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Empresas brasileiras ainda têm um longo caminho para tirar valor das APIs

Estudo da Sensedia com IDG Network Brasileiros revela que a percepção de valor no uso de APIs é grande, mas ainda são poucas as que já conseguem usá-las na transformação digital do negócio

Cristina De Luca

Publicada em 06 de outubro de 2017 às 08h10

O Brasil ainda engatinha na chamada economia de APIs. Mas os resultados da 1ª Pesquisa sobre o Estado das APIs no Brasil, realizada pela Sensedia em parceria com a IDG Network Brasileiros, revela um grau de maturidade entre os pioneiros acima do esperado.

Com o objetivo de mapear o uso das APIs nas estratégias das empresas brasileiras, a maturidade em que se encontram e o impacto dessas práticas nos negócios digitais em diferentes segmentos, o estudo foi respondido por 145 empresas, de 22 segmentos econômicos, sendo 62 delas com faturamento acima de R$ 200 milhões, 29 com faturamento entre R$ 100 milhões e R$ 200 milhões e 44 com faturamento até R$ 100 milhões.

"Chama a atenção a quantidade de empresas brasileiras que já enxerga as APIs como um meio para expandir a sua proposta de valor", comenta Kleber Bacili, CEO e fundador da Sensedia.

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Considerando que as APIs podem ser de quatro tipos - as criadas para promover integração  de sistemas da própria empresa; aquelas produzidas para atender processos de transformação digital, como o desenvolvimento de apps que darão acesso aos sistemas da empresa, ou facilitarão o atendimento dos clientes; as disponibilizadas para o ecossistema de parceiros; e as APIs públicas, totalmente abertas - os resultados sobre a estratégia das empresas já familiarizadas com o assunto mostra que caminhamos rápido para um cenário de uso crescente de APIs públicas. 

Hoje, para 85% das empresas ouvidas, o desenvolvimento de apps é uma evolução natural sobre integrações internas. E 65% das grandes empresas que fazem integrações internas usam APIs para criar Apps - ou seja: entregar boas experiências de maneira ágil para clientes (internos/externos). Em médias empresas, o uso dos três primeiros tipos de APIs é bastante similar (~65% de cada). Pouco mais de 1/4 das APIs existentes hoje já serem públicas (abertas para usuários externos).

Outro destaque, não tão positivo, na opinião de Kleber Bacili, é o fato de menos da metade dessas empresas (40%) possuírem uma equipe dedicada à construção e gerenciamento das APIs. " O Gartner aponta a presença de um API Product Manager como fundamental para que as APIs sejam realmente usadas e cumpram o papel para o qual são destinadas", diz o executivo. "Aqui no Gartner CIO Leadership Forum 2018, que acontece esta semana nos Estados Unidos, ouvi um dos analistas dizer que o pior que não ter o seu próprio ecossistema de APIs é ter APIs que ninguém usa", comenta o executivo.

De acordo com os resultados da pesquisa, 30% das grandes empresas e 45% das médias não fazem nenhum esforço para fomentar o consumo de suas APIs, embora metade das grandes empresas (51%) já tenham um Dev Portal estruturado.  E 52% das empresas participantes tenham equipes de projetos cuidando das suas próprias APIs, mostrando que é uma tecnologia que permeia diversas áreas, cujas habilidades e serviços em torno precisarão ser mais compreensivos. 

Apenas 34% de todas es empresas pesquisadas já trabalham para criar plataformas em torno de seus produtos/serviços. Há uma tendência de plataformização no Brasil, que favorece a criação de ecossistemas. Especialmente nos segmentos financeiro e de e-commerce, e entre as grandes empresas.

"Nos Brasil, as pequenas empresas e as empresas nascentes, as startups, aida são mais usuárias que produtoras de APIs", comenta Kleber. 

Twitterverse é, provavelmente, o ecossistema de APIs mais conhecido da internet com centenas de empresas dependentes dele. Para chegar nesse ponto, o Twitter utilizou uma estratégia de abertura de APIs no estilo Freemium, ou seja, sem custos até um certo número de chamadas.

Dessa forma, diversas empresas começaram a oferecer aplicações com base em dados obtidos por essas APIs, criando vários ramos de segmentos conectados. Há uma estimativa de que mais de 100 empresas dependam desse ecossistema.

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Quanto às métricas de acompanhamento, apenas 4% utilizam indicadores de negócios para avaliar as APIs, o que mostra a relação direta entre APIs e resultados de negócios, as métricas de operação mais utilizadas ainda são as de vaidade (consumo total; parceiros conectados). 

O maior entrave para o uso é a falta de pessoal capacitado. As grandes e médias dizem que a "Maturidade técnica do time" é o maior gargalo enfrentado na implementação. Outras preocupações são a falta de tempo para o desenvolvimento das APIs, as dificuldades para dimensionar o uso e gerenciar o desempenho e Segurança.

A íntegra da pesquisa você encontra clicando aqui



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