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O que diferencia um Blockchain público de um privado

Especialistas apontam as vantagens de cada modelo

Da Redação

Publicada em 03 de março de 2018 às 15h38

Os gastos mundiais em soluções de Blockchain chegarão a US$ 2,1 bilhões em 2018, número mais do que o dobro maior que os US$ 945 minhões registrados em 2017, segundo dados da IDC. E o crescimento não vai parar por aqui. A previsão é de que os investimentos cresçam em ritmo acelerado até 2021, com taxa de crescimento anual composta de 81,2%, chegando a US$ 9,2 bilhões em 2021.

Apesar de estar cada vez mais consolidada, a nova tendência ainda gera dúvidas para empresas.

Uma delas é: qual a diferença entre Blockchain privado e público?

Segundo definição da SAP, em material sobre sua plataforma Leonardo, no Blockchain público "todos podem ler e enviar transações ou participar do processo de consenso em um blockchain público, pois este tipo de Blockchain não requer 'permissão'. Todas as transações são públicas e os usuários podem permanecer anônimos."

Já os privados "são controlados por uma única organização que determina quem pode ler e enviar transações e participar do processo de consenso. Como são 100% centralizados, os Blockchains privados funcionam bem como áreas restritas (sandbox), mas não são indicados para ambientes de produção."

Há ainda outros dois tipos de redes de Blockchain. O consórcio de Blockchain, que, também segundo definição da SAP, "é controlado por um grupo predefinido – de corporações, por exemplo. O direito de ler e enviar transações para o blockchain pode ser público ou restrito aos participantes. Os consórcios de blockchain são considerados “com permissão” e são os mais indicados para a maioria das empresas."

Ainda, há os Blockchains semi privados, que "são administrados por uma única empresa que concede acesso a qualquer usuário que atenda aos critérios preestabelecidos. Embora não seja realmente descentralizado, este tipo de blockchain com permissão é mais interessante para casos de uso de B2B (business to business) e aplicações governamentais."

Dentre as quatro maneiras de criar uma rede de Blockchain, a SAP considera o consórcio o modelo mais aceito atualmente no mundo dos negócios.

Quais as vantagens de cada um dos modelos?
Wellington Lordelo, gerente de Solution Marketing da Equinix, explica que a principal diferença entre público e privado é o mecanismo de consenso. "No público, os usuários não se conhecem, portanto o nível de confiança é baixo, necessitando uma sobrecarga computacional maior. Assim, a verificação ou validação de cada transação é bastante alta e demorada", diz.

Regina Nori, especialista em projetos de planejamento estratégico de TI na IBM no Brasil, lembra que o bitcoin - principal criptomoeda do mundo - é um exemplo de uso no Blockchain público.

Já na conexão privada, Lordelo diz que a confiança é maior, pois é baseada na permissão de acesso. "É possível fazer uso de algoritmos compartilhados mais simples e rápidos. Como resultado, em vez de algumas transações por segundo, é possível fazer milhares delas", explica.

Além disso, o executivo destaca que, em Blockchains privados, os registros das transações podem ser criptografados e estão disponíveis apenas para as partes autorizadas, o que, por sua vez, ajuda a satisfazer os requisitos de privacidade dos participantes.

Regina comenta também que, no privado, é possível saber quem são os parceiros e só entra na cadeia quem for permitido pelo administrador do Blockchain. "É um ambiente bastante controlado", completa.

Para a Equinix, o Blockchain privado deve passar a atrair mais empresas em 2018, principalmente por serem redes fechadas, em que a gestão da identidade digital é feita de forma mais segura.

blockchain

Outras perguntas e respostas sobre Blockchain

1. O que é?
Lordelo explica que o Blockchain, em sua essência, é simplesmente uma nova tecnologia de rede de distribuição de informações, com algumas propriedades especiais, como:

- Sem um único administrador, baseia-se em um modelo de confiança compartilhada entre usuários, totalmente descentralizado.

- Os registros não são atualizáveis, assim não há como alterar transações realizadas. Ele permite apenas inclusões.

- Tem um único esquema lógico (virtual) global que é armazenado por meio de várias cópias físicas distribuídas.

2. Como a tecnologia já está sendo usada?
O uso do blockchain vem sendo feito basicamente como meios de distribuição de criptomoedas; como uma plataforma (autorizada) para trazer benefícios de custo e eficiência nos processos de negócios das empresas; como ferramenta para garantir integridade e segurança de dados.

3. Quais os benefícios para os usuários?
Os usuários estão estudando seriamente a tecnologia blockchain em verticais como supply chain, trading e mercado financeiro, governo e no segmento de health care. Eis a razão:

- Manutenção de registros inalteráveis: agências governamentais e empresas estão interessadas em manter o controle de dados, com a garantia de não serem alterados.

- Utilização da ferramenta para denuncia de notícias falsas que circulam pela internet.

4. Qual o futuro?
Segundo Lordelo, inicialmente o uso do Blockchain pelas empresas tem acontecido com o intuito de completar os sistemas de TI existentes, sem, no entanto, adotá-lo em seus principais processos corporativos.

A adoção do Blockchain não envolve apenas integração da tecnologia à uma infraestrutura de TI, mas trata-se de um negócio que também está mudando processos internos. É preciso que a organização perceba o que a tecnologia pode fazer pelo seu negócio e o potencial do valor agregado. "Isso ainda pode consumir vários anos em um processo de tentativa e erro", acredita Lordelo.



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