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5G ainda está longe de ser tão espetacular quanto promete

Temos alguns bons anos pela frente até que as redes de quinta geração estejam amplamente disponíveis

Mike Elgan, Computerworld/EUA

06/10/2018 às 10h48

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As empresas de telecomunicações
dizem que o 5G possibilitará
carros autônomos seguros, transmissão de realidade virtual, cirurgia de longa
distância, videochamadas holográficas 3D. Além disso, a rede teria velocidades
reais de 10 a 20 vezes mais rápidas do que as do 4G e uma latência muito menor
– de cerca de 20 milissegundos atualmente para um milissegundo com o 5G.

Porém, a rede 5G pode não ser tão boa assim. Para entender o
porquê, é preciso entender primeiro, como, quando e onde o 5G surgirá.

Telefones 5G
O Moto Z3 da Motorola é o único telefone atualmente disponível
que pode ser atualizado para o 5G. Isso exigiria um complemento 5G Moto Mod,
que mais do que dobra a espessura do telefone. Ainda assim, é tecnicamente
verdade que o primeiro telefone que suporta o 5G já está no mercado.

A Xiaomi poderá apresentar seu smartphone Mi Mix 3 com 5G no
próximo mês. O OnePlus 7, que suporta o 5G da Oppo, deve sair em janeiro.

A Sprint e a LG são parceiras de um telefone 5G que trabalha
exclusivamente com a rede Sprint. O telefone é esperado no primeiro semestre do
próximo ano. Ainda, espera-se que a Huawei introduza smartphones 5G dobráveis.

Embora a Apple não tenha anunciado nada no departamento 5G,
empresas como a Mobile Viewpoint estão trabalhando em complementos de suporte
ao iPhone que oferecem compatibilidade 5G com iPhones existentes (e telefones
Android).

A maioria dos smartphones high-end deve suportar 5G até 2022. A
maioria dos usuários de smartphones no mundo industrializado provavelmente terá
telefones 5G até 2025.

Um problema imponente
O Centro de Convenções de Los Angeles é o primeiro local nos EUA
a instalar uma rede sem fio 5G permanente. O porta-aviões do Reino Unido já
está testando o 5G, em Londres. A empresa espera lançar a cobertura 5G na
cidade no próximo ano ou no ano seguinte.

A T-Mobile promete lançar em 30 cidades dos EUA no próximo ano e
a Sprint em seis cidades. A China e a Coreia do Sul também esperam lançar o 5G
no próximo ano.

Infelizmente, esses lançamentos soam melhor do que realmente
são. Quando as operadoras prometem lançamentos, é fácil imaginar a cobertura em
toda a cidade. Mas não é assim que funciona o 5G.

Como funciona o 5G
É importante ressaltar
que o 5G não é uma tecnologia, mas uma coleção complexa de tecnologias, muitas
das quais não foram classificadas pelos órgãos reguladores.

As tecnologias por trás do 5G permitem o uso de frequências
muito altas. Quanto maior a frequência, menor o comprimento de onda.
Comprimentos de onda mais curtos permitem velocidades mais rápidas e menor
latência.

Mas há o problema: com
comprimentos de onda mais curtos, a distância entre o dispositivo e a
"torre" tem de ser muito menor e o sinal dificulta a penetração
através de materiais como paredes e árvores. Para contornar esses obstáculos,
as empresas precisam implantar muito mais torres do que as tecnologias
existentes. E empresas como a Verizon estão usando beamforming para direcionar
sinais ao redor de objetos e dispositivos.

Para ter uma cobertura razoável, os provedores precisam
construir antenas e torres de 5G em todo o lugar e muito perto dos usuários. É
demorado e caro colocar esses dispositivos em todos os lugares, fazendo com que
o lançamento seja lento e desigual.

Quando empresas como Sprint, T-Mobile e Verizon dizem que vão
lançar 5G em uma cidade, o que elas querem dizer é que o 5G estará disponível
em algumas regiões limitadas. Como as conexões 5G consomem mais energia, os
chips que alimentam o 5G serão projetados para favorecer o 4G e entrar no modo
5G somente quando o aplicativo exigir alta largura de banda.

Devido à necessidade de economizar bateria, à distribuição
limitada de antenas e torres e a problemas de interferência, e os smartphones habilitados
para 5G enfrentarão enormes barreiras para realmente fazer conexões 5G.

As redes 5G confiáveis serão poucas e distantes entre si e nem
sempre estarão disponíveis. As operadoras de telefonia móvel esperam que o 5G
permita competir com ou substituir provedores de TV e internet. Mas
provavelmente levará mais de 15 anos para que o 5G substitua o 4G para a
maioria dos usuários na maior parte do tempo.

5G

Debate sobre saúde
Uma coalizão de 52 organizações de base chamada Americans for
Responsible Technology pediu nesta semana à Comissão Federal de Comunicações
(FCC), nos EUA, que reduza a velocidade de implementação de infraestruturas 5G
até que possam descobrir os efeitos sobre a saúde.

As organizações referem-se à “ciência emergente que liga a
exposição à radiação de microondas de RF com graves danos biológicos”. As
cidades, incluindo Mill Valley, na Califórnia, já estão aprovando leis para
parar as instalações 5G.

A tecnologia vem com uma exigência de que as torres sejam muito
maiores em número e muito mais próximas dos usuários. Alguns residentes em
North Potomac dizem que mais de 60 torres sem fio 5G foram instaladas a menos
de 30 pés de suas portas.

É possível que possam surgir provas definitivas e amplamente
aceitas que demonstrem claramente um risco para a saúde causado por
equipamentos sem fio 5G.

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