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É hora de reciclar a força de trabalho para usar a Inteligência Artificial

Confira as estratégias que as empresas estão usando para treinar a equipe nas habilidades necessárias para aproveitar ao máximo os benefícios da IA

Maria Korolov, CIO/EUA

Publicada em 09 de agosto de 2018 às 08h00

Cientistas de dados, especialistas em Inteligência Artificial e desenvolvedores de soluções de Machine Learning estão em alta demanda agora - tanto, que esses são algumas das vagas mais difíceis de serem preenchidos hoje.

De acordo com o relatório de melhores empregos da Glassdoor, o cientista de dados é o profissional mais demandado nos EUA este ano, assim como em 2017 e em 2016. O número de vagas no site subiu de 3.449 em 2015 para 4.524 este ano. E a IBM prevê esse número chegará a 61.799 até 2020, com taxas de crescimento previstas de 93% em Ciências de Dados, se 56% em Machine Learning.

Já o número de candidatos disponíveis está bem aquém. De acordo com a Bloomberg, as vagas de emprego para Cientistas de Dados no Indeed.com aumentaram 75% entre janeiro de 2015 e janeiro de 2017 - mas as pesquisas de emprego aumentaram apenas 65% .

Não é de admirar que as empresas tenham dificuldade em encontrar pessoas qualificadas. De acordo com o relatório State of the CIO de 2018, 36% dos entrevistados disseram que preencher as funções de Business Intelligence e Analytics será difícil, perdendo apenas para a segurança cibernética. A Inteligência Artificial também alcançou a lista dos dez melhores empregos, com 18% dos entrevistados dizendo terão dificuldades para contratar os profissionais desejados.

"Há uma demanda significativa por pessoas com experiência em IA e Machine Learning", diz Tom Mitchell, professor de Machine Learning na Universidade Carnegie Mellon.

Em vez de contratar novos funcionários, algumas empresas procuram ajudar os funcionários existentes a obter o ensino avançado e o treinamento necessários para atuar nas áreas de Ciência de Dados, Inteligência Artificial e Machine Learning.

O treinamento mais avançado, como o programa de mestrado da Carnegie Mellon, leva entre um ano e um ano e meio para ser concluído e requer conhecimento de estatísticas e habilidades básicas de programação. Mas também há muitos programas e cursos on-line que as pessoas podem fazer, diz Mitchell.

Aqui está uma amostra de como várias empresas de diversos setores estão treinando sua força de trabalho para a era da IA ​.

De volta à escola
"Também estamos buscando recursos difíceis de encontrar quando se trata de inteligência artificial e especialistas em automação e de negócios", diz Murtaza Masood, diretor assistente do Departamento de Recursos Humanos do condado de Los Angeles. Anteriormente, ele foi CIO do departamento e está liderando muitas das iniciativas de Transformação Digital para o município.

Os esforços de recrutamento incluem parcerias com todas as instituições acadêmicas regionais com programas relevantes e um programa de estágio para criar um fluxo de talentos.

Mas o condado também tem desenvolvido seus próprios especialistas em IA.

"Há três anos, estabelecemos um centro de excelência para a IA que nos permitiu começar a reunir recursos existentes no município que tinham alguma experiência nessa área", diz ele. Os funcionários interessados ​​no assunto podem obter reembolso para cursos externos, bem como treinamento interno.

Os funcionários estão particularmente interessados ​​no projeto de algoritmos, diz ele, mas os tipos de treinamento empregados variam dependendo da necessidade.

"Iniciativas de negócios levam a decisões de plataforma que levam ao aumento da demanda por treinamento em torno desses elementos específicos", diz ele. Felizmente, o condado tem talentos internos suficientes. "Historicamente falando, fomos os primeiros a adotar pacotes de análise estatística."

Por exemplo, o condado tem investido recentemente em ferramentas de monitoramento e análise para identificar uma variedade de problemas de pessoal, bem como problemas potenciais de segurança cibernética. Com 111 mil funcionários - a LA County é a maior organização do governo local no país - há muitos dados que podem ser analisados ​​para detectar possíveis problemas. Mas Masood quer ver Inteligência Artificial e Machine Learning usados ​​para mais do que detectar problemas.

"Onde estou realmente empolgado, tanto como profissional de RH quanto como tecnólogo, é a capacidade de obter treinamento para que os funcionários se antecipem a tudo isso. A capacidade de fornecer informações oportunas que permitam a um funcionário melhorar seu pensamento ou comportamento ou conhecimento", diz ele.

Treinamento interno
A Capgemini também está no meio de um grande esforço para contratar pessoas com experiência em IA. A empresa de consultoria não escreve software, mas trabalha com os clientes para configurar e integrar software existente, e a IA agora é uma área importante.

Além de contratar especialistas e patrocinar o treinamento dos funcionários, a empresa também possui um centro de aceleração digital para ajudar os funcionários a aprender sobre a nova tecnologia da IA.

"Temos um ambiente seguro e vamos testar o software em um laboratório", diz Tom Ivory, diretor de inovação estratégica da Capgemini. "Estamos experimentando dezenas de tecnologias de Inteligência Artificial no momento, e nem todas elas terão luz verde para seguir em frente."

A Capgemini treinará executivos e gerentes de entregas  sobre como usar essas ferramentas além de outras pessoas da equipe que trabalha com os clientes, diz ele.

A empresa também usa IA em suas próprias operações. Por exemplo, a Capgemini usa a tecnologia do fornecedor de automação UiPath e do IBM Watson para ajudar a processar currículos de candidatos a contratação.

"Normalmente usamos pesquisas de palavras-chave", diz ele. "Ao usar a Inteligência Artificial, há mais nuances que podem aumentar a taxa de sucesso do indivíduo que está sendo empregado em um projeto".

No início, a Capgemini usou o treinamento fornecido pelo fornecedor, mas logo conquistou massa crítica de especialistas internos.

"Nós tínhamos uma linha de base de gerenciamento que foi treinada, bem como pessoas que realmente teriam as mãos no teclado, estrategistas e pessoas que poderiam entender como essa tecnologia afetaria os processos de negócios", diz ele. Nesse ponto, a Capgemini promoveu  treinamento interno, usando modelos de treinamento adquiridos do fornecedor como ponto de partida.

Três anos atrás, a quanntidade de pessoas na empresa que treinavam nessa tecnologia estava na casa das dezenas - agora, existem milhares, diz ele.

Abraçando IA em toda a empresa
Para empresas de tecnologia que possuem componentes de IA em seus produtos ou serviços, o treinamento de funcionários é ainda mais crítico.

O Salesforce, por exemplo, vem adicionando inteligência à sua plataforma online de gerenciamento de relacionamento com o cliente. Isso significa que os funcionários internos precisam conhecer bem a tecnologia. Há uma plataforma de treinamento online, parte do mesmo sistema Salesforce Trailhead disponível para clientes externos.

"Temos nossa própria Trail, na qual temos todo esse material de aprendizado disponível gratuitamente, que permite que as pessoas aprendam como consumir a capacidade de IA que o Salesforce oferece", diz Marco Casalaina, vice-presidente de gerenciamento de produtos do Einstein. 

"A maioria não é cientista de dados", diz Casalaina. "E nosso treinamento é feito para pessoas assim, pessoas que não têm experiência em Ciência de Dados, mas querem fazer previsões".

Orientação peer-to-peer
A empresa de segurança cibernética Stealthbits Technologies também está investindo em habilidades de IA e Machine Learning, diz Jonathan Sander, CTO da empresa. "Parte do treinamento é externo e parte é peer-to-peer".

O treinamento real é diferente para diferentes grupos de engenharia, diz ele. "Para o pessoal de P&D que vai pôr a mão na massas, a oferta é a de cursos iniciais mais abrangentes, seguidos pelos materiais peer-to-peer que geramos e, finalmente, um sistema de orientação que temos para construir talentos de P&D."

No suporte, consultoria e pré-venda, os funcionários precisam entender como usar a tecnologia e comunicar seu valor.

"Nossos clientes sempre se beneficiam de engenheiros mais qualificados", diz ele, "e o treinamento em Machine Learning os preparou para dar a eles bons conselhos no uso de nossas soluções, assim como geralmente abordar Machine Learning como uma ferramenta valiosa".

Muitas empresas pensam que o Machine Learning é muito complexo ou obscuro para aprender - isso é um erro, diz ele.

"Ignore essas impressões e comece a treinar o quanto antes", diz ele.

Como o Stealthbits, a empresa de big data Insight Engines também vê muito valor no treinamento peer-to-peer.

"Começamos expondo de forma incremental novos funcionários a pequenas áreas de nosso pipeline de desenvolvimento, onde as mudanças que eles fazem têm impacto em grande escala em nossos clientes", diz Darien Kindlund, vice-presidente de tecnologia. Em seguida, eles passam a trabalhar na melhoria dos fluxos de trabalho, enquanto continuam sendo supervisionados por mentores experientes.

Até agora, cerca de 65% dos funcionários - técnicos e não técnicos - receberam esse tipo de treinamento, com foco em Machine Learning, processamento de linguagem natural e Ciência de Dados, diz Kindlund.

"Ao fornecer treinamento on-the-job focado no impacto do cliente em um ambiente aplicado, descobrimos que nossa equipe absorve, aprende e se baseia nessas habilidades muito mais rapidamente do que em um ambiente acadêmico", diz ele.

A Vectra Networks, fornecedora de segurança cibernética, também está se concentrando no treinamento no trabalho, ponto a ponto.

"Muitas vezes, temos mentores experientes acompanhando novos contratados em projetos para oferecer sugestões e orientá-los com abordagens de Machine Learning", diz Kevin Ni, líder da equipe de dados da empresa. "Ao treinar os funcionários aqui da maneira como fazemos, podemos orientar o desenvolvimento deles voltado para o espaço único do problema em que estamos. Isso significa que os clientes podem obter resultados mais rapidamente. Também incentivamos os funcionários a auditar aulas online se não estiverem familiarizados com assuntos específicos." "

Esperar que os funcionários aprendam sozinhos não é rápido o suficiente, diz Joseph Kucic, CSO da Cavirin Systems, um fornecedor de segurança cibernética. Até recentemente, ele estava no grupo de trabalho de IA da empresa na Verizon.

"No trabalho, o mentor do parceiro acelera a capacidade de transferir conhecimento e executar as metas de negócios", diz ele.

Se a necessidade de talentos em IA é extremamente urgente, então você pode tomar ações radicais, como adquirir talentos comprando outra empresa, diz ele. "Mas, a longo prazo, o foco precisa estar em uma abordagem parceiro/mentor."

Treinando no ritmo da mudança
Ao treinar funcionários em qualquer tecnologia emergente, é essencial acompanhar a taxa de inovação. Isso significa adotar uma abordagem contínua para promover novas habilidades.

A Invoca, uma empresa de inteligência de chamadas da Califórnia, lançou seu produto de Machine Learning, Signal AI, há cerca de um ano. Como o ML é agora um foco central da empresa, o treinamento é essencial.

"Realizamos sessões educacionais em todos os departamentos para educar as equipes internas sobre fundações de IA, bem como aquelas especificamente relacionadas à nossa oferta de soluções de IA", diz Sean Storlie, diretor de gerenciamento de produtos da empresa. Há treinamentos trimestrais da equipe de Ciência de Dados da empresa. Além disso, os funcionários podem fazer tutoriais online, conferências e treinamentos internos relacionados à IA

"Você não pode educar demais sobre este assunto, pois as coisas mudam muito  rapidamente nesta indústria", diz ele.

"Criamos softwares que supostamente também ajudam outras empresas a implementar ML e IA", diz Lalith Subramanian, vice-presidente de engenharia de segurança, descoberta e análise da OpenText. "Internamente, o que descobrimos é que as habilidades precisam ser constantemente atualizadas."

A empresa tem um programa de reembolso de mensalidades para os funcionários e também vem oferecendo programas de treinamento nos últimos três ou quatro anos, diz ele. "Por exemplo, se tivermos um tópico como redes neurais comutativas, trazemos uma empresa de treinamento e temos grupos de funcionários recebendo o treinamento", diz ele.

machinelearning

E se o funcionário que recebeu treinamento for embora?
Algumas empresas relutam em investir em treinamento relacionado à IA porque temem que os funcionários saiam imediatamente depois, aplicando suas novas habilidades em outro lugar.

"Na indústria de tecnologia, especialmente no Vale do Silício, um certo grupo de oportunistas receberá o treinamento mais recente para ter uma boa aparência nas entrevistas", diz Subramanian, da OpenText. "Mas eles são minoria", completa. Segundo ele, a experiência mostra que a oferta do treinamento ajuda na retenção, diz ele.

Outra empresa de segurança cibernética que oferece treinamento extensivo relacionado à inteligência artificial para os funcionários é Demisto.

"Não estamos preocupados com a retenção", diz o co-fundador da empresa, Rishi Bhargava. "Como empresa, acreditamos firmemente que funcionários melhor treinados são funcionários mais felizes e fazem seu trabalho melhor. Além disso, incentivar o aprimoramento de pessoal é apenas uma das facetas da cultura geral da empresa".

O treinamento contínuo também ajuda na retenção da Aetna, a terceira maior seguradora de saúde dos EUA. "Isso lhes ensina habilidades que estão crescendo em valor de mercado, e isso é bom para um profissional", diz Jim Routh, o CSO da empresa.

A Aetna tem um programa para ensinar os fundamentos da Ciência de Dados a todos os profissionais de segurança da empresa, diz ele. Permanecendo na Aetna, os funcionários não apenas continuam a receber esse treinamento, mas também podem usar as habilidades que aprendem em aplicativos de ponta, o que significa controles de segurança não convencionais e de última geração, acrescenta.



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