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10 tendências de tecnologia de consumo para 2019

A velocidade e o alcance da automação estão aumentando rapidamente. Pronto para tirar proveito desse novo cenário?

cristina.deluca

14/12/2018 às 20h39

Foto: Shutterstock

A tecnologia está prometendo mais vantagens do que nunca. As pessoas querem que as coisas sejam mais baratas, mais rápidas, mais convenientes e entregues em suas portas sem nenhum custo extra.

Supermercados sem check-out; lojas de roupas que tiram suas medidas em segundos e realizam alfaiataria personalizada em minutos; escolas com crescente robotização de professores e hospitais com médicos não humanos; carros autônomos; restaurantes com cardápios mecanizados; galerias mostrando arte feita por inteligência artificial (IA); e performances de música ao vivo por compositores algorítmicos são apenas alguns exemplos de possibilidades futuras. Muitos desses exemplos podem parecer ficção científica - mas eles já estão sendo realizados na sociedade.

Nas últimas décadas, o mundo vem passando por um processo de evolução tecnológica sem precedentes e o cenário digital passou a fazer parte das nossas vidas de tal forma que hoje é quase impossível separar nossas vidas online e offline. Nesse contexto, para se manter no mercado as principais companhias mundiais buscam alternativas de melhorar o engajamento dos seus consumidores em todos os pontos de contato possíveis.

Por isso, algumas grandes mudanças vindas da área de consumo terão grande impacto no departamento de TI em 2019.

Para ajudar os CIOs no mapeamento das tendências do mercado de consumo, a Ericsson acaba de divulgar os resultados da oitava edição do estudo 10 Hot Consumer Trends 2019, desenvolvido pelo ConsumerLab. Foram ouvidos  5.097 usuários avançados da Internet em Joanesburgo, Londres, Cidade do México, Moscou, Nova York, São Francisco, São Paulo, Xangai, Sydney e Tóquio.

Os entrevistados são usuários avançados de internet com idades entre 15 e 69 anos, que têm um perfil de early adopter urbano com uso médio de novas tecnologias digitais. Dentro da amostra, 47% usam assistentes virtuais (Siri da Apple, Google Assistant, Alexa da Amazon, etc.) pelo menos uma vez por semana, e 31% usam Realidade Aumentada ou Virtual toda semana.

Além das tendências já conhecidas, de uso crescente de Inteligência Artificial, Realidade Virtual, 5G e automação, o estudo revela que a tecnologia autônoma e preditiva do humor pode em breve ter um papel maior na vida cotidiana das pessoas.

“Imagine um smartphone realmente consciente não apenas do que você faz, mas também do que você é e de como você se sente”, diz Dr. Micnós hael Björn, líder de pesquisas para o Ericsson Consumer IndustryLab e principal autor do relatório. “Hoje, a Inteligência Artificial já pode entender sua personalidade só olhando nos seus olhos. Entrevistamos usuários que adotam rapidamente novas tecnologias e eles enxergam um futuro onde seus dispositivos os conheçam melhor do que eles mesmos”.

Essas são as 10 tendências para 2019:

1. Awareables
É provável que seu smartphone contenha mais sensores do que qualquer outra coisa em sua casa. No entanto, a tecnologia avançada, como o reconhecimento facial, é usada apenas para coisas aparentemente simples, como desbloquear seu telefone.

Hoje, a IA já pode entender sua personalidade apenas olhando em seus olhos, [1] ou ouvindo sua voz. Metade dos que atualmente usam assistentes virtuais (Google Now, Alexa ou Siri, etc.), em telefones ou alto-falantes inteligentes, acha que seus smartphones logo entenderão suas emoções. E 42% acreditam que os smartphones logo os entenderão melhor do que seus amigos. Mais de 60% dos usuários de assistentes virtuais acreditam que os dispositivos que entendem o nosso humor serão predominantes em três anos.

Quando os dispositivos nos conhecerem bem, eles também conhecerão nossos segredos. Mas, surpreendentemente, duas vezes mais  entrevistados confiam mais em um dispositivo com IA do que em um humano para manter seus segredos.

2. Discussões inteligentes
A vida familiar pode frequentemente incluir brigas triviais e triviais sobre opiniões divergentes, e isso pode se estender ao comportamento dos assistentes virtuais.

Mais de 65% dos usuários de assistentes virtuais acreditam que os alto-falantes inteligentes argumentarão como membros da família dentro de três anos.

E  47% dos usuários de assistentes virtuais pesquisados ​​acreditam que assistentes diferentes darão respostas diferentes. Por isso, 41% acham que será importante para os casais tenham assistentes compatíveis.

3. Aplicativos espiões
Não é incomum ouvir pessoas descrevendo situações mas quais a mera menção a um determinado produto é suficiente para a serem inundadas com publicidade relacionada. Embora haja pouca evidência concreta de que os aplicativos ouçam nossas conversas, você pode já ter experimentado algo semelhante.

Como resultado, a sensação de ter alguém constantemente olhando por cima do ombro está se tornando o novo normal. De fato, 47% dos entrevistados acreditam que muitos aplicativos populares usam câmeras, microfones e informações de localização para coletar dados sobre seus comportamentos cotidianos - mesmo quando os aplicativos não estão sendo usados.

Cerca de 52% dos consumidores acreditam que os aplicativos populares coletam mais dados do smartphone do que o necessário para obter lucros. Isso leva a mais da metade dos consumidores tentando evitar empresas que fazem mau uso de dados pessoais quando escolhem serviços e produtos.  A maioria (59%) diz que precisamos de princípios globais de proteção de dados pessoais.

4. Acordos forçados
Com um número crescente de sites que querem coletar nossas informações, navegar na internet se transformou em uma verdadeira aventura. Embora a iniciativa da UE de proteger os dados e a integridade dos usuários tenha como objetivo o benefício do consumidor, desencadeou uma epidemia global de empresas que tentam convencer os consumidores a assinar seus direitos a dados pessoais. O resultado disso é a fadiga do consumidor.

Ter sempre que aceitar cookies de coleta de dados irrita 51% dos consumidores. Mais da metade acha que deveria haver um único acordo padronizado, usado por todas as empresas, de modo a tornar mais simples para os consumidores decidir sobre o nível aceitável de uso de dados pessoais.

Além disso,  47% dos pesquisados acham que a internet precisa de um novo modelo de negócios além da publicidade. E 42% dizem que a internet precisa mudar fundamentalmente para voltar a ser uma força para o bem da sociedade novamente.

5. Internet of Skills (Internet das habilidades)
A internet está prestes a entrar literalmente no mundo físico e nos ajudar a consertar a cadeira quebrada, mesmo que nunca tenhamos usado um martelo antes. Ou ajudar-nos a fazer a melhor comida, mesmo não tendo aptidões culinárias. Imagine um vídeo do YouTube que personaliza de forma interativa as instruções para nos ajudar a fazer algo que nunca tentamos antes. Oitenta e dois por cento dos usuários de RA/RV acreditam que esse tipo de instrução será predominante em apenas três anos.

Mais de 50% dos usuários de Realidade Aumentada ou Realidade Virtual querem aplicativos, óculos e luvas que ofereçam orientação virtual para tarefas práticas e cotidianas, como cozinhar ou executar reparos.

6. Consumo Zero-Touch
Nem todo mundo acha ir ao supermercado para comprar mantimentos estimulantes - 49% dos usuários de assistentes virtuais gostariam de automatizar o reabastecimento doméstico de itens genéricos.

Manter o controle das contas de gás, eletricidade e água e pagá-las no vencimento é outra tarefa tediosa que 55% gostariam de automatizar. Quarenta e sete por cento de fato gostariam de um assistente virtual para lidar com todas as suas finanças, incluindo declarações fiscais.

Algumas dessas automações domésticas podem parecer um pouco estranhas, já que se considera que os humanos ainda são, naturalmente, os beneficiários finais. Mas o consumo zero-touch, sem intervenção humana, pode acontecer mais cedo do que pensamos. Na verdade, 7 em cada 10 usuários atuais de assistentes virtuais acham que esse tipo de consumo automatizado será comum em apenas 3 anos.

7. Obesidade mental
E se você não pudesse nem decidir o que comer no café da manhã sem pedir conselhos a um dispositivo digital?  Isso pode se tornar uma realidade, já que 34% dos usuários de assistentes virtuais confiariam em uma IA como nutricionista, mas apenas 25% confiariam em um ser humano.

Quarenta e três por cento gostariam de um assistente virtual que decidisse quando deveria visitar um médico, dentista ou cabeleireiro.

Com suporte a decisões digitais em áreas cada vez mais amplas da vida cotidiana, um terço dos consumidores acha que assistentes virtuais farão com que as pessoas esqueçam como tomar suas próprias decisões.  Mais de 30% dos consumidores acreditam que o pensamento crítico irá desaparecer devido ao uso excessivo de assistentes virtuais. E 31%,  que logo terão que frequentar ‘academias da mente’ para praticar exercícios mentais, conforme as decisões do dia-a-dia se tornam cada vez mais automatizadas.

8. Eco Me
As pessoas estão cada vez mais conectando sua própria saúde a um ambiente saudável. Como resultado, 39% dos consumidores desejam um smartwatch ecológico que meça suas pegadas de carbono, diariamente.

4 em 10 gostariam de um assistente virtual que otimizasse ambientalmente a temperatura interna e o uso da água.

E 75% acham que o deslocamento digital, em oposição ao deslocamento físico, será predominante em cinco anos - para diminuir o impacto ambiental.

Cerca de 68% acreditam que os assistentes virtuais ajudarão quase todos a evitar produtos com grande impacto ambiental nos próximos três anos. E quase a metade apoiaria uma eco-moeda digital que lhes desse dinheiro extra quando comprassem e ou se deslocassem de maneira ecologicamente correta.

9. Gêmeos digitais
Os avatares nos permitirão estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Segundo o estudo, 48% dos usuários de Realidade Aumentada ou Virtual desejam avatares virtuais que os simulem perfeitamente, para que possam estar em mais de um lugar ao mesmo tempo.

Também 48% dos usuários de RA/RV acreditam que os avatares irão imitar seu rosto tão bem que não será diferente de se olhar no espelho. Mas essa sensação não se aplica apenas a pessoas comuns: 47 por cento prevêem que será difícil saber quando políticos e celebridades farão uso de avatares digitais que agem como eles.

No entanto, 46% temem ser responsabilizados caso seus avatares fizerem algo ilegal - o que pode ser perigoso, já que muitos acreditam que os avatares falsos poderão roubar identidades.

Quase metade dos pesquisados (49%) acredita que as funções de atendimento e suporte ao cliente acabarão usando apenas avatares em vez de pessoas - uma área que hoje já é altamente focada em automação.

10. 5G automatizando a sociedade
Usuários de smartphones em 50 países têm grandes expectativas em relação à disponibilidade do 5G para mobilizar e automatizar muitas áreas da vida cotidiana. Enquanto eles veem a comunicação se beneficiando mais das redes móveis atualizadas, eles também acreditam que o 5G suportará a automação de várias maneiras.

Cerca de 20% dos usuários de smartphones acreditam que o 5G melhorará a conexão de dispositivos IoT, como eletrodomésticos e serviços públicos.

Os usuários de smartphones em todo o mundo também acreditam que os aplicativos de RA/RV serão aprimorados. Especificamente, 32 por cento vêem as compras de RV beneficiando-se do 5G, e 21% também esperam o uso móvel de headsets de RA/RV.

Para que tais serviços atinjam o mercado de massa, o 5G precisará de um dispositivo icônico, como foi o  iPhone para a Internet móvel. Talvez seja necessário um telefone IA para definir automação em massa, tornando-se um hub inteligente para dispositivos IoT. De fato, os entrevistados classificaram o telefone com IA como o dispositivo tecnológico mais desejado do mundo, em uma lista de 12 dispositivos orientados para o futuro.

“Já entramos na era em que humanos e máquinas inteligentes estão interagindo e trabalhando juntos. Até agora, apenas demos pequenos passos para o futuro. A maior parte do futuro sem toque ainda está por ser desenvolvida – e, como criamos esse futuro, é algo que ainda está em nossas mãos”, afirma Pernilla Jonsson, Head do Consumer & Industry Lab

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