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Sete formas simples dos projetos Agile falharem

Criar e manter um programa ágil bem-sucedido requer um forte compromisso e planejamento cuidadoso. Mas arruinar uma iniciativa funcional desse tipo é incrivelmente fácil

Da Redação, com IDG News Service

Publicada em 31 de outubro de 2017 às 17h06

“O sucesso tem muitos pais, enquanto o fracasso é um órfão” dizia JohnF. Kennedy e muitos líderes empresariais citam a frase. No entanto, quando se trata de iniciativas Agile fracassadas, a declaração pode ser modificada para algo como: “o sucesso é um esforço de equipe, e o fracasso, simplesmente culpa de todos”.

O mau planejamento por parte de uma equipe pouco preparada e mal informada, que estabeleça objetivos irrealistas, geralmente condena um projeto desde o início. 

Há sete formas simples de minar os projetos Agile:

1 - Planejar em termos vagos e de forma caótica
Um dos grandes mitos em torno das metodologias Ágeis é que o planejamento e a estrutura não são essenciais. No entanto, isso simplesmente não é verdade. “Não há desculpas para o caos ou ausência de gestão”, diz Alan Zucker, diretor fundador da Project Management Essentials, uma empresa que fornece gestão de projetos e serviços ágeis.

“O planejamento é essencialmente a sua estratégia de execução”, observa Umair Aziz, diretor-chefe de inovação e tecnologia da Creative Chaos, que fornece serviços de produção, casting e desenho de eventos. O Agile Release Train (ART) é uma ferramenta básica de planejamento que alinha equipes individuais a uma missão comum de negócio e tecnologia.

“A gestão sênior seleciona projetos que deverão resultar na melhor relação de custo/ benefício para a empresa”, diz Rod Cortez, consultor sênior e gestor de envolvimento da empresa de consultoria de tecnologia do grupo PSC. A produção das funcionalidades é estimada pelas equipes ágeis e planejadas em uma estrutura de “sprints”.

“As empresas que usam uma metodologia de desenvolvimento Ágil de forma eficiente podem planejar a produção de recursos e a execução de projetos, com três a doze meses de antecedência e alta percentagem de sucesso”, considera Cortez.

2 - Formar uma equipe instável e mal seleccionada
A sinergia entre os membros da equipe é a chave para um programa Agile bem-sucedido. “Se você tiver pessoas que já trabalharam juntas ‒ e compreendem os pontos fortes e fracos umas das outras ‒ você tem uma vantagem frente a uma equipe de estranhos”, diz Aziz.

Quando se monta uma nova equipe torna-se vantajoso escolher pessoas com claro interesse e paixão no que fazem. Os recursos humanos existentes podem minimizar problemas complicados de resolver, considerando que as dependências entre equipes matam a agilidade, diz Steve Elliott, CEO da AgileCraft. “As ferramentas estratégicas de gestão de ciclos de vida de aplicações (ALM, sigla em inglês) podem ajudar a identificar e sugerir maneiras de otimizar equipes para reduzir dependências”.

Zucker acredita que todas as equipes Agile devem ser autosuficientes. “Em outras palavras, não precisem de confiar em outras equipes especializadas para completar seu trabalho”, diz. 

E recomenda aos gestores de projeto que procurem candidatos generalistas.

3 - Comunicar de forma “cifrada” e pouco frequente
Equipes Ágeis com atributos de comunicação pobres geralmente não são bem-sucedidas. “As metodologias Agile pedem equipes com fluxo de comunicação e informação contínuo”, diz Zucker. E de forma regular com o dono do produto.

Os rituais diários, como as retrospectivas sobre os “sprints” feitas em pé, fornecem as melhores formas de desencadear correções . “Se não houver uma correção de curso, interativa, a equipe nunca melhorará”, diz Aziz.

4 - Falta de entendimento sobre a abrangência ou foco do projeto
Ao contrário da maioria dos projetos tradicionais, o alcance de uma iniciativa Agile não está definida em livro. “Nos projetos Ágeis, o proprietário do produto define a visão e o plano”, diz Zucker. “A visão e esse plano orientam o processo de desenvolvimento”.

 Os elementos a serem desenvolvidos pela equipe são mantidos em uma carteira de produtos, uma lista hierarquizada de coisas a serem entregues. A cada incremento, a equipe escolhe e as funcionalidades ou características para desenvolver e entregar ao cliente.

5 - Testes mal feitos e ao acaso
O processo de testes é absolutamente crítico, diz o consultor de software Tom Brusehaver. “Ter testes unitários tornará os programadores mais confortáveis para mudar o código”, observa. “Os testes funcionais também ajudam a saber que, quando as coisas mudam, há efeitos, e talvez as mudanças precisem ser ajustadas.”

Os testes de integração também são críticos. “Com os pequenos incrementos durante os ‘sprints’, todos devem ser capazes de se sentir à vontade e seguros de que  o produto a ser desenvolvido fará o que o proprietário/cliente quer”, diz Brusehaver.

Muitas equipes usam práticas de desenvolvimento orientadas por testes, nas quais os cenários de teste são escritos antes do código do produto.

Agile

6 - Falha no suporte dado pela alta administração
Os benefícios das metodologias Agile são claros, mas é um erro assumir que todas as partes, particularmente os líderes empresariais, concordem com isso desde o início. “As transformações são muito caras, o que cria pressão para se ter resultados imediatos” diz Elliott. É importante que, antes de começar uma verdadeira transformação Ágil, haja a certeza de que alguém no topo da organização apóia uso da metodologia.

Um executivo que ganhe as “batalhas políticas” e insista nas razões do projeto repetidamente, com a equipe, aumenta as chances de uma entrega bem sucedida.

Também é importante abordar as preocupações dos funcionários e gestores que temem que as metodologias Agile possam afetar negativamente as suas carreiras. “Precisam perceber que podem cometer pequenas falhas e não ser punidos”.

7 - Desprezo em relação aos comentários dos clientes
O retorno obtido dos clientes é parte integrante do processo de entrega Ágil. “Uma das principais diferenças entre as disciplinas Ágeis e as metodologias de entrega tradicionais é que nos projetos Agile se espera que os comentários estejam disponíveis durante todo o projeto e não apenas em pontos de controle definidos”, diz Areiel Wolanow, diretor da consultora de segurança Finserv Experts.

O retorno do cliente é essencial para garantir que, independentemente do desenvolvimento feito pela equipe ágil, a solução esta será útil. “Na ausência de ‘feedback’ dos clientes, é extremamente difícil hierarquizar áreas de foco e as equipas podem acabar por tratar tudo como sendo importante ‒ o que é o mesmo que não tratar nada com importante”, diz Aziz.

“As metodologias Agile trazem os clientes para dentro do processo, e essa é a chave para o seu bom funcionamento”, considera Elliott. “Envolvam os clientes em todos os aspectos do planejamento e do desenvolvimento e a probabilidade de êxito no mercado sobe de forma exponencial”.

Outro ponto importante a lembrar é que a equipe “Agile” deve usar o retorno obtido dos clientes, quando entrar em retrospectiva ao fim de cada iteração.



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