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ERP híbrido amadurece

Desenvolver novas estratégias para garantir que os sistemas de ERP funcionem bem juntos, na nuvem e on-premise, é apenas uma parte do desafio híbrido

Michael Nadeau, CIO/EUA

Publicada em 06 de março de 2017 às 10h29

Hoje, nos Estados Unidos, já é difícil encontrar uma empresa que não tem alguma forma de um sistema de ERP híbrido (nuvem e on-premise). Para a maioria, isso aconteceu por acidente. Alguém na organização contornou TI e comprou um serviço em nuvem para preencher uma necessidade mais rapidamente do que poderia com uma solução on-premise. No Brasil esse cenário está no início, mas é também uma tendência.

As aplicações em nuvem podem ser soluções relativamente fáceis e de baixo custo, mas introduzem novas complexidades quando precisam ser integradas com ERPs e bancos de dados on-premise, ou entre si. Assegurar que os sistemas de nuvem e on-prenise joguem bem juntos é apenas uma parte do desafio híbrido. Tomar as decisões certas sobre o que vai estar na nuvem e o que fica na casa é o outro.

Para enfrentar esses desafios, as organizações estão passando de uma abordagem ad hoc para a construção de um sistema de ERP híbrido para um processo de planejamento mais estratégico. Esse processo inclui práticas recomendadas para examinar, conectar, implementar e testar soluções.

Crescimento da nuvem na empresa
"Líderes das áreas de negócios compraram aplicativos em nuvem sem o conhecimento da TI e logo se depararam com problemas envolvendo volumes de transações e integração de dados com o ERP da empresa", diz Mike Guay, diretor de pesquisa de aplicativos de negócios empresariais e ERP do Gartner. Isso impeliu a TI para um papel de suporte inesperado enquanto lutava para conectar soluções de nuvem aos sistemas centrais de forma segura e confiável. E enquanto os provedores de soluções em nuvem cuidavam das atualizações, a TI ainda precisava garantir que essas soluções atualizadas funcionassem adequadamente com aplicativos em nuvem e outros aplicativos fora da nuvem. "Quanto mais freqüentes são as atualizações, mais frequentes são os testes necessários."

A administração também ficou surpresa com os custos inesperados, segundo Guay. Por exemplo, à medida que as equipes de vendas se tornaram mais dependentes de sistemas de CRM em nuvem, como o Salesforce, desejam informações mais atualizadas sobre transferências e recebíveis no sistema de CRM em nuvem. Isso exigia uma integração mais freqüente com os arquivos dos clientes e talvez com os sistemas de contas a receber do ERP. O que criou atividade adicional dentro do sistema de CRM em nuvem, aumentando as taxas.

De fato, as organizações têm subido a curva de aprendizado para o ERP híbrido, permitindo um melhor planejamento, mas a abordagem híbrida ainda não é fácil. "As grandes organizações ainda estão descobrindo o quanto de suas aplicações poderão migrar para a nuvem - onde a nuvem é um ajuste e como gerenciar o equilíbrio entre nuvem e on-prenise", diz Guay. Se uma organização entender a proposição de valor de cada parte do conjunto de aplicativos - nuvem e on-premise -  estará em melhor posição para alinhar  suas necessidades com as soluções certas, e obter êxito.

Novas capacidades disponíveis frequentemente na nuvem podem permitir melhores esforços de transformação digital, aplicações de Internet de Coisas (IoT) ou análises assistidas por Aprendizado de Máquina. Por exemplo, os serviços de Machine Learning baseados em novas tecnologias em nuvem são mais capazes de analisar grandes volumes de dados e fazer recomendações aos usuários de sistemas on-premise.

A Sabre entendeu isso. Tendo usado produtos de nuvem como o Salesforce e sendo uma provedor ade software baseado em nuvem para a indústria de viagens, precisou se adaptar. "Um dos desafios com os provedores SaaS é que eles estão continuamente atualizando seu software. Como cliente, você tem que melhorar continuamente seu processo para absorver essas mudanças e ser capaz de tirar proveito de qualquer novo valor que está sendo gerado ", diz Steve Strout, vice-presidente de sistemas corporativos na Sabre. "Para mim, essa foi uma das coisas estratégicas que deveríamos realizar - como treinar nossos negócios para assumir novos recursos/funções regularmente? Isso muda o papel da nossa organização de TI. 

"Do ponto de vista da cultura, procurar continuamente adotar novas capacidades foi uma grande mudança", diz Strout. "Olhar para os dados conectados de uma maneira diferente fornece relatórios e análises que permitem que você veja as coisas mais rápido porque não demora tanto para montar dados de provedores diferentes. Isso nos permitiu alterar uma grande quantidade de nossas construções financeiras, de modo que temos P&Ls de clientes e de produtos bem mais significativos ".

Fornecedores de ERP relatam que a tendência para novas implantações é ter tudo na nuvem. Cerca de 70% dos novos clientes corporativos do Dynamics, da Microsoft, estão escolhendo a opção de nuvem, de acordo com Umran Hasan, gerente sênior de marketing da Microsoft Dynamics 365. "A conexão em nuvem garante agregação de dados, relatórios financeiros, inteligência, backup e recuperação de desastres, entre outras coisas", acrescenta.

"A questão [para nossos clientes] é: o quanto da carga de trabalho eles vão colocar na  nuvem", diz Sven Denecken, vice-presidente sênior de gerenciamento de produtos, co-inovação e empacotamento para o SAP S/4HANA. "Nós vemos a trajetória [em direção à nuvem] subindo muito, muito rápido. Qualquer aplicação voltada para o consumidor é quase sempre baseada na nuvem, e as aplicações de RH também estão se movendo rapidamente", diz ele. Na opinião do executivo, as aplicações financeiras serão as próximos na fila para migrar para a nuvem em grande escala.

"Um claro padrão emergente é que este [ERP híbrido] é muito uma decisão de plataforma", diz Steve Cox, vice-presidente de ERP da Oracle. 

Considerações híbridas
Agora que as empresas entendem o ERP híbrido, são mais capazes de definir prioridades para selecionar e implementar soluções dentro do ambiente híbrido. Hasan vê nos fatores abaixo a motivação dos clientes da Microsoft em direção a uma solução híbrida:

- Uma atitude conservadora em relação a um ambiente puramente nuvem

- Desejo de controle de dados, residência de dados e isolamento de dados

- Dependências de rede local do serviço para continuidade de negócios (velocidade e conectividade)

- Capacidade de personalizar a configuração da infraestrutura de serviços para atender a necessidades específicas de negócios, como escalabilidade

- Investimentos recentes nos recursos de data center da empresa

- Escolha de separar o operador de serviço do prestador de serviços para evitar lock-in por um único fornecedor.

"Um verdadeiro sistema híbrido, é pragmático e combina o melhor do ambiente de nuvem e do ambiente local", afirma Hasan. Adorae esse pragmatismo é uma necessidade para a execução dos processos de negócios e o armazenamento de dados na nuvem e nos data centers da empresa. "Por exemplo, os clientes com necessidades analíticas extensivas não podem e não devem apenas confiar em dados que residem em seus próprios data centers", diz Hasan. "A nuvem é agora uma fonte rica e necessária de informações e para obter as melhores análises, as empresas precisam aproveitar todas as fontes de dados disponíveis".

"A integração deve estar no centro dessa discussão, assim como a capacidade de executar em uma plataforma como um serviço [PaaS]", afirma Denecken

 "As empresas devem considerar a integração de negócios, como ela se conectará com seus sistemas existentes, a escala...", diz Hasan.

Praticamente todos os provedores de ERP tradicionais e em nuvem e provedores de soluções em nuvem oferecem bibliotecas de APIs para conectar suas ofertas a outros softwares. Se uma API estiver disponível a partir do provedor de solução, então você pode encontrá-lo em um repositório de API aberta. "A economia das API estará lá", afirma Denecken.

O gerenciamento de APIs de vários players é uma grande mudança para empresas que rodavam seus sistemas a partir de em uma única plataforma. "De uma perspectiva técnica de administração e operações de sistema, você acaba lidando com a certeza de que as estruturas de API não se quebram, que os dados disponibilizados em cada nova versão funcionam de forma consistente com o passado", diz Strout. 

 "Você tem que fazer essa orquestração", acrescenta Strout. E o uso das APIs e da forma como as coisas são construídas, estamos falando de um modelo de orquestração mais fácil do que era há 15 anos. 

A integração também  permite um acesso mais fácil aos dados de múltiplas fontes, e isso significa que as empresas devem repensar como eles fazem relatórios e análises dentro de um sistema ERP híbrido. "Nós nos concentramos em garantir que os usuários tenham um único painel que tenha dados de vários sistemas diferentes", diz Strout.  

Processo de planejamento
Cox diz que a Oracle incentiva seus clientes a começar seu planejamento de ERP híbrido avaliando o que têm e, em seguida, a infraestrutura, para saber o que é necessário. "Como essa avaliação se casa com a definição de seus novos requisitos de negócios? Então, quais funções empresariais devem passar para a nuvem e em que prazo?"

Uma empresa que esteja sofrendo muita disrupção em seu segmento fará decisões diferentes sobre o que mover para a nuvem do que um em uma indústria estável. "Estamos vendo dois padrões principais: transformação completa e, em seguida, inovação na borda", diz Cox.

"Se a transformação do negócio é o imperativo imediato, então as organizações estarão olhando para fazer mudanças fundamentais em sua infraestrutura de TI, incluindo passar o ERP para nuvem. Porém, se você estiver em um ambiente que reconhece que haverá disrupção em um futuro não muito distante, então é possível "inovar na borda", iniciando a transformação através da adoção de aplicativos em nuvem para planejamento e/ou aquisição. Então é uma questão estratégica do que vamos fazer em seguida ", diz ele. "Mas é importante ter em mente que o 'próximo' de hoje é diferente: muitas organizações que adotam a nuvem inovando na borda gerenciarão várias implementações paralelas para acelerar as transformações necessárias".

Denecken vê três requisitos distintos que são essenciais para avaliar estas considerações híbridas e criar um roteiro. O mais importante? Você precisa que as pessoas que dirigem o negócio participem ativamente. "Sem esses caras, você nem deveria começar a definir uma estratégia híbrida", diz ele. Em seguida, é hora de pensar na arquitetura dos sistema. Consultar os arquitetos, porque eles entendem o cenário do fornecedor e da solução. Depois, você precisa saber o status da abordagem pré-configurada baseada em nuvem em relação aos cenários de funcionalidade e integração.

ERPhibrido

Flexibilidade versus complexidade
Um ambiente híbrido fornece uma quantidade muito maior de flexibilidade para as empresas quando eles precisam ampliar o negócio ou se mudar para novas áreas. Essa flexibilidade tem um custo em termos de requisitos de integração e gerenciamento dessa integração através de atualizações de soluções.

Denecken salienta a importância de equilibrar a agilidade e a flexibilidade que o ERP híbrido fornece com a sua complexidade. "Em um ambiente puro, on-premise, as soluções são consideradas ao longo do status quo. No lado oposto, se você usar uma solução de nuvem pré-configurada, você adotará processos de negócios padronizados, se deseja simplificar sua abordagem.

O equilíbrio consiste em ser capaz de usar a nuvem para redefinir seus processos e permitir a inovação rápida, preservando o conhecimento que depende de seus sistemas internos.

 Cox vê um maior uso da nuvem, simplificando o suporte e o gerenciamento ERP em geral. Ele citou quatro princípios transformadores: simplificar, padronizar (assim há uma definição de um determinado processo em toda a organização), centralizar e automatizar. "Juntos, os quatro simplificam o gerenciamento de sistemas", diz ele. "Uma das principais razões para adotar a nuvem é evitar o tempo gasto com a infraestrutura e o esforço de upgrades on-premise."

Olhando adiante
Os fornecedores de ERP estão adotando uma abordagem de desenvolvimento em nuvem, mas esperam desenvolver e manter suas opções on-prenise indefinidamente. Com o Microsoft Dynamics 365 para operações, por exemplo, os clientes podem executar suas operações de negócios inteiras localmente ou através de sistemas distribuídos.

"Para dar às organizações uma visão única do negócio e a capacidade de aproveitar as sinergias entre as plataformas, é essencial agregar dados na nuvem da Microsoft para relatórios e processos financeiros e gerenciar os dados corporativos de forma centralizada", diz Hasan. "O poder de computação elástica, a inteligência artificial e a velocidade de inovação da nuvem enriquecem os sistemas on-premise".

"Não seria capaz de apontar um único cliente que não entenda a necessidade de abraçar a nuvem. Há uma nova visão para as organizações que saem do ambiente em que estamos. Transformação digital, disrrupção em todas as indústrias, a escassez mundial de talentos, a ascensão de robôs, as mudanças radicais em muitas profissões tradicionais [devido à automatização habilitada por software ], e as crescentes expectativas dos clientes produzem volatilidade no modelo de negócio. E há uma nova visão para a infraestrutura de TI  que vai apoiar a nova organização. Você só pode alcançar a inovação necessária para atender às mudanças nas expectativas dos clientes alavancando a nuvem", diz Cox.



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