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Prós e contras da criação de aplicativos nativos da nuvem

CTOs experientes sabem que esses aplicativos são o “ingrediente secreto” que ajuda as empresas a transformar radicalmente seus setores e crescer

Kong Yang *

Publicada em 09 de novembro de 2017 às 13h37

Uma recente pesquisa da Capgemini revelou que 15% dos novos aplicativos empresariais de hoje são nativos da nuvem, o que significa que foram projetados especificamente para uma arquitetura de computação em nuvem. Há uma estimativa de que esse número suba para 32% até 2020, e é bem provável que seja atingido por causa de um desgaste gradual da infraestrutura local. Certamente, as empresas estão cada vez mais considerando a nuvem em virtude do aumento na receita e da redução nas despesas operacionais que costumam estar associados a ela, mas vale a pena avaliar melhor se isso realmente é ideal para os seus negócios. Neste artigo, vamos explorar os prós e os contras de se viver no mundo nativo da nuvem.

Nos últimos anos, o sucesso observado por provedores de serviços de nuvem (CSPs, Cloud Service Providers), como a Amazon Web Services (AWS) e o Microsoft Azure, é um indicativo do triunfo ainda maior que a computação em nuvem está vivenciando em relação à infraestrutura local tradicional. A nuvem agrega um valor intrínseco por meio de agilidade, disponibilidade e escalabilidade.

A agilidade permite que você consuma o melhor serviço do CSP e incorpore-o com total habilidade ao seu projeto arquitetônico e de aplicativos. Você pode obter a disponibilidade por meio do tempo de atividade do aplicativo e da abundância de opções de serviços que é sempre oferecida pelo CSP. A escalabilidade permite que você aumente o seu ROI e reduza as despesas, além de adaptar seus aplicativos para atender a qualquer demanda, independentemente da escala. Porém, a dívida e a inércia tecnológicas costumam ser um desafio difícil de superar, exceto se você está criando, integrando e fornecendo aplicativos para uma empresa ágil.

Ainda assim, CTOs experientes sabem que esses aplicativos são o “ingrediente secreto” que ajuda as empresas a transformar radicalmente seus setores e crescer. Por isso, a necessidade de manter os aplicativos íntegros e em perfeita execução ao gerar receita supera a inércia. Veja a seguir duas maneiras de resolver a questão da dívida e da inércia tecnológicas:

  • - Faça uma análise de pessoal. Se a sua equipe não tem as habilidades adequadas nem meios para continuar aprimorando essas habilidades, talvez seja hora de contratar novos profissionais que possam ajudar você a viabilizar os aplicativos nativos da nuvem. Tome medidas para investir em suas equipes e garantir que as habilidades delas evoluam constantemente para atender às necessidades dos aplicativos.  
  • - Reveja seus processos. Com a tecnologia herdada, vêm os processos antigos. Dessa forma, à medida que as estruturas tecnológicas mudam, todo o ciclo de vida do aplicativo é alterado, e novos métodos e etapas evoluem para acompanhar essas mudanças. Elabore um plano para avaliar os processos com frequência e verificar se eles ainda atendem aos seus requisitos.

Quais são os prós da criação de aplicativos nativos da nuvem?
O principal benefício de um aplicativo nativo da nuvem é causar um impacto positivo nos resultados da empresa por meio de sua disponibilidade, agilidade e escalabilidade. Por exemplo, um aplicativo local monolítico poderá ter um impacto negativo se for insuficiente por algum motivo, como altas latências, ciclos de versão e atualização lentos e qualquer tempo de inatividade para manutenção, atualização ou problemas. Por ser monolítico, qualquer alteração no código do aplicativo, incluindo novos recursos e atualizações e integração com infraestrutura, afetará seu consumo para os usuários finais e terá definitivamente um impacto negativo sobre os resultados. Quando ele é transformado em um aplicativo nativo da nuvem, você pode projetá-lo como microsserviços executados em contêineres efêmeros, o que aumenta a agilidade, já que atualizações e versões podem ser feitas sem desativar o aplicativo em execução.

Em outras palavras, isso significa que a manutenção ou a atualização de um microsserviço não afeta a eficiência de geração de receita do aplicativo nativo da nuvem. Esse aspecto da abordagem nativa da nuvem fornece integração e entrega contínuas. Você não precisa mais planejar uma janela de manutenção de seis meses. As lógicas nativas da nuvem permitem eliminar o ciclo de vida do aplicativo empresarial tradicional e assumir um ciclo rápido de teste e implantação, no qual é possível realizar prontamente testes de controle de qualidade, identificar bugs e solucionar problemas pendentes.

Além disso, o cumprimento dos princípios de criação das práticas recomendadas na arquitetura do aplicativo distribuído ajuda a proteger contra tempo de inatividade, mesmo que uma região inteira tenha que ser desativada, já que as práticas recomendadas de disponibilidade não contam com um único ponto de falha, o que inclui uma região do CSP. No fim das contas, o desempenho e a integridade do aplicativo podem ser mantidos pela abordagem nativa da nuvem em relação aos aplicativos.

Os CSPs facilitaram ainda mais as vantagens de ser nativo da nuvem, pois estão sempre lançando atualizações de serviços e novos serviços, conforme descrito nas atualizações de serviços mensais deles. Se você ler os detalhes, poderá se surpreender com a quantidade de serviços que foram corrigidos ou atualizados sem nenhuma interrupção em seu aplicativo. Esse é o ideal do consumo sem atrito.

Quais são os contras?
Onde há prós, quase sempre há contras. O uso dos serviços de nuvem pode trazer benefícios à sua organização, mas você precisa se lembrar de que é necessário um conhecimento realístico das vantagens que sua organização pode ter. Antes de adotar a nuvem, considere se a sua organização tem a competência interna necessária para criar aplicativos nativos da nuvem e aproveitar totalmente os benefícios. Do mesmo modo, considere se os CSPs poderão fornecer a você os serviços que lhe permitirão realmente destacar a inovação do seu aplicativo e ganhar credibilidade em sua base de clientes e usuários finais.

Há muitos fornecedores, plataformas e até tecnologias, portanto faça uma pesquisa e familiarize-se profundamente com as necessidades de sua organização e os requisitos do aplicativo para evitar restringir-se a um único fornecedor. Em outras palavras, depois que seu aplicativo estiver restrito à AWS, será necessário muito trabalho para migrá-lo para o Azure, e é por isso que você precisa ter certeza de suas necessidades. A mobilidade entre nuvens ainda é um desafio. Nenhum fornecedor deseja que você saia do ecossistema deles para o de um concorrente.

Outra desvantagem de usar aplicativos nativos da nuvem é o controle reduzido sobre as personalizações. Pela natureza específica da nuvem, a AWS e o Azure controlam seus próprios ambientes e os serviços que fornecem, assim eles podem remover ou atualizar serviços, aumentar taxas ou forçar atualizações conforme desejarem.

Por fim, os recursos de monitoramento e solução de problemas oferecidos pelos fornecedores podem não ser suficientes para ajudar você a encontrar o ponto único da verdade necessário para resolver problemas em seu aplicativo. A razão disso é que os conjuntos de ferramentas usados para monitorar seus aplicativos nativos da nuvem e os diversos serviços do CSP não são adaptados e consolidados como os conjuntos de ferramentas de monitoramento de ponta a ponta tradicionais.

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Amplie as habilidades para o mundo nativo da nuvem
Ao passo que as habilidades em solução de problemas adquirem mais importância, não é preciso dizer que o motivo de você migrar para a nuvem é tornar-se altamente disponível, permitir a expansão e aumentar a agilidade. Por essas razões, a automação e a orquestração são habilidades essenciais que precisam ser aprimoradas para aproveitar todas as vantagens da migração dos aplicativos para a nuvem.

Além disso, seu conhecimento e experiência em monitorar com disciplina um ambiente de TI híbrida servirão como uma forte base para o método nativo da nuvem. As técnicas de monitoramento usadas em máquinas virtuais, servidores, armazenamento e redes (também conhecidas como operações de TI) são um conhecimento que pode ser aproveitado nas novas estruturas tecnológicas, como serviços de nuvem, microsserviços, contêineres e Funções como serviço. As plataformas nativas da nuvem são desenvolvidas com base em recursos de commodity escalonáveis em uma arquitetura distribuída de hiperescala para sustentar o ambiente de vários locatários, portanto use a estrutura DART/SOAR para obter visibilidade e manter a integridade e o desempenho ideais de seus aplicativos nativos da nuvem.

Práticas recomendadas
À medida que mais organizações migram para aplicativos nativos da nuvem, você precisará de mais habilidades. Porém, há algumas práticas recomendadas adicionais que podem facilitar a transição e direcionar você para o sucesso:

Adote o princípio KISS. Keep It Stupid Simple ("simplifique ao extremo", em tradução livre). Os serviços oferecidos pelos provedores de tecnologia estão em constante evolução. O que a AWS ofereceu no ano passado pode não ser que ela oferece este ano. À medida que você integra e fornece seu aplicativo, lembre-se de mantê-lo simples e acabar com aquelas camadas complexas.

Estabeleça suas linhas de base e consulte as tendências. Alguns CTOs e CIOs não têm certeza de que migrar para a nuvem melhorou o desempenho de seus negócios. Ao usar um conjunto de ferramentas de monitoramento de ponta a ponta, você pode primeiro estabelecer as linhas de base e consultar as tendências de desempenho e integridade de seu aplicativo. Só com o suporte dos dados será possível afirmar, com toda a certeza, se a nuvem ajudou a aumentar ou perder a eficiência e identificar os motivos que levaram você a chegar a uma dessas duas situações.

Confie, mas verifique. É com base nesse "modus operandi" que todos os engenheiros devem seguir suas carreiras. Você pode confiar que os serviços da AWS ou do Azure são fáceis de consumir e implantar, mas antes de escolher um provedor de serviços, saiba o que ele tem para oferecer e compare com as reais necessidades de sua organização. Se, ao longo do tempo, o seu aplicativo nativo da nuvem perder qualidade de serviço, conformidade ou facilidade de consumo com os serviços integrados fornecidos pelos CSPs, reavalie se não é melhor revertê-lo a um aplicativo local.

Conclusão
A migração das empresas para a nuvem está se tornando cada vez mais aparente, e com ela surgem as oportunidades. Saiba quais são as habilidades nativas da nuvem necessárias em sua organização e tome as medidas cabíveis para ampliar seu conhecimento e sua experiência de nuvem existentes. Aproveite o conjunto de ferramentas de monitoramento adequado para entender melhor os resultados que a nuvem pode oferecer à sua organização. Em resumo, os aplicativos nativos da nuvem permitirão que as organizações trabalhem com transações comerciais no mesmo nível de escala, agilidade e disponibilidade que a AWS e o Azure. 

 

(*) Kong Yang é Head Geek da SolarWinds

Artigo originalmente publicado em: https://www.cloudstrategymag.com/blogs/14-the-cloud-strategy-blog/post/86776-living-and-building-in-a-cloud-native-world



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