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4 tendências de segurança em meios de pagamento para 2019

A evolução da segurança e do gerenciamento de risco na indústria vai acomodar novas formas modernas de pagamento e tornar as coisas mais fáceis

Ellen Richey *

02/02/2019 às 10h35

Foto: Shutterstock

Este é o momento quando muitas pessoas fazem resoluções de Ano Novo e tentam mudar seu estilo de vida, como, por exemplo, adotar uma alimentação saudável, praticar atividade física e equilibrar melhor o trabalho e a vida pessoal.

Acredito que se uma mudança traz melhoria, ela é bem-vinda. Muitos investimentos aconteceram nos últimos anos para garantir canais de pagamentos digitais seguros e muitas dessas inovações vão continuar. Confira as tendências de segurança em pagamento para 2019:

1 - Modernas tecnologias vão impactar os pagamentos presenciais
Apesar do crescimento mundial do e-commerce, os consumidores continuam comprando em lojas físicas. Felizmente, a tecnologia de chip ajudou a reduzir as fraudes com cartões falsificados nos pagamentos presenciais.

A boa notícia é que a maioria dos terminais POS com tecnologia de chip também está apta a aceitar cartões com tecnologia sem contato, que permite o pagamento aproximando o cartão do terminal. Os cartões com tecnologia sem contato usam a mesma tecnologia de chip e são eficazes na proteção contra fraudes, além de oferecer uma melhor experiência ao consumidor. Isso explica o número crescente de sistemas de transporte público e fast foods do mundo todo que aceitam ou planejam implantá-los.

Considerando que os cartões que só fazem pagamentos via tarja magnética estão sendo substituídos ao término de sua validade por cartões com tecnologia sem contato e que os estabelecimentos comerciais atualizam seus terminais POS, acredito que as fraudes nos pagamentos presenciais vão cair ainda mais neste ano.

2 - O crescimento do e-commerce e do m-commerce vai aumentar a segurança dos pagamentos digitais
O volume de pagamentos digitais deve continuar crescendo com os consumidores cada vez mais habituados a comprar com celular, tablet, computador ou dispositivos IoT.  Os analistas da Gartner estimam que haverá mais de 20 bilhões de dispositivos IoT em uso até 2020. A tecnologia de chip reduziu as fraudes nas compras presenciais, mas é preciso atingir esse mesmo nível de segurança no canal digital e, para isso, os tokens podem ser a solução.

Como os tokens substituem a transmissão dos números do cartão de pagamento, mesmo que o sistema POS, dispositivo móvel, aplicativo móvel ou rede usado no pagamento seja comprometido, os dados do cartão continuam seguros, pois não são expostos.

Com a tokenização, os estabelecimentos comerciais não precisam mais armazenar dados sensíveis, como os números da conta primária, o que reduz o risco para consumidores que armazenam dados de cartões em dispositivos e aplicativos móveis ou online. Em vez disso, os estabelecimentos conseguem mascarar o número da conta primária do consumidor com um token protegido por restrições, o que impossibilita seu uso por fraudadores, ainda que ele seja comprometido.

3 - Insegurança com senhas vai impulsionar a biometria
Com o uso de múltiplas camadas de segurança, os métodos de verificação da identidade do portador de cartão evoluíram tanto que tornaram alguns recursos desnecessários, como, por exemplo, a assinatura. Muitas pessoas concordam que memorizar senhas e códigos PIN para verificar a própria identidade pode ser difícil, além de pouco seguro. O uso de biometria para autenticar compras em lojas físicas e online oferece uma verificação mais eficaz para consumidores e estabelecimentos comerciais.

Uma pesquisa da Visa, em parceria com a AYTM Market Research, mostrou que 86% dos consumidores americanos têm interesse em usar a biometria para verificar sua identidade ou pagar e que mais de 65% já estão familiarizados com a tecnologia. No Brasil, a pesquisa constatou que 85% dos brasileiros acreditam que a biometria é mais rápida e 48% acreditam que é mais segura do que o uso de senhas.

4 - Tecnologias baseadas em risco e inteligência artificial vão reduzir as fraudes nos pagamentos sem cartão presencial
Segundo dados do eMarketer, o e-commerce deve representar apenas 11,9% do total das vendas mundiais do varejo em 2018, e as lojas físicas continuam predominando no setor varejista. Isso significa que as vendas pela internet ainda têm muito espaço para crescer.

Em 2019, surgirão novas tecnologias no setor de e-commerce para reduzir fraudes nos pagamentos sem cartão, usando padrões atualizados do EMV para o protocolo 3D-Secure. Com isso, as instituições emissoras conseguirão avaliar melhor se uma transação é legítima ou fraudulenta, examinando dez vezes mais os fatores de risco, como, por exemplo, tipo de navegador, tipo de dispositivo, local onde a transação é realizada e outras condições para determinar a necessidade de um segundo nível de autenticação.

Além disso, empresas que facilitam pagamentos digitais provavelmente combinarão o 3DS 2.0 com outras tecnologias analíticas avançadas, como inteligência artificial (AI). A tecnologia de AI hoje pode analisar até 500 atributos de risco diferentes em um milissegundo, tentando identificar a fraude no início do pagamento. O algoritmo de I.A. avalia esses atributos para pontuar a transação e prever a probabilidade de fraude. Essa pontuação é encaminhada ao emissor do portador do cartão, que decide se vai aprovar ou não a transação. Esse processo é repetido até 32.500 vezes por segundo e a inteligência artificial analisa mais de seis bilhões de dados todos os dias.

Gordon Moore, da Intel, previu em 1965 que o aumento na capacidade dos computadores e a queda no custo relativo dos equipamentos aconteceria em ritmo exponencial. Muitas indústrias viram essa previsão se tornar realidade nos últimos 40 anos. Usamos a velocidade da inovação para contribuir para o avanço da indústria de pagamento e estamos otimistas com o futuro. A evolução da segurança e do gerenciamento de risco na indústria vai acomodar novas formas modernas de pagamento e tornar as coisas mais fáceis, mais rápidas e mais seguras para todo o ecossistema.

 

(*) Ellen Richey é vice-presidente e diretora de Risco da Visa

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