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Tecnologia

Como tornar geeks mais produtivos

Alguns administradores reconhecem que geeks são diferentes de seus funcionários normais e dão dicas de como extrair o melhor deles

Da Redação

Publicada em 25 de agosto de 2017 às 03h03

De Sheldon Cooper, em “The Big Bang Theory”, até Urkel, o cara da loja de quadrinhos dos  Simpsons, sabemos tudo o que precisamos saber sobre geeks, certo?

Eles não comem nada além de pizza, e não se importam com nada além de tecnologia. Eles vivem a noite e raramente são vistos a luz do dia. Eles quase não conseguem comunicar-se com outros bípedes. Eles passariam o dia inteiro brincando com seus brinquedos sem fazer nada caso você os deixasse. Eles são a antítese da criatividade.

Enquanto alguns desses estereótipos podem parecer verdade, à distância, de perto, eles tendem ir por água abaixo. Profissionais de tecnologia são mais do que a soma de seus estereótipos, apesar de serem definitivamente diferentes e precisarem ser geridos de acordo, segundo Eric Schlissel, fundador da fornecedora de serviços tecnológicos Geektek IT Outsourcing.

“Lidar com um geek é diferente de lidar outros funcionários”, conta Schlissel. “Se os proprietários do negócio quiserem manter os melhores talentos, eles devem tratar seus geeks como uma classe diferente de funcionário. Respeitar suas tendências, dentro da razão, e julgá-los com base em seu produto de trabalho em vez de suas tatuagens”.

O problema reside em separar os mitos da sabedoria quando o assunto é explorar o máximo de profissionais de tecnologia altamente treinados. Aqui estão oito equívocos comuns ao lidar com geeks.

Mito Nº 1: Entra Pizza, sai código
Apesar de que pizza parecer um dos quatro grupos alimentícios básicos dos geeks (junto com a comida chinesa, pipoca de micro-ondas e Red Bull), encher o departamento de desenvolvimento com fast-food e bebidas cafeinadas, trancar a porta e esperar que um produto finalizado apareça durante as curtas horas da noite não é algo eficiente, diz Johanna Rothman, consultora de administração e autora do livro “Hiring Geeks That Fit” (Contratando Geeks Adequados).

“De vez em quando você pode encontrar alguém que pode criar um código com qualidade neste tipo de ambiente”, conta ela. “Mas estou nesse ramo há 30 anos e só consegui encontrar três casos desse tipo”.

A regra do entra pizza, sai código (The pizza-in, code-out - PICO) normalmente resulta em um produto inferior, em grande parte porque um bom código exige colaboração entre várias equipes, diz Bruce Eckfeldt, fundador e CEO da Eckfeldt & Associates (Eckfeldt também recomenda uma dieta alternativa contendo frutas e chá de ervas).

“Desenvolvedores tem um desempenho melhor quando trabalham a um nível sustentável e colaboram uns com os outros”, conta ele. “Isto fornece uma rotação constante de novas ideias e distribui conhecimento, o que acelera a inovação e reduz o risco”.

Mito Nº 2: Geeks precisam de treinamento em comunicação
É um clichê bem normal o de que fissurados em tecnologia têm dificuldade em comunicar-se com o resto da humanidade. Mas a verdade não é que os profissionais da TI não conseguem comunicar-se com pessoas normais – a verdade é que eles, muitas vezes, preferem modos diferentes de comunicação.

Geeks podem ficar relutantes em falar em voz alta em reuniões de grupo (pois eles ouviram a vida toda que são um fracasso na comunicação), ou eles talvez falem demais, encalhando em detalhes técnicos, simplesmente porque as minúcias são importantes para o trabalho deles. Pior ainda, eles podem, às vezes, ser brutalmente honestos, torcendo as opiniões e/ou egos de seus colegas de trabalho, alimentando assim, infelizmente, os estereótipos de comunicação.

"Muitos 'geeks' pontuam mais alto em inteligência analítica do que na inteligência conceitual ou social", conta a Nora N. Simpson, diretora da Simpson Strategic Solutions.

“O pensador analítico anseia pelo conhecimento e assume que todos o façam também. Para provar seu valor ao administrador, eles, muitas vezes, demonstram seu conhecimento por meio do fornecimento exagerado de detalhes, o que pode confundir os problemas sendo abordados”.

Para fissurados em tecnologia que têm vergonha de falar em frente dos outros, a solução é reunir-se com eles a sós em uma base regular, conta Rothman. Outra boa ideia é utilizar vários canais de comunicação – e-mail, bate papo, IM, mensagens de texto, intranets, wikis e assim por diante – os quais os fissurados em tecnologia julgam menos disruptivos e mais útil a seus conjuntos de habilidade.

“Geeks são comunicadores excelentes, eles apenas não utilizam os canais tradicionais”, conta Chris Kelly, evangelista de open source na GitHub. “Eles preferem comunicar-se de forma assíncrona utilizando ferramentas como os mensageiros instantâneos, sistemas de bate papo em grupo e e-mail. Ligações, reuniões e ‘visitas’ são muito disruptivos ao processo de criação de software. Quando um geek aparenta não comunicativo ou antissocial, ele/ela só está tentando concentrar-se na tarefa em mãos”.

Mito Nº 3: Tecnólogos não podem ser perturbados com desafios criativos 
Apenas porque alguém toma uma abordagem analítica em relação à solução de um problema, não significa que ele não seja criativo. As organizações que colocam “criativos” de um lado da mesa e engenheiros do outro precisam investir em uma nova mesa – preferivelmente uma mesa redonda onde todas as partes possam colaborar.

"Grande parte dos administradores assume que os engenheiros são pensadores lineares, e que buscam apenas pelo próximo trabalho que pague muito", diz Meredith Munger, diretora da Munger & Co., consultora de pequenas empresas. "Você terá um sucesso muito maior se pensar em tratar seus engenheiros como artistas que amam criar coisas lindas e que estão orgulhosos de seu trabalho. Isso, em retorno, ajuda os administradores a compreenderem como criticar o trabalho de um engenheiro os machuca e danifica seu relacionamento de trabalho."

O segredo é evitar ser muito prescritivo em suas exigências. Descreva onde você quer que sua empresa chegue, e quais são as limitações, e então deixe seus engenheiros descobrirem se vale mais a pena construir um trem, um avião ou uma máquina do tempo para lhe levar lá.

“Um velho ditado da administração de geeks diz ‘Não tente rebanhar gatos. Apenas coloque-os onde os ratos estão, e deixe a natureza seguir seu curso’”, conta Brian Jones, CTO da empresa de softwares de e-mail marketing,  Aweber. “Em vez de alimentar a força a equipe de engenharia com as tarefas específicas que ela desempenhará, dê a ela as ferramentas para organizar-se eficientemente em relação ao problema a fim de erradicá-lo, pois é isso o que os geeks da equipe  querem fazer”.

Mito Nº 4: Geeks são aberrações que só saem à noite 
Apesar de que alguns profissionais da tecnologia preferirem trabalhar a noite toda e dormir o dia todo, isso não necessariamente os prende à irmandade dos mortos vivos. No entanto, significa que pode ser melhor não prendê-los as muitas regras que governam a existência temporal dos outros funcionários.

“Tenho tido mais sucesso deixando as pessoas que administro trabalharem nos projetos quando elas querem, em vez de prendê-los a dias de trabalho com horas corridas de 9 às 5”, conta Nicholas Percoco, Chief Information Security Officer da Uptake. “Eles sempre são responsabilizados por completar tarefas e trabalharem como uma equipe, mas deixá-los fazê-lo no momento em que forem mais produtivos leva a melhores resultados para a empresa”.

Administradores inteligentes reconhecem que geeks são diferentes de seus funcionários normais e dão uma vasta latitude para horas alternativas, modo de se vestir e comportamento, conta Richard J. Sherman, autor do livro "Supply Chain Transformation: Practical Roadmap to Best Practice Results” (Transformação na cadeia de suprimento: Roteiro prático para os resultados das melhores práticas).

“Deixe-os trabalhar sob uma luz leve, deixe-os ouvir a música que quiserem, deixe-os navegar na internet, deixe-os encontrar sua própria musa técnica”, conta Sherman. “Em relação ao tempo, eles não podem ter nenhum limite. Eles trabalharão por 72 horas sem interrupção quando a inspiração os encontrar, e tirarão 72 horas de folga quando um novo jogo de computador for lançado. Deixe-os sem quem são”.

GEEK

Mito  Nº 5: Tirar o brinquedo de um geek irá torná-lo mais produtivo
Quando veem um fissurado em tecnologia perdendo tempo com um iPhone ou jogando, muitos administradores as consideram distrações desnecessárias que drenam a produtividade. Mas o geek vê inspiração – ou pelo menos algo para ocupar o ‘cérebro de lagarto’ enquanto o pensamento mais avançado digere os problemas mais complexos.

“Administradores não compreendem a conexão emocional que o geek sente em relação a seu dispositivo pessoal”, diz Bill Rosenthal, CEO da Communispond & Logical Operations, que fornece treinamento de habilidades multicanais para os negócios. “Para muitos, o sentimento é tão visceral que as políticas restringindo sua utilização soam como uma afronta para eles. Elas diminuem o entusiasmo dele e enfraquece a produtividade deles”.

Isso é verdade especialmente para as ferramentas que eles precisam para fazer seu trabalho, conta Brian Kelly, VP de engenharia da datawire.io.

“A maioria dos programadores trabalha melhor quando possui as melhores ferramentas para o trabalho: computadores rápidos, monitores de alta qualidade, headphones com isolamento de ruídos, cadeiras ergonômicas e qualquer software que precisem”, conta Kelly.

“As empresas mais bem sucedidas centradas em engenharia são bem conhecidas por dar aos seus geeks ótimas ferramentas, e essa não é uma coincidência. Na TimeTrade, nós até mesmo descrevemos em nossas postagens de trabalho online as ferramentas que os programadores recentemente convidados obterão. Isso certamente ajuda a atrair o talento técnico para a empresa”.

Quando você vê geeks colados a seus telefones ou encarando telas por dias quase estando aparentemente em um estado de coma, não entre em pânico, aconselha Rod Bagg, VP do atendimento ao cliente para a Nimble Storage, uma fornecedora de matrizes de armazenamento híbrido otimizada por flash.

“As rodas estão se movendo”, conta ele. “Eles vão concluir o trabalho.  Apenas fique fora do caminho deles”.

Mito Nº 6: Fissurados em tecnologia não se importam com os negócios
Outro mito familiar é o de que os profissionais da TI não se interessam de forma alguma no que o lado dos negócios está fazendo. Isso é completamente errado, conta Dave Gruber, diretor de marketing de desenvolvimento para a Black Duck Software, uma empresa de gestão e consultoria para negócios que dependem de softwares de código livre.

"Geeks se emocionam com mais coisas do que apenas códigos”, conta ele. "Envolva-os em seu negócio. Você ficará surpreso em o quão interessado a maior parte dos geeks está em compreender toda a perspectiva e irão, ao fim, desenvolver um código mais relevante quando o fizerem".

Organizações que falham em convidar os profissionais da tecnologia para a mesa, perdem a especialidade e a experiência que eles podem trazer em outras áreas, tais como o marketing por internet, desenho interfaces, e a segmentação de mercado, para nomear alguns exemplos, conta Brett Suddreth, vice-presidente da The frank Agency.

“Somos mais do que apenas gurus da tecnologia”, conta ele. “Temos muito conhecimento sobre o negócio que poderia ajudar a empurrar a organização para frente. Começar a nos incluir em suas reuniões para criação de ideias quando você está prestes a lançar novos clientes – você nunca sabe o que nós criaremos”.

Mito Nº 7: Geeks são antissociais desajustados 
Você ainda acredita que a área de tecnologia tende a atrair mais introvertidos do que extrovertidos? Pois saiba que a imagem do geek preso dentro de seu cubículo vibrando seu teclado enquanto todo mundo ao redor vai para festas é algo falho.

“Acho que o maior mito é o de que geeks são antissociais”, conta David Jessurun, diretor da Mo & Mo. “De fato, um dos melhores caras que já tive  em uma de minhas equipes tinha apenas um grande problema: eu tinha que constantemente acha-lo e afastá-lo de garotas bonitas de outros departamentos—e elas dele”.

Encorajar o lado social do pessoal da tecnologia é, de fato, um ótimo motivador, conta Live Leer, VP Global da Opera Consumer.

“Nós fazemos festas na sexta-feira, eventos do dia internacional das mulheres, além de festas de natal e verão, e nossos funcionários organizaram entre eles noites de jogos de tabuleiro, grupos de canto, viagens de barco e aulas de dança”, conta ela.

“Além disso, adverso aos estereótipos do ‘geek’, descobrimos que oferecer um serviço de psicologia, ter visitas semanais de um massagista, e geralmente oferecer um ambiente de trabalho amigável a família onde os funcionários podem trazer seus filhos para o trabalho, caso necessário, é ótimo para acomodar nossos funcionários e suas necessidades”.

Geeks precisam desenvolver bons relacionamentos com seus colegas de trabalho, mesmo se estiverem relutantes em fazê-lo, conta o instrutor de vida Scott Crabtree, diretor de operações da Happy Brain Science.

“Introvertidos não expressarão sua necessidade de contatar pessoas, eles podem até mesmo resistir à atividade social”, conta ele. “Mas a ciência sugere que ambos os introvertidos e os extrovertidos se beneficiam enormemente do contato social. Fornecer oportunidades para que os geeks tenham mais interações sociais aumentará a felicidade dos mesmos e, portanto, sua produtividade, criatividade e saúde”.

Mito Nº 8: Toda a satisfação que um geek precisa é a da solução de problemas técnicos
Por anos, funcionários avarentos utilizaram o mito de que geeks se importam apenas com a tecnologia – e não com o dinheiro – como uma desculpa para pagar menos e fazê-los trabalhar mais. Caso essa noção dúbia tenha um dia sido verdade, ela já não é mais, contam os especialistas.  Mas dinheiro é apenas um dos principais motivadores, junto com o reconhecimento de seus colegas, ambientes de trabalho flexíveis ou simplesmente a oportunidade e as ferramentas para escrever códigos e resolver problemas complexos.

“Dinheiro importa, é claro, mas principalmente como uma recompensa pública para um trabalho bem feito”, conta Munger. “Em vez de um bônus de fim de ano, no entanto, é bem melhor entrar na área de trabalho deles com notas frescas de $100 e recompensar vitórias durante o ano. Para os engenheiros que gastaram tempo extra tendo problemas com trabalho, eu algumas vezes paguei finais de semanas em um hotel resort para toda a família desfrutar uma vez que o projeto estava finalizado. Cônjuges apreciam o fato de que a empresa reconhece o sacrifício deles também”.

Um trabalho bem feito – e reconhecido como tal pela administração – depende da manutenção da equipe funcionários de tecnologia felizes e motivados.

“Geeks constroem coisas, e não há maior sentido de conquista do que ver o aplicativo deles ser lançado e utilizado”, conta Nikki Garg, COO da Icreon, uma empresa de consulta e desenvolvimento. “Dê a eles a visibilidade, exiba fotografias ou material de promoção do projeto, compartilhe as estatísticas de utilização e conta as histórias em reuniões ou eventos da equipe interna. Não se esqueça de celebrar as vitórias junto”.

Mesmo um elogio simples pode lhe trazer resultados – assim como o faz com o resto da equipe não geek, nota Suddreth.

"O velho provérbio de que geeks gostam de ficar escondidos no escuro enquanto utilizam seus computadores de longe é realmente algo do passado”, conta ele. “Eles querem ser apreciados e reconhecidos assim como qualquer um dentro da organização. Então, certifique-se e dê a eles um elogio apontando que fizeram um bom trabalho”.



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