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2019: o ano da transformação digital nos data centers

5G, IoT, realidade aumentada, Blockchain... Confira tecnologias que devem impulsionar a adoção desse tipo de estrutura nos próximos meses

Marc Bolick *

07/03/2019 às 19h10

Foto: Shutterstock

A Transformação Digital nos data centers alcançou um status de “termo da moda” na mídia e entre provedores. Sem dúvida, há reais benefícios na migração dos sistemas atuais para os digitais.

Empresas de diferentes setores, como Boeing, Google, IBM e Uber atingiram notável sucesso ao fazerem essa migração. E os CEOs de outras empresas também já estão de olho.

A demanda por iniciativas de Transformação Digital será muito maior em 2019 porque os líderes estão finalmente percebendo que para suas empresas continuarem relevantes no mercado, seus negócios precisam se transformar.

Com a chegada das redes e dispositivos 5G, novas tecnologias serão necessárias e os administradores de data centers precisam estar preparados para tais transformações.

Vale destacar cinco tecnologias que impactam os data centers e que suportam a tendência de Transformação Digital:

5G wireless
Estamos nos movendo para a IoT e o link final entre os dispositivos e as redes certamente será wireless. A tecnologia 5G sem fio consegue entregar taxas dados significativamente mais altas, com maior volume de dados. Os trabalhadores que utilizam dispositivos móveis, como equipes de venda, setores de entrega, profissionais de manutenção e reparo, começarão a utilizar aplicações mais sofisticadas que têm como base transferências de dados mais velozes e confiáveis para funções como videoconferência.  E vale lembrar dos automóveis autônomos e cidades inteligentes, que exigem largura de banda poderosa. 

Embora a expansão do 5G em larga escala ainda leve alguns anos para acontecer, os data centers já devem se preparar para essa transformação. A estrutura deve evoluir para suportar maior largura de banda wireless e maior uso de dados em todos os ambientes.  Empresas e donos de prédios estão olhando além do Wi-Fi, para assim capacitar seus estabelecimentos para o uso de serviços wireless consistentes e poderosos com sistema de antenas distribuídas (DAS). No ambiente exterior, provedores de serviços aprimoram e ampliam suas redes de fibra para transportar dados wireless de volta ao núcleo da rede, ou como em outros casos, para data centers de borda, nos quais processamento local é necessário para aplicações de baixa latência, como carros autônomos e cirurgias a distância.

Tecnologias como C-RAN (redes com acesso por nuvem) e a computação de borda serão implementados em 2019 para suportar os serviços 5G wireless, pois haverá mais dados sendo processados na borda.

Internet das Coisas
Um dos usos mais importantes do 5G é o suporte a aplicações de Internet das Coisas. Como as empresas estão instalando milhões de sensores com fio e sem fio que produzem quantidades enormes de dados brutos, esses dados precisam ser convertidos em informações úteis, que proporcionam valor ao usuário. O processamento de dados está movendo para mais próximo de sua fonte para reduzir as exigências de comunicação. Por exemplo, companhias que produzem bebidas estão abastecendo seus distribuidores com sensores Iot que informam o uso de cada máquina e o estoque mandando as informações para um programa que agenda e faz novos pedido de suprimentos. Nesse caso os dados brutos fornecem o gatilho necessário para a ação de abastecimento do estoque de suprimentos. Frotas de caminhões utilizam a tecnologia de Iot para informar o nível de combustível, localização, peso, temperatura e outros índices para um aplicativo, que determina a previsão de entrega, paradas para abastecimento e localizador de carga.

Para outras aplicações de Internet das Coisas que estão por vir com a produção, controlada em tempo real, as estruturas das redes precisam ter uma baixa latência e alta confiabilidade.

Realidade virtual/aumentada
A realidade aumentada consiste no uso de um dispositivo como um celular para a exibição de dados relevantes enquanto o usuário assistindo ou faz algo ao mesmo tempo. Este ano temos visto uma evolução no uso da realidade aumentada, como por exemplo quando técnicos utilizam seus telefones para visualização de dados enquanto examinam determinado produto e recebem informações de como repará-lo. Já a realidade virtual é explicada como uma imersão total do usuário em um mundo digital, com uso de dispositivos especiais, como óculos. Por exemplo, salas de treinamento remotas estão utilizando sensores de RV para o ensino de técnicas de fabricação antes mesmo dos alunos colocarem os pés em uma fábrica.

Embora a realidade aumentada possa ser suportada por nossas redes atuais, com os dados sendo descarregados em dispositivos manuais, a realidade virtual exigirá vídeo em tempo real por meio de links de comunicação de Internet. Se a conexão não é confiável, se a largura de banda ou a latência também é baixa, a experiência do usuário se ruim.

Blockchain
O Blockchain é uma base de dados descentralizada que é criptografada, permanente, consensual e que pode ser verificada. Quando ouvimos “Blockchain”, logo associamos com Bitcoin, mas há diversos outros potenciais usos para essa tecnologia, que pode ser acessada de qualquer lugar. Para o setor de logística, o Blockchain é utilizado para hospedar informações como onde um produto foi feito, quando foi feito, quando foi enviado, onde está localizado e quando chegou, e como foi utilizado. É um sistema de criptografia público e compartilhado no qual diferentes usuários participam da operação do Blockchain, com alto nível de segurança. Essa tecnologia pode ser utilizada toda vez que é necessário registrar e verificar uma troca de informações. Por conta de seus benefícios, essa tecnologia deverá ser cada vez mais adotada em 2019, fato que impactará diretamente os data centers que abrigam livros de contabilidade distribuídos.

Inteligência Artificial
A Inteligência artificial se desenvolveu incialmente de forma mais lenta porque muitas pessoas partiram da ideia de que uma máquina deve pensar como um humano. Outra razão é a necessidade frequente de supercomputadores para seu funcionamento. Entretanto, isso está mudando. O custo de operações com computadores despencou, os algoritmos de IA melhoraram e a computação de borda trouxe a possibilidade da expansão da inteligência artificial de diversos modos.  O desenvolvimento de protótipos para executar a IA acontece nos grandes recursos da nuvem central. Esses protótipos são depois baixados para a camada de borda onde quem executa a IA fornece benefícios em entornos locais sensíveis. A inteligência artificial de borda analisa e controla o processo local e depois volta as informações para a nuvem, o que ajuda a melhorar o modelo da camada. Empresas como Google e Facebook estão utilizando a IA para refinar operações das instalações, aumentando a disponibilidade, reduzindo a complexidade de operações e o custo.

Para se preparar para a evolução da IA em 2019, empresas irão adotar redes de alta velocidade e baixa latência junto com computadores de alta performance. A combinação da IA entre recursos locais e centralizados unirá o poder da nuvem central com agilidade e performance da inteligência artificial localizada na borda.

Tudo depende da infraestrutura
Embora todas essas tecnologias já existam, estão passando pelo mesmo processo de maturação e visualização de benefícios que fomentarão maior adoção em 2019 e que levam à transformação digital nos data centers. Para essa preparação, os gestores serão obrigados a implementar infraestruturas de rede avançadas para ter velocidade, onipresença, confiabilidade e mais segurança. Com a migração para sistemas mais velozes, a expansão do acesso por fibra e de links wireless, assim como a adoção de estratégias de computação avançadas, as empresas podem estabelecer uma base firme para a transformação digital.

 

(*) Marc Bolick é vice-presidente da CommScope

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