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Tecnologia

Quatro mitos sobre Blockchain que precisam cair

Por ser uma tecnologia tão nova e cheia de possibilidades, convém livrá-la dos erros conceituais

Joel Nunes *

Publicada em 23 de junho de 2017 às 09h33

Lançada em 2008 como suporte para a moeda digital bitcoin, a tecnologia Blockchain tem, desde então, chamado atenção dos mais diversos setores, principalmente o financeiro. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Blockchain já mobilizou mais de 2,5 mil pedidos de patentes e cerca de US$ 1,4 bilhão em investimentos. Um estudo da Delloite estima que 80% dos bancos devem realizar projetos relacionados a essa tecnologia ainda neste ano.

O Blockchain funciona como um livro-razão distribuído, interligado e totalmente criptografado, que mantém todas as partes envolvidas a par das mudanças realizadas. Cada transação feita gera um bloco de informações, compartilhado com todos os participantes da rede, formando uma corrente de dados iguais que podem ser checados e validados entre si. Por conta dessas características, essa se torna uma plataforma praticamente à prova de violação e fraudes relacionadas a falsificação ou corrupção dos dados registrados em seu sistema. Afinal, caso um dos blocos dessa corrente esteja diferente dos demais, o sistema rapidamente percebe e mitiga a tentativa de fraude.

Isso a torna uma excelente tecnologia, que necessita ser ainda muito estudada e desenvolvida. Apesar de algumas startups já terem iniciado o uso desse “livro-razão” nas mais diversas frentes, o modelo ainda não está completamente pronto para a adoção em transações de consumo de grandes massas — isso pode se tornar real em três ou cinco anos, talvez mais, na minha percepção. 

blockchain

Por ser uma tecnologia tão nova e cheia de possibilidades, é claro que surgem uma infinidade de teorias e possíveis aplicações do Blockchain. No entanto, entre todas essas tendências e previsões, há alguns mitos que precisam ser desmontados:

1 - Blockchain e bitcoin são a mesma coisa
Errado. O bitcoin é uma criptomoeda que funciona como qualquer dinheiro de papel, mas existe apenas de forma eletrônica. Já o blockchain, como comentamos no início, é a tecnologia por trás do bitcoin. Ela funciona como o livro-razão com registro de todo o histórico de transações realizadas desde a criação do bitcoin, em 2008. No entanto, seu uso não se limita às criptomoedas, o que nos leva ao segundo mito.

2 - Blockchain serve apenas para indústria financeira
Muito pelo contrário, há uma infinidade de usos já mapeados para o Blockchain. Existem, por exemplo, estudos relacionados à utilização da tecnologia para registro e rastreamento de diamantes e de comida orgânica. Os cartórios, responsáveis por validar e registrar documentos e assinaturas, também poderiam ser melhorados — ou até substituídos — pelo Blockchain em um futuro distante. A verdade é que qualquer tipo de transação que precise de registros e documentação poderá ser otimizada por meio do Blockchain.

3 - Blockchain vai substitur o Banco Central
Não vai, ao menos não por muitos anos ainda. Entre diversas outras funções, o Banco Central é o supervisor do sistema financeiro em nosso país — a instituição é responsável por garantir a veracidade de todas as transações financeiras realizadas no Brasil. O sistema do BC levou tempo e recebeu altos investimentos para ser desenvolvido e se tornar tão seguro e confiável quanto é hoje, por isso é necessário que o Blockchain esteja totalmente amadurecido antes de se começar a pensar em substitui-lo.

4 - O sistema de pagamentos em tempo real, como os necessários para a aprovação de compras físicas com cartões, passará a usar Blockchain
As tecnologias baseadas em Blockchain que existem hoje não oferecem a rapidez e escalabilidade necessárias para suportar a adoção com altos volumes de dados, como seria o caso do sistema de pagamentos em tempo real. Nesse caso, ele poderia se tornar muito lento. Quando um consumidor coloca sua senha no terminal do cartão, ou seja, na famosa “maquininha”, ele espera que a aprovação de sua compra seja quase imediata, o que ainda é impossível com o uso do Blockchain.


(*)Joel Nunes é gerente de consultores de soluções da ACI Worldwide para a América Latina



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