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5 fatores que moldarão a inovação orientada por dados em 2020

Próximo ano promete novos desafios e oportunidades para as empresas que constroem serviços orientados por dados

Da Redação, com Martin De Saulles, CIO

26/11/2019 às 7h59

Foto: Shutterstock

O papel central dos dados na promoção da inovação em muitos setores industriais agora está claro. Nenhum líder empresarial pode se dar ao luxo de ignorar essa tendência, tornando imperativo que eles entendam as forças que impulsionam as mudanças nas suas cadeias.

O ano de 2020 promete ser um momento desafiador para gerenciar a inovação orientada por dados nas organizações, mas também um ano de oportunidades para aqueles que estão à frente da concorrência.

Confira os principais fatores que ajudarão a determinar esses desafios e oportunidades nos próximos 12 meses.

1. Fatores legais

No Brasil, a Lei Geral de Proteção a Dados entrará em vigor em agosto e impactará sobre como as empresas coletam e utilizam dados. A possibilidade de recebimento de multas para empresas que violam a lei certamente despertou a atenção dos líderes. Uma das principais mudanças introduzidas pela LGPD, seguindo os moldes da lei europeia, a GDPR, é o requisito para as organizações que coletam dados pessoais obterem o consentimento expresso das pessoas.

Um efeito visível disso são os pop-ups que agora aparecem na maioria dos sites nos pedindo para concordar com o uso de cookies antes de acessar o conteúdo da página. Menos visível é o impacto que isso está causando na maneira como as empresas coletam dados de outras fontes, forçando muitas organizações a reavaliar se devem realmente coletar essas informações. Ainda é muito cedo para dizer se isso terá algum efeito "assustador" no compartilhamento de dados entre empresas, mas as organizações não devem ser muito complacentes: algumas decisões recentes em vários tribunais europeus sugeriram que o GDPR e a legislação relacionada poderiam ser aplicados a empresas do outro lado do Atlântico.

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2. Um cenário político em mudança

Associado a uma legislação mais rigorosa, o clima entre muitos formuladores de políticas nos EUA e na Europa está se voltando contra as "Big Tech". Parte disso pode ser retórica política no período que antecede eleições importantes, mas há uma mudança de alto nível definitiva. Assim como a Standard Oil, em 1911, e a AT&T, em 1984, foram divididas pelos reguladores por dominarem o mercado do seu setor, os pedidos para que o Facebook e a Google tenham destinos semelhantes estão ficando mais intensos. Apesar dessas solicitações representarem ameaça às duas empresas, também podem significar oportunidades para concorrentes menores.

3. Mercados financeiros

As grandes esperanças do ano passado para uma série de IPOs da alta tecnologia desapareceram rapidamente. A Uber e a Lyft viram as suas ações despencarem significativamente, enquanto a confiança no poder das suas estratégias de plataforma baseada em dados diminuiu. Outro caso é o desastre da WeWork, que não fez nada para melhorar. No entanto, novos fundos de capital de risco ainda estão sendo anunciados. Um beneficiário significativo foi e continuará sendo o setor de saúde digital. A empresa de pesquisa CB Insights acompanhou mais de US 37,5 bilhões em investimentos em saúde nos primeiros 9 meses de 2019, sendo o financiamento relacionado à IA uma das áreas de atividade que mais cresce.

4. Avanços na IA e ML

Como as melhorias na inteligência artificial e no machine learning permitem um processamento mais rápido e preciso dos dados em escala, novos participantes estão surgindo para aplicar essas técnicas em diversos setores. Assim como o foco em saúde digital, espere que 2020 apresente mais anúncios de investimentos de empresas que estão construindo soluções de IA e ML. Há uma pressão crescente para as organizações demonstrarem o valor que os seus sistemas estão agregando - e aumentará no próximo ano.

5. Novas fontes de dados

Uma empresa orientada por dados é tão boa quanto os dados que utiliza. As gigantes da tecnologia, como Google, Facebook e Amazon, se beneficiaram do círculo virtuoso de usar dados de clientes para gerar valor tanto para os seus usuários quanto para os anunciantes. Isso dificulta a entrada de novos concorrentes, que acabam enfrentando o problema do ovo e da galinha: essas empresas menores não têm uma base de usuários para gerar dados ou atrair interessados. Parte da solução para algumas dessas empresas pode começar a surgir em 2020, conforme as trocas de dados aumentam.

Alguns pequenos intercâmbios de dados, como Terbine, Dawex e Caruso, surgiram nos últimos anos e estão começando a ter um impacto em setores verticais específicos. Além disso, o anúncio da Amazon Web Services no início deste mês sobre o lançamento do AWS Data Exchange é importante. A companhia alega ter 80 fornecedores de dados, incluindo Reuters, Deloitte e Dun e Bradstreet. O objetivo é fornecer uma fonte pronta de dados para muitas das empresas menores que constroem serviços via AWS e que tradicionalmente lutam para obter informações precisas e relevantes.

Apesar da incerteza política e econômica em grande parte do mundo, há muitos aspectos para manter o otimismo. Os dados, como sabemos, podem ser mal utilizados, mas o surgimento de novas fontes de informações e técnicas para gerenciá-los prometem trazer algumas inovações interessantes para 2020.

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