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15 características da Maturidade Digital da TI

Medir o sucesso da TI significa triangular o valor de diferentes lentes e descascar a maturidade digital de TI a partir de uma variedade de ângulos

Pearl Zhu, CIO/EUA

12/03/2019 às 13h49

Foto: Shutterstock

Embora existam capacidades perenes e habilidades necessárias para o sucesso dos negócios - investimento, liderança, cultura, gerenciamento de mudanças, governança - a Transformação Digital requer novos recursos que as organizações precisam para adquirir e desenvolver.

A jornada de melhoria da maturidade dos negócios é mais evolutiva que revolucionária. Certamente, é fundamental dar maior ênfase à capacidade das pessoas, às fontes de conhecimento, inovação, adaptação e foco no cliente.

A TI é o lubrificante para um sistema de negócios bem projetado; ela precisa fornecer estabilidade e excelência operacional para “manter as luzes acesas”, mas também dar os passos necessários para a consolidação, modernização, automação, integração e otimização para melhorar sua maturidade digital.

Medir o sucesso da TI nesse cenário significa triangular o valor de diferentes lentes e descascar a maturidade digital de TI a partir de uma variedade de ângulos.

Aqui está um conjunto de características da maturidade digital de TI.

1. Ter excelência Operacional
O gerenciamento de TI deve estar no modo de ajuste contínuo para simplificar os processos e estreitar a coordenação e a colaboração com os parceiros de negócios. Isso exige que a gerência de TI faça uma comunicação positiva, enquanto busca continuamente a substituição econômica de processos instáveis ou desatualizados. O CIO deve posicionar e manter a organização de TI para garantir que ela atenda à “eficácia da TI” e à “eficiência da TI” para alcançar a excelência operacional.

2. Ser proficiente Digital
As metas de negócios da TI são alavancar informações e tecnologia para reduzir custos, melhorar operações e aumentar a receita. Uma organização de TI com proficiência digital pode dedicar mais atenção ao que as organizações realmente se preocupam – alavancar informações para obter insights de negócios e colocar a tecnologia em vantagem comercial.

As empresas terão mais sucesso quando perceberem que uma de suas maiores forças será a proficiência digital multifacetada para expandir e mudar do “fazer digital” para o “ser digital”.

Uma organização de TI digital, com alta proficiência digital, desempenha um papel crucial na construção um negócio digital altamente responsivo, altamente inteligente e altamente maduro, interpretando os problemas de negócios em soluções habilitadas por tecnologia e aproveitando os recursos necessários para resolver problemas de negócios bem definidos de maneira eficaz.

3. Ser inovadora
As tecnologias digitais disponíveis tornam a inovação mais fácil de fazer agora do que no passado – menos dispendiosas e mais facilmente acessível.

A inovação pode ser categorizada como inovação revolucionária (impulsionar algo para o novo nível), inovação sustentável (melhor versão de produtos ou serviços), inovação de eficiência (melhoria de processo) ou “inovações suaves” (comunicação ou inovação cultural).

A TI pode promover todo tipo de inovação para melhorar o crescimento da receita comercial e elevar a maturidade organizacional. Há poucas unidades de negócios que estão tão profundamente incorporadas em cada função corporativa quanto à TI. Executar uma TI inovadora requer algum tipo de repensar e reinventar os processos corporativos e construir os recursos de negócios para gerenciar a inovação sistematicamente.

4. Ser simples
As pessoas são complexas, os negócios são complexos e o mundo é complexo. A complexidade é uma das características digitais emergentes da era digital. Imagine a complexidade que vem devido a essas características, como menos estrutura, mais regras e regulamentos, diversidade, volatilidade, ambiguidade, imprevisibilidade, falta de linearidade e aumento de fluxo etc. Há complexidade necessária e complicação desnecessária.

A ciência do gerenciamento de TI é simplificar a complexidade desnecessária, gerenciar todo o ciclo de aplicativos, aposentar os sistemas legados; reavaliar sistemas que suguem recursos demais, energia demais ou exijam muito esforço; e estreitar a coordenação com fornecedores e parceiros, a fim de melhorar a capacidade de resposta e a maturidade organizacional.

De um modo geral, a simplicidade governa o novo dia a dia da TI, porque reflete o novo padrão de negócio e traz flexibilidade, equilíbrio e maturidade ao negócio.

5. Ser centrada no cliente
O maior desafio para o sucesso dos negócios é a TI, e o maior desafio da TI é entender as expectativas da empresa e dos clientes. A TI deve mudar seu foco de operação de dentro para fora e se voltar mais para o cliente externo, para melhorar sua maturidade digital. A tecnologia está sendo aproveitada todos os dias para aprimorar as experiências do cliente, com ou sem os casos de uso geridos pelos departamentos de TI.

Na realidade, se o departamento de TI não tiver tempo, recursos ou autoridade para desenvolver e implantar essas iniciativas, a TI não será levada à mesa principal como um parceiro de negócios ou um cliente campeão.

Envolver e encantar os clientes finais por meio de pontos de contato digitais e experiências personalizadas, bem como capacitar os usuários internos com ferramentas eficientes para melhorar sua produtividade e satisfação, são vitais para melhorar a maturidade da TI.

6. Adaptabilidade
Considere a organização digital como o ecossistema auto-organizado, mas entrelaçado e hiperconectado. Adaptabilidade é a capacidade de pessoas ou sistemas se adaptarem suavemente e agirem rapidamente frente a mudanças de cenário. Digital significa mudanças rápidas, interrupções contínuas, informações esmagadoras e ciclo de vida do conhecimento reduzido.  O sucesso com que o indivíduo ou a organização vão lidar com um novo normal digital depende de quão rápido e capaz eles podem se adaptar às mudanças e superar os desafios futuros.

Na dinâmica digital em constante mudança, as pessoas devem desenvolver adaptabilidade por meio da abertura e serem capazes de buscar formas e meios de se ajustar às suas perspectivas e às pessoas que as rodeiam. No nível organizacional, a auto-adaptação é mais rápida se feita com o envolvimento total das pessoas na mudança organizacional, a partir das relações entre as pessoas, melhorando a mutabilidade de todo o negócio.

7. Ser flexível
Ao contrário do sistema mecânico fechado, a organização digital é como o sistema vivo, espontaneamente auto-organizado, capaz de gerar padrões, formar estruturas, iniciar atividades empresariais e, acima de tudo, criar novidades ao longo do tempo.

Ser flexível muitas vezes significa desenvolver uma arquitetura modular,  ao estilo Lego, com processos internos divididos em componentes de serviço que possuem uma interface aberta padrão, de modo a favorecer a reusabilidade e o fluxo de processos.

No novo padrão digital “VUCA”, nunca assuma que você sabe qual é o problema e nunca pense que existe uma pequena lista de soluções que você pode escolher. A cultura de flexibilidade defendida por uma liderança eficaz é sobre trazer o melhor, explorando pontos de vista diversos, novos conhecimentos e múltiplas perspectivas, a fim de obter uma compreensão profunda de certos tópicos ou problemas específicos que ocorrem, além de desenvolver uma abordagem estrutural para superar os desafios.

8. Ser ajustável
As pessoas são o propósito da mudança; frequentemente elas também são o elo mais fraco na Transformação Digital. O ajuste organizacional significa mais que crescimento, valor agregado ou normas comportamentais. As pessoas precisam estar conscientes dos seus papéis, concentrando-se em compreender e respeitar as outras pessoas, a cultura e a história da organização.

Do ponto de vista da gestão de pessoas, a adequação organizacional é o bom equilíbrio entre a atitude de pensar e ajustar o “desajuste”.

“Ajuste” não significa que todos precisam ter os mesmos processos de pensamento, as mesmas personalidades, as mesmas preferências ou as mesmas experiências. No nível final, o encaixe organizacional significa equilibrar bem as qualidades de todos.

No novo padrão digital, o ajuste cultural significa que as organizações devem buscar proativamente diferentes ideias e se engajar em debates saudáveis e pensamento crítico com diversos pontos de vista. A disrupção da TI continuará, e a lacuna de habilidades de TI será modificada.

Atualmente, os profissionais de TI precisam desenvolver habilidades técnicas e de negócios para manter o ajuste digital. É preciso dar uma importância preponderante sobre construir uma organização centrada em pessoas nos próximos anos, para tornar sustentável o relacionamento entre TI e negócios.

9. Ser veloz
Em organizações tradicionais, a TI é percebida como lenta, porque está frequentemente no modo reativo, aguardando as solicitações da empresa. Para executar uma organização digital de alta maturidade, a TI precisa acelerar como um catalisador digital, adaptando-se às mudanças mais rapidamente do que o resto das organizações.

Mais e mais empresas esperam da TI rápida capacidade de resposta, porque a dinâmica digital é onde a disrupção ameaça derrubar os sistemas legados.

Para acelerar a velocidade, uma organização de TI com visão de futuro separa a exploração dos métodos e tecnologias existentes da exploração de novas maneiras de fazer as coisas, aproveitando as tendências digitais emergentes.

As metas para acelerar a TI são alcançar a capacidade de resposta estratégica e melhorar a flexibilidade organizacional.

10. Ser ágil e sustentável
Com o aumento da velocidade das mudanças e da disrupção digital dos negócios, as organizações precisam se tornar mais ágeis para atualizar a tecnologia e gerenciar as informações de maneira eficaz, a fim de responder prontamente às mudanças e atender às necessidades dos clientes em tempo hábil. Erros nos sistemas de TI causam vazamento de receita e prejudicam a reputação da empresa. É preciso um CIO forte para convencer a administração a manter esse estado ágil.

Do ponto de vista do investimento em TI, as tecnologias avançadas são realmente boas e mais úteis para manter a TI mais ágil e direcionar as demandas de negócios.

A eficiência e a eficácia da TI são um estado em constante evolução e, às vezes, são necessários investimentos maiores e não apenas incrementais para alcançar as posições desejadas. A TI precisa obter o patrocínio de liderança, entender, continuar investindo e evoluindo para melhorar a competência operacional. Quando a empresa investe em recursos de TI, ela confia à organização de TI a administração desse considerável investimento e a responsabilidade de fornecer gerenciamento e operação eficazes para gerar valor para os negócios.

Empresas voltadas para o futuro em setores verticais afirmam que estão no negócio de gerenciamento de informação. O design organizacional deve ser ajustado para reforçar a flexibilidade, manter o fluxo de informações com maior rapidez e atingir autonomia organizacional.

11. Design Thinking
Para alavancar o Design Thinking você precisa entender os objetivos de longo prazo, a identidade ou marca da empresa e as realidades do setor, como posicionamento em relação à concorrência, por exemplo. O bom design dá suporte à estratégia de negócios para criar uma empresa centrada nas pessoas. A hierarquia limitada funciona melhor em um ambiente criativo no qual o  livre fluxo de informações e ideias, bem como sua pronta implementação, são elementos-chave para acelerar a Transformação Digital. Por isso, ajuste as equipes de negócios ou as estruturas organizacionais para que elas possam expressar melhor esse propósito e responsabilidade.

12. Ser equlibrada
O impacto das tecnologias emergentes de hoje e sua integração com outros elementos-chave de negócios parece ser mais profundo, especialmente considerando as mudanças simultâneas no ecossistema. A TI precisa encontrar o equilíbrio certo entre “experiência antiga” e “nova maneira de fazer as coisas”, desenvolver as próximas práticas digitais, não apenas fica presa às melhores práticas, algumas das quais completamente obsoletas para a era digital.

Para ter sucesso, os líderes de TI devem oferecer suporte ao ambiente existente, fornecendo uma infraestrutura segura e confiável e mantendo um portfólio de aplicativos balanceado, ao mesmo tempo em que implementam valor inovador gerado por iniciativas de redução de custos e crescimento de receita.

A capacitação da tecnologia, independentemente da extensão da digitalização, trata de planejar, financiar, projetar, construir, operar, proteger, otimizar e gerenciar dados, documentos ou mensagens. A digitalização dos processos de negócios e a obtenção do equilíbrio certo entre o antigo e o novo, o físico e o virtual, o local e o global, tornaram-se ainda mais importantes para os sucessos organizacionais de hoje a longo prazo.

13. Ser capaz de gerir a qualidade
Sem interações humanas, a qualidade não é possível. Como a qualidade está em tudo o que as pessoas fazem e experimentam, o gerenciamento da qualidade as ajuda a fazer o que estão fazendo melhor, mais fácil e mais rapidamente.

O que é necessário é esclarecer o objetivo e engajar todas as pessoas envolvidas em trabalhos conjuntos, como uma equipe, para se destacar na entrega de produtos, serviços ou soluções de qualidade para encantar os clientes de maneira consistente.

O gerenciamento da qualidade precisa ser um esforço colaborativo inter funcional, não algo equipe faz sozinha em seu canto, a fim de melhorar toda a qualidade e maturidade do negócio digital.

A “gestão da qualidade” é como “gestão de mudanças”: qualidade e mudança = processo em movimento e gerenciamento = estabilização e controle.

14. Autonomia
O alto grau de autonomia é o símbolo da maturidade digital. Administrar uma organização autônoma é melhorar a eficiência, a eficácia, a capacidade de resposta e a maturidade dos negócios. A auto-organização é uma atividade humana natural, é também sobre maior poder e confiança. É sobre como criar uma atmosfera de trabalho para incentivar a criatividade, a autonomia e o domínio.

Com autonomia, a equipe se organiza sozinha sobre como resolver o problema a ela apresentado. O negócio mantém processos transparentes; o gerente não faz o microgerenciamento, mas inspeciona e acompanha o que a equipe está fazendo.

Em outras palavras, a gestão digital se concentra em “por que” e “o que” e não “como” você dá liberdade à equipe para fazer as coisas à sua maneira, descobrir soluções alternativas e entregar um melhor resultado.

Autonomia estimula a criatividade. Isso pode ser alcançado por meio da automação do sistema, da autogestão da equipe e das práticas digitais interdisciplinares. O negócio está em estado de fluxo e a organização alcança o alto nível de maturidade sem esforço.

15. Resiliência
Com alta velocidade, incerteza sem precedentes e competições ferozes, as organizações hoje devem ser resilientes para sobreviver em meio à disrupções digitais contínuas. Na maioria das vezes, a falha de TI pode provocar o colapso de todo o negócio, ou o sucesso da TI catalisará seu sucesso organizacional de uma perspectiva estratégica de longo prazo.

Assim, a empresa espera que a organização de TI desempenhe um papel fundamental na governança e no gerenciamento de riscos, para garantir a conformidade rigorosa com os requisitos regulamentares e aumentar a maturidade dos negócios, da mitigação de riscos à inteligência de riscos, para executar um negócio digital maduro e impecável.

Ser resiliente é falhar e corrigir o rumo rapidamente.

Conclusão
A Transformação Digital é claramente uma jornada, não um destino, portanto, mesmo quando você atingir a maturidade em todas essas dimensões, ainda haverá uma necessidade de inovação contínua e resposta rápida à mudança e aos desafios e oportunidades à medida que surgirem.

Um dos benefícios de avançar ao longo da curva de maturidade é que você pode essencialmente incorporar habilidades e capacidades da próxima geração para que a agilidade se torne uma parte intrínseca do modelo operacional da organização.

Lembre-se: a prioridade dos CIOs digitais é posicionar a TI como uma parte integral e inseparável do negócio. O sucesso da TI não é para si só, mas para garantir o sucesso do negócio todo a longo prazo.

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