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Indústria 4.0: O que é, por que adotar e por onde começar

Pensando em time-to-market, sai na frente a indústria com linhas de produção flexíveis e automatizadas, processos mais ágeis e colaboradores com hard skills e soft skills que possam suportar a operação

Bianca Machado Branco *

Publicada em 06 de julho de 2018 às 06h36

Você, C-Level do setor industrial brasileiro, já deve ter ouvido falar bastante em Indústria 4.0, Quarta Revolução Industrial, Manufatura Avançada, Transformação Digital na Indústria ou Internet Industrial das Coisas.

Sua empresa tem que entrar nessa? O que acontece se não ela não aderir? Que benefício sua organização terá com isso?

Essas e outras perguntas passam pelas cabeças de executivos que já se depararam com inovações relativamente recentes no país - como as fábricas inteligentes - e o movimento das startups de tecnologia.

De forma geral, a chamada Indústria 4.0 é uma mudança disruptiva no processo produtivo, que impacta toda a cadeia de valor. Mas o que ela tem de diferente das revoluções anteriores?

Cada revolução industrial teve a sua marca: na 1ª Revolução Industrial o que se destacou foi a mecanização e os trens à vapor (que ampliaram a distribuição dos produtos); na 2ª Revolução a eletricidade foi o fator-chave da mudança, quando surgiram as linhas de produção; e a 3ª Revolução ficou marcada pela automação e pela robótica – sistemas de gestão como ERP, MES, entre outros, surgiram e ganharam força nesse período. A 4ª Revolução Industrial é baseada nas palavras conexão e colaboração.

O que significa colaboração no contexto da produção? Ela está presente na cooperação entre clientes, fornecedores, parceiros, governos e outros agentes da cadeia de valor - por meio de plataformas de serviços e de desenvolvimento de software, por exemplo. Está presente na interoperabilidade entre máquinas, sistemas, dispositivos e pessoas – estamos falando da Internet das Coisas, de Cloud Computing e de sistemas cyber-físicos (CPS). Até mesmo as tomadas de decisão implicam a colaboração entre pessoas e soluções de Big Data, Gêmeos Digitais e Inteligência Artificial – considere aqui as possibilidades de análises preditivas e de simulações.

OK, acho que entendi. Mas como saber em que pé estamos?

Um primeiro passo é identificar qual a maturidade do seu negócio em relação à transformação digital. Será que a sua indústria já está na era 3.0, pronta para dar o salto para a 4.0?

A filosofia na sua empresa é Lean? Os processos são ágeis? Os controles produtivos são automatizados?

É possível fazer um primeiro diagnóstico no site criado pela ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial): https://www.industria40.abdi.com.br

Empresas especializadas em automação industrial e Indústria 4.0 também podem oferecer consultoria direcionada.

Talvez você já saiba qual é a situação da minha empresa... Mas o que ela ganha com a mudança? E qual é o impacto de não mudar?

Você já deve ter percebido que o mercado consumidor está mais exigente, buscando produtos personalizados, customizáveis, feitos sob medida. E mais ansioso – ninguém tem tempo a perder. Portanto, lançar um produto ou serviço tornou-se uma corrida de “quem faz primeiro”, corrida essa disputada por empresas tradicionais e startups – organizadas em ecossistemas, com soluções complementares e colaborando entre si.

E depois que um novo produto é lançado no mercado, o desafio é produzir em escala, porém com personalização em massa. Pensando em time-to-market, sai na frente a indústria com linhas de produção flexíveis e automatizadas, processos mais ágeis e colaboradores com hard skills e soft skills que possam suportar a operação - na velocidade ditada pelo mercado.

Já imaginou um concorrente mais ágil e inovador que você, que trabalha com Realidade Virtual ou Realidade aumentada, por exemplo?

Ou uma startup que apareceu ontem e já ameaça o seu negócio, usando impressão 3D talvez, e ainda com menor custo?

Nosso cenário atual é de mudança constante e incerteza. Resistir aos ventos da mudança em vez de se adaptar ao novo é perder market share. Simples assim.

O benefício, além de gestão mais eficaz, eficiência na operação, redução de custos de produção e contar com pessoal mais capacitado, é sobreviver na selva e tornar-se mais ágil e competitivo.

industria40

Quer iniciar a jornada para a Indústria 4.0 ?! Por onde começar? Onde obter recursos?

Você precisa identificar seus parceiros de inovação, em primeiro lugar. Vá a feiras do setor, frequente palestras e participe de treinamentos de organizações com expertise nas tecnologias e transformações que fazem parte da Indústria 4.0, tais como: fornecedores de sistemas ERP e de gestão de chão de fábrica; consultorias com experiência em transformação Lean e transformação ágil; empresas de tecnologia com know-how em soluções de IoT, Big Data, Machine Learning e Cloud; e até mesmo parceiros especializados em conduzir mudanças organizacionais e comportamentais, pois a barreira cultural costuma ser a primeira e mais difícil de se ultrapassar quando uma mudança disruptiva está em curso. Vale inclusive seguir empresas e especialistas nos assuntos citados em redes sociais como o LinkedIn para troca de experiências e aprendizado.

Pensando no fomento da Indústria 4.0 no Brasil, o governo federal lançou este ano duas grandes iniciativas: a “Agenda Brasileira para a Indústria 4.0” e o “Plano Nacional da Internet das Coisas”. Ambas são políticas de Estado, e não de governo.

O BNDES é o principal parceiro do governo no sentido de financiar projetos da iniciativa privada, contando com um canal de IoT para financiamento de pilotos e canais para compradores.

O GTI 4.0 (Grupo de Trabalho da Indústria 4.0, formado por mais de 50 instituições representativas) está trabalhando em parceria também com bancos privados e agências de fomento, como FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) e FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para viabilizar opções de financiamentos acessíveis à diferentes empresas e necessidades.

Por fim, a fábrica inteligente é a convergência entre novas tecnologias que trabalham de forma colaborativa e novos profissionais, que não são apenas técnicos altamente especializados, mas também pessoas com habilidades multidisciplinares, capacidade crítica, pensamento criativo e visão holística - qualidades que fazem parte de um novo mindset. E estes novos profissionais não podem ser substituídos por máquinas.

 

(*) Bianca Machado Branco é head de Pesquisa e Desenvolvimento da PPI-Multitask



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