Home > Tendências

2018 será mesmo o ano da realidade aumentada?

Há nenhum exagero na RA ser ter sido eleita uma tendências tecnlógicas de 2018 pela Fortune e tema de diversas apresentações durante o SXSW?

Mateus Azevedo *

27/03/2018 às 18h27

RA_515607943.jpg
Foto:

O artigo da Fortune que apontou a realidade aumentada (RA) como uma tendência já para 2018 relembra que antes da existência dos smartphones, coisa de dez anos atrás, a maioria das pessoas sequer poderia pensar em gastar cinco horas por dia olhando para um aparelho de telefone, mas que neste ano, a "a tendência do pescoço torto" começará a se reverter. Será? Eu acho cedo e das quatro tendências tecnológicas apresentadas pelo texto – BIot, fintechs, realidade aumentada e bots - essa é a que não acredito que vá pegar neste ano.

Nesta edição do South by Southwest (SXSW) - conjunto de festivais de cinema, música e tecnologia que acontece anualmente em Austin, Estados Unidos, durante a primavera - a Bose, conhecida no mercado musical por fabricar os fones de ouvidos - mostrou que já está explorando a realidade aumentada e apresentou fones integrados a óculos com a tecnologia, afirmando que devem estar disponíveis para desenvolvedores nos próximos meses.

A empresa já tem sua própria plataforma para RA que foi construída para gadgets diversos – fones de ouvido, óculos, capacete e outros – os quais deverão vir com sensores para rastrear o movimento das cabeças e controles gestuais, além de trabalhar com GPS pareado com smartphones. Demais, não? A realidade aumentada adentrando no universo da música, mudando a forma como curtimos um som, como dançamos.

Outro exemplo é da Lego, que chegou à final do Innovation Showcase Awards, uma competição de inovação corporativa durante o SXSW com um projeto que tem como base um scanner 3D integrado a um aquário digital. Depois de montar os peixes com os bloquinhos, os usuários colocam as peças na máquina. A partir daí, o sistema cria uma versão digital dos peixes, que interagem na tela com um cardume criado por outros usuários.

Para quem acha que é só o campo do entretenimento que se beneficiará da tecnologia, a varejista de moda Zara mostra que não: a partir de abril, na Espanha, a marca apresentará displays de RA visando atrair a atenção dos "millennials". Ou seja, uma forma de se renovar e falar na mesma linguagem da nova geração.

Agora vamos a um exemplo que pode beneficiar qualquer área, inclusive Medicina: realidade aumentada combinada à impressão 3D. Um grupo de pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Tecnology) e da Universidade de Cornell desenvolveu o RoMA (Robotic Modeling Assistant), um robô que agrega tecnologias de impressão 3D, realidade aumentada e um programa CAD. O robô conta com óculos de realidade aumentada, um controle, plataforma giratória e um braço mecânico. Enquanto o designer/usuário projeta e coordena o formato do protótipo em realidade aumentada, o robô realiza a impressão 3D.

roboMIT

Ao que tudo indica, a Fortune mais uma vez acertou em suas previsões e a realidade aumentada vem mudar a forma como fazemos negócios, como nos vestimos, ouvimos música, dançamos, vivemos. Ainda segundo a publicação, a RA tem como verdadeira promessa "levar as pessoas à informação que precisam sem ter que pedir isso".

Mas dizer que "2018 será o começo de viver uma vida aumentada" (como diz o artigo) ainda é um pouco prematuro. Os grandes exemplos que vimos aqui são ainda protótipos ou exemplos apresentados em eventos de tendências, porém não fazem parte do dia a dia de ninguém. Porém, já vale lançar a pergunta: que tipo de informação você quer levar aos seus públicos de interesse? Como a realidade aumentada pode contribuir para o seu negócio? Já experimentou buscar essas respostas?

 

(*) Mateus Azevedo é sócio da BlueLab

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail