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5 principais desperdícios em nuvem

Na ânsia de encontrar soluções eficientes, empresas investem em tecnologias que otimizam processos, mas que são usadas sem inteligência

Jonatas Mattes*

01/05/2019 às 14h24

Foto: Shutterstock

Otimizar os recursos de empresas visando economia e aumento de produtividade tem sido um desafio rotineiro entre os líderes. A tecnologia tem se tornado a protagonista para analisar, identificar e aperfeiçoar os processos que geram, mesmo de forma imperceptível, desperdícios ou morosidade para as empresas. Entre os módulos que compõe a tecnologia, a nuvem vem exercendo um importante papel neste desafio.

Mas, na ânsia de encontrar soluções eficientes, empresas investem em tecnologias que otimizam processos, mas que são usadas sem inteligência aplicada. A nuvem é a tecnologia que mais gera otimização e segurança, mas também é a que apresenta maior falha na empregabilidade da técnica.

Um exemplo muito comum de desperdício em nuvem é a utilização de servidores (máquinas virtuais ou VMs) como se fossem equipamentos físicos que, uma vez ligados, precisam assim permanecer. É corriqueiro o uso de servidores para provas de conceito, testes, demonstrações, desenvolvimentos e outras atividades que ou poderiam operar somente em horário comercial ou então poderiam ser desligados após pouco tempo de uso. A grande facilidade e rapidez da nuvem faz com que ela seja a 1ª opção nestes casos, mas a falta de controle e governança acaba gerando muito desperdício.

Não estou criticando a inovação, muito pelo contrário, não tenho dúvidas de que a Nuvem é a tecnologia que gera maior impacto nos processos corporativos, considerando a performance, segurança, controle de dados, automação, flexibilidade e agilidade que a técnica propõe. Para explorar ao máximo a nuvem é essencial contar com uma plataforma de governança multinuvem e com um Cloud Broker.

Com a plataforma é possível, por exemplo, fazer o mapeamento de fronteiras, identificando aplicações administrativas que podem rodar somente das 7 da manhã às 9 da noite e durante dias úteis. A plataforma pode criar mecanismos de automação para manter estes serviços ativos somente no período necessário, reduzindo mais de 50% os custos. Ou, aplicações já muito consolidadas e essenciais para a empresa a longo prazo, podem fazer uso de servidores (instâncias) reservadas por 1 ou 3 anos, também trazendo redução de custos superiores a 50%, mesmo operando ininterruptamente.

Para que o investimento não seja um “tiro no pé”, é importante considerar um Cloud Broker para gerenciar todo o processo, um especialista apto a dimensionar as necessidades, identificar qual formato é o mais adequado (público, privado ou híbrido), fazer o provisionamento mais assertivo e evitar desperdícios onerosos para a empresa

Compartilho aqui uma pesquisa da EMA – (Enterprise Management Associates) que retrata bem a realidade vista atualmente nas organizações. Segundo a análise, 40% do CAPEX e 50% OPEX de Nuvem são desperdiçados pelas seguintes questões:

1. Servidores & Armazenamento (não utilizados)

Normalmente, 30% dos servidores estão ociosos. Isso inclui ambientes para prova de conceito, demonstrações que não são mais necessárias, backups desatualizados e ambientes de desenvolvimento abandonados. Os volumes de armazenamento pertencentes a esses ambientes geralmente não são desprovisionados.

2. Executando todos os servidores 24X7

As VMS designadas para tarefas temporárias específicas não são desligadas durante longos períodos de inatividade. Exemplos são ambientes de desenvolvimento que só são necessários durante a semana de trabalho, trabalhos em lote que funcionam por algumas horas uma vez por semana ou capacidade adicional de comércio eletrônico que é necessário durante as principais horas de pico.

3. Servidores oversized

Porque as equipes de TI muitas vezes não podem prever os requisitos de recursos de aplicativos para um desempenho consistente e uma ótima confiabilidade, eles se inclinam para selecionar tamanhos de instância de VMS muito grandes como uma “política de seguro”. Essas VMS não são reduzidas com base em métricas de uso.

4. Escolhas financeiras desvantajosas

Os clientes geralmente não estão familiarizados com as opções de desconto da nuvem, como as instâncias reservadas da AWS ou os descontos de uso comprometidos do Google, e não entendem os diferenciais de custos de colocar cargas de trabalho em regiões de nuvem com preços.

5. Posicionamento suboptimal do aplicativo

Quando os requisitos do desempenho da carga de trabalho são apenas parcialmente conhecidos, as empresas não podem tomar uma decisão adequada sobre onde colocar um aplicativo. Dependendo dos requisitos de desempenho e da frequência de acesso um fornecedor pode ter solução mais adequada que outro.

Diante dos desperdícios apontados, é essencial contar com o apoio próximo de um Cloud Broker e de uma ferramenta unificada de gestão multinuvem, de forma que a Nuvem passe a ser vista efetivamente como parte do negócio e não mais como tecnologia opcional. Projetos personalizados, dentro de conceitos Cloud Service Broker e no formato multinuvem (integração de nuvens públicas e privadas), são mais assertivos e propõem um faturamento de acordo com o uso. Esta realidade, felizmente, já vem sendo considerada pelas empresas.

A nuvem não é mais novidade, ou seja, já teve suas atualizações e está se disseminado em ritmo acelerado nas empresas que almejam otimização e economia. Acredito que este é o futuro e as organizações que não se atentarem ao fato de a Nuvem já estar em outra Era, correm o risco de serem vencidas pela concorrência e gradativamente perder força no mercado.

*Jonatas Mattes é vice-presidente de Cloud e Inovação da Globalweb

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