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Saiba como a nuvem pública pode impulsionar a Transformação Digital

Líderes de TI dão conselhos sobre a migração para serviços de nuvem pública para impulsionar a inovação, a agilidade e o crescimento de receita

Clint Boulton, CIO/EUA *

Publicada em 06 de agosto de 2018 às 16h52

Os serviços de nuvem pública estão se tornando uma arma estratégica para os CIOs. Mais do que uma maneira de substituir os data centers proprietários, a nuvem pública oferece aos CIOs a capacidade de se concentrar em projetos estratégicos que visam impulsionar os resultados. Quer isso signifique construir um aplicativo para dispositivos móveis ou analisar dados para fortalecer o envolvimento do cliente, essas mudanças sinalizam o quão estratégica a nuvem pública se tornou. Mas os CIOs também vêem a nuvem como uma maneira de construir software mais rapidamente adotando filosofias ágeis, DevOps e Design Thinking .

Como resultado, muitos CIOs estão adotando estratégias “cloud-first”. O mercado mundial de nuvem pública, também conhecido como infraestrutura como serviço (IaaS), cresceu 29,5% em 2017, totalizando US $ 23,5 bilhões, segundo dados do Gartner. "Os gastos com TI direcionados à nuvem constituem mais de 20% do orçamento total de TI para organizações que usam a nuvem", diz Sid Nag, diretor de pesquisa da Gartner. "Muitas dessas organizações agora usam a nuvem para dar suporte a ambientes de produção e operações essenciais aos negócios. "

Líderes de TI compartilharam com a CIO.com suas experiências e as lições aprendidas ao fazer uma mudança estratégica para a nuvem pública.

IoT na nuvem regula a temperatura da loja
Estendendo uma parceria estratégica de longo prazo, o Walmart está usando o Microsoft Azure como um componente chave de sua Transformação Digital, que inclui Machine Learning (ML), Inteligência Artificial e Internet das Coisas (IoT) para melhorar as operações e os resultados de negócios. 

Por exemplo, o Walmart está construindo uma plataforma IoT no Azure para analisar a transmissão de dados de milhares de sensores de refrigeração e HVAC, o que poderia ajudar a reduzir o consumo de energia nas cinco mil lojas do varejo, diz Clay Johnson, CIO da Walmart. Usando dados baseados no número de pessoas em suas lojas em um determinado momento, o Walmart pode ajustar automaticamente o ar condicionado. O Walmart também espera executar algoritmos ML no Azure para otimizar as rotas de seus caminhões de entrega.

Johnson diz que o Walmart também moverá aplicativos para RH e finanças para o Azure, tornando-os mais ágeis e, por extensão, ajudando os 2,3 milhões de funcionários da empresa a tomar decisões mais inteligentes. "Tudo remonta ao Azure", diz Johnson, acrescentando que espera que a nuvem da Microsoft estimule a inovação para ambas as empresas. "Nós aprenderemos com eles e eles aprenderão conosco."

O Walmart também está testando a ferramenta de relatórios MyAnalytics, da Microsoft, que ajuda os usuários de email do Office 365 a saber quanto tempo eles gastam em reuniões e emails. Ele também mostra quantas horas ininterruptas os funcionários gastam em tarefas importantes, com quais colegas passam mais tempo trabalhando e quanto tempo trabalham fora do horário comercial.

Próximo passo será construir um chatbot baseado no sistema de Business Intelligence da Microsoft e na Cortana, para ajudar os funcionários a encontrar informações corporativas e agendar reuniões automaticamente.

Dica da Johnson:  Uma vez que uma empresa está na nuvem, os CIOs devem garantir que tenham uma maneira de capturar e analisar o fluxo de dados dos sistemas conectados ou se arrisquem a perder a oportunidade de criar novo valor. "É sobre como usar esses dados para criar mais eficiência no trabalho", diz Johnson.

Nuvem alimenta pagamentos sem contato
A ExxonMobil escolheu a IBM para projetar, construir e hospedar seu aplicativo de pagamento móvel Speedpass +, que elimina a necessidade de os consumidores inserirem informações nas 11 mil estações dos Estados Unidos, segundo Devin Miller, gerente de desenvolvimento de aplicativos digitais da Exxon. 

Colocar a experiência do consumidor na vanguarda foi fundamental para a Exxon. O aplicativo, que está hospedado na nuvem pública da IBM, faz parte dos esforços de Transformação Digital da empresa para diferenciar-se dos rivais, diz Miller. Em vez de iniciar várias etapas na bomba, incluindo inserir um CEP, optar por uma lavagem de carro ou resgatar pontos de fidelidade, os consumidores iniciam o abastecimento tocando em um botão no aplicativo Speedpass +. Eles também podem pagar por lavagens de carro e coletar pontos de recompensa no aplicativo, que tem mais de 1 milhão de downloads na Apple App Store e no Google Play.

Além de acelerar o processo de abastecimento, o Speedpass + é mais seguro porque é sem contato. Os usuários não precisam usar um cartão de crédito, que pode ser suscetível a roubo na bombas onde os criminosos usarem "skimmers" para sugar informações de pagamento dos consumidores, diz Miller. O desafio é garantir que o Speedpass + funcione 24 horas por dia, 7 dias por semana, em todos os lugares em que os consumidores pretendem usá-lo, diz Miller.

Miller também diz que a nuvem pública da IBM, baseada em uma parceria de longa data na qual a Exxon usou sistemas IBM em seus próprios datacenters, provou ser extremamente confiável para garantir a disponibilidade do aplicativo. "Isso nos ajuda a atingir nosso objetivo de aumentar a lealdade dos consumidores e, ao mesmo tempo, eliminar pontos problemáticos ou atritos na jornada dos consumidores", diz Miller.

Conselho:  uma vez que um novo serviço digital toma conta, não há como voltar atrás, e é por isso que a plataforma na qual um aplicativo é hospedado deve ser resiliente e estar sempre disponível, diz Miller. Os consumidores esperam uma experiência semelhante à da Amazon.com em todas as interações digitais, diz ele, e, se não funcionar, sua fé e lealdade na marca podem ser abaladas. "Quando essa experiência está em uma plataforma digital, as expectativas são aumentadas por padrão", diz Miller.

Operações de racionalização
Em 2015, o CTO do Grupo DHI, Klavs Miller, viu-se lutando com os ativos de TI descentralizados graças a anos de fusões e aquisições, cada qual aparentemente trazendo consigo uma nova plataforma hospedada por um fornecedor diferente. Fazer malabarismos com essas plataformas díspares foi um "obstáculo ao novo negócio", à medida que a TI lutava para se concentrar em novas iniciativas, diz Miller. A DHI opera websites de recursos de carreira, principalmente o Dice.

Miller procurou o Amazon Web Services para hospedar novos produtos e migrar as cargas de trabalho existentes para obter um melhor controle sobre a TI. Ele e sua equipe técnica se uniram, criando uma força-tarefa para descobrir como refatorar certos aplicativos para a AWS.

A DHI migrou primeiro os Hcareers e Health eCareers antes de vendê-los no ano passado. Posteriormente, transportou os ativos existentes ClearanceJobs, eFinancialCareers e Dice para a AWS. A última migração incluiu uma mudança dos sistemas de banco de dados Oracle para o software AWS RDS.

"Tem sido um sucesso retumbante comercialmente, por ter melhorado o desempenho de nossos serviços", diz Miller. "A equipe estava comprometida em fazer funcionar.

Sugestão de Miller:  Reconhecendo que as instâncias de nuvem estavam acumulando taxas de serviço, Miller instalou um gerenciador de conformidade com a nuvem para selecionar e aprovar instâncias e monitorar o uso. Esse engenheiro, por exemplo, questiona as equipes de desenvolvedores sobre suas necessidades de computação em nuvem e as ajuda a fazer escolhas responsáveis. "Essa definitivamente foi uma questão com a qual lidamos", diz Miller. "Nós fazemos muito rastreamento de custos, alguns automatizados, alguns manuais."

O gerenciamento de documentos se move para a nuvem
Quando os funcionários da Liberty Mutual reclamaram que o download de documentos grandes do sistema de arquivos legado era uma tarefa árdua, o CIO, Mojgan Lefebvre,  adotou um sistema de gerenciamento de conteúdo baseado em nuvem em execução na Amazon Web Services .

Agora, 1.600 assinantes, e outros funcionários espalhados por 46 escritórios em 18 países, baixam e compartilham cerca de 500 mil arquivos digitais em qualquer lugar do mundo, diz Lefebvre. Os funcionários da Liberty acessam o conteúdo do sistema de gerenciamento de documentos em nuvem Alfresco, que é executado nos data centers regionais da AWS. Essa localização serve os documentos com pouca ou nenhuma latência, enquanto economiza cerca de US$ 21 milhões em custos com papel, impressão e armazenamento.

Agora a Liberty está expandindo sua implementação do Alfresco na AWS para outras áreas. Lefebrvre antecipa que a Liberty armazenará aproximadamente 300 milhões de documentos dessa maneira até o final de 2018.

Lição aprendida:  informe os funcionários sobre a mudança antecipada e forneça treinamento conforme necessário. Além disso, certifique-se de fornecer uma "mensagem consistente aos usuários finais e de definir expectativas, além de ter os processos implementados para dar suporte aos usuários finais", diz Lefebvre.

Controle de processo na nuvem
A Honeywell International adotou soluções de nuvem pública da IBM para gerenciar sistemas de controle de processo na produção de petróleo e gás, uma medida que reduz os custos para os clientes sem sacrificar a confiabilidade, afirma Jason Bear, vice-presidente e gerente geral dos negócios de soluções de processo da Honeywell.

Anteriormente, a equipe de TI  gerenciava o software em execução nas fábricas. Hoje, gerencia o uso de aplicativos do sistema de controle no VMware, que, por sua vez, é executado na nuvem da IBM. "Ao implantar nosso sistema de controle na nuvem, passamos a pode fornecer a eles as ferramentas para operar com segurança, confiabilidade e eficiência, enquanto eliminamos a infraestrutura de TI que eles precisariam", diz Bear.

A Honeywell também usa o Microsoft Azure para coletar e analisar dados de uma variedade de plantas de processamento. Essas informações ajudam a aconselhar os clientes sobre como melhorar o rendimento, o tempo de atividade e a implantação da equipe.

Desafios:  migrar para a nuvem representava desafios de gerenciamento de mudanças para uma equipe acostumada a gerenciar software e hardware on-premse. 

Nuvem pública ajuda a garantir velocidade e agilidade
A nuvem pública é parte integrante da MetLife, onde Alex Seidita, arquiteto-chefe de tecnologia e CIO da companhia, usa software em nuvem para diferenciar a empresa e melhorar as operações. Rapidez e agilidade nos negócios são os maiores motivos pelos quais a MetLife migrou para a nuvem, mas a nuvem também "traz economia por meio da automação", diz Seidita.

A MetLife usa o Microsoft Azure para fornecer energia aos seus microsserviços, incluindo recursos de call center e o Infinity, um aplicativo para armazenar fotos, documentos e outros conteúdos dos clientes. Como resultado, a MetLife reduziu o tempo para implantar novas máquinas virtuais em uma média de 83%. A empresa também consome o IBM Softlayer para operar o disaster-recovery-as-a-service.

A mudança para o Azure e o Softlayer teve um benefício adicional, já que as equipes de Seidita usaram melhores práticas coletadas da nuvem para suportar os próprios data centers da MetLife. "Conseguimos aproveitar os mesmos tipos de recursos internos e externos para automação, o que impulsiona velocidade e agilidade", diz Seidita. 

Conselho: os  CIOs, especialmente aqueles que trabalham em setores regulamentados, devem avaliar seriamente quais serviços de software são apropriados para migrar para a nuvem. A MetLife criou uma “avaliação de adequação à nuvem”, na qual o inventário de aplicativos é examinado para determinar quais aplicativos podem ser movidos para a nuvem e quais novos aplicativos devem ser desenvolvidos na nuvem, com base nos requisitos de segurança e governança.

cloud

Integração sem traumas
A história da Latam Airlines é bastante conhecida pela complexidade de união de duas empresas não apenas de países diferentes, mas com culturas totalmente distintas. Passada a fase mais crítica, a companhia tem apostado em um grande processo de transformação que envolve uma ampla jornada rumo à computação em nuvem, tendo como pano de fundo a consolidação de quatro data centers em dois, na primeira fase, podendo chegar a um em cinco anos.

A Google Cloud foi escolhida para ser a principal nuvem da Latam Airlines. Arquitetura, design, equipe de engenharia preparada para o desenvolvimento de novas funcionalidades e com muita agilidade, além de questões financeiras pesaram na decisão da companhia para fazer esse movimento com o gigante das buscas, como explicou o CIO da empresa, Dirk Jhon.

Da Google Cloud, além da nuvem puramente dita, a companhia já adotou todas as aplicações da G Suite, existia no passado parte dos funcionários que faziam uso das soluções por não estarem nos escritórios da companhia aérea, principalmente a tripulação. Mas durante o processo de consolidação das operações, sentiu-se a necessidade de criar uma sinergia maior não apenas entre as operações brasileira e chilena, mas entre todos os funcionários da companhia. Foi quando decidiu-se expandir o uso da G Suite para toda a corporação.

“É um grande desafio mudar a forma de trabalhar e pensar por meio da tecnologia. A nuvem já representa uma grande mudança para a empresa, com alto nível de inteligência, principalmente para uma companhia que vinha apostando em infraestrutura própria”, comentou Jhon, passando a palavra para o CTO da companhia, Francisco Garcia: “tem sete anos que começamos com a G Suite, iniciando pelos tripulantes que estavam totalmente desconectados e, há um ano, decidimos levar para a empresa inteira, ou seja, colaboradores de todos os países onde estamos e isso trouxe uma mudança de cultura muito grande na empresa. Conectou todos os funcionários, o que nos permitiu gerar uma integração e um trabalho muito mais colaborativo. Nos conectados com qualquer ponto de atendimento por videoconferência para alinhar processos ou novidades, foi uma mudança muito importante”, detalhou.

O projeto está em sua fase inicial, mas existe pela frente muito trabalho a ser realizado. O processo de consolidação dos quatro data centers da companhia em dois ainda está em andamento e, em quatro ou cinco anos, a ideia é manter apenas um, por questões regulatórias, como explicou Garcia.

Nessa jornada de quatro anos, também está a avaliação de quais sistemas críticas serão levados para o ambiente de nuvem. Atualmente, como lembrou o CDO da empresa, Dimitris Bountolos, toda a infraestrutura de atendimento aos clientes já roda em nuvem e isso é extremamente crítico para uma empresa do setor aéreo.

O ERP ainda é on premise, por exemplo, mas já existe um desejo de levaá-lo para nuvem, todos os sistemas corporativos estão sofrendo esse tipo de avaliação e os casos estão sendo escritos para avaliação e decisão sobre o ambiente onde rodará após atualização. Do ponto de vista de serviços aos clientes, os executivos garantem que centenas de autosserviços são entregues nos aeroportos, já existe o início da oferta de Wi-Fi nos voos e um avanço no uso de analytics para ofertas cada vez mais personalizadas.

“Queremos ser rápidos e eficientes nas respostas aos clientes e nossos canais digitais precisam responder a essa realidade. É uma jornada contínua e agora conectamos isso aos negócios. É uma revolução silenciosa e contínua. Queremos colocar o cliente no centro das decisões. Estamos expandindo a solução de rastreamento de bagagem e, em breve, o check-in nativo no aplicativo estará disponível para toda a rede Latam, de maneira simples e fluída”, completa Bountolos.

 

(*) Com a colaboração de Vitor Cavalcanti, da It Mídia, na descrição do case da Latam



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