas que sejam mais flexíveis e com manutenção mais simples. Esse tipo de migração pode causar várias interferências no produto. É muito comum também haver a migração de um data center interno para a nuvem e, neste momento, alguns problemas podem prejudicar os usuários.

Após passar por um processo migratório, o ideal é fazer testes para checar os limites do produto. O gestor deve entender como a migração vai afetar o produto: será que o desempenho melhorou ou piorou? Faça testes preventivos e antecipe-se aos problemas.

4 – O time gasta muitas horas para corrigir bugs

Outro problema muito comum relatado pelos gestores de TI é: “minha equipe coloca mais tempo para corrigir bugs do que para trabalhar na evolução do meu produto”. É praticamente como correr atrás do próprio rabo: de tanto corrigir bugs, o time esquece do que mais interessa, que é evoluir o produto, inserir novas funcionalidades e gerar mais valor para o usuário.

Quando ouço casos de empresas que estão gastando 70% ou 80% do seu tempo para a correção de bugs, isso é um sinal claro de que está faltando qualidade. Com uma estratégia de automatização de testes, por exemplo, é possível diminuir a possibilidade de erros e, com isso, liberar tempo do time para que ele comece a pensar em inovação.

5 – Mesmo com a presença do QA no time, ainda falta qualidade

Você colocou um profissional de Quality Assurance (QA) no seu time, mas o produto digital continua apresentando problemas de qualidade? Isso é um sinal de que o QA está atuando no final da cadeia (procurando bugs) e não interagindo ao longo do processo de desenvolvimento com o Desenvolvedor, com o Product Owner (PO) ou com o Product Manager (PM), como deveria ser feito. Além disso, é importante ressaltar que a responsabilidade pela qualidade do software não é somente do QA; é do time todo. Por isso, coloque no processo pessoas que tenham visão de qualidade e responsabilidade coletiva.

6 – Prejuízos financeiros

Seu produto digital é mal avaliado? Tem perdido usuários? Se for um app, tem uma alta taxa de desinstalação? Tem altos índices de cancelamento de pedidos? Tem altas quantidades de bugs externos (aqueles que são encontrados pelos usuários)? Estes podem ser sinais de que muito dinheiro está sendo perdido. É neste momento que, normalmente, as empresas percebem que não estão dedicando o tempo necessário com qualidade e teste de software.

Nestes casos, é recomendada uma análise técnica, ou seja, testes profissionais, para localizar o problema que está causando o prejuízo financeiro. É como se fossemos analisar um encanamento para verificar qual torneira está com defeito. Com isso, a empresa consegue detectar rapidamente o que está causando o “vazamento” maior, ou seja, a perda financeira.

*Bruno Abreu é CEO e cofundador da Sofist

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