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Dez tendências de IaaS para 2017

Consultores ouvidos pela Computerworld garantem que as empresas deverão aderir em massa à cloud pública, a medida que “machine learning” e computação sem servidor passarem a ser o novo normal

Brandon Butler, Networkworld/EUA

Publicada em 06 de janeiro de 2017 às 07h00

Os analistas que acompanham o mercado de computação em nuvem pública na modalidade IaaS tendem a concordar que 2016 foi um ano que solidificou o posicionamento de três fornecedores _ Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud Platform _ e marcou um importante ponto de transição para as empresas que utilizam seus serviços.

Essas empresas ofereceram aos clientes mais opções de onde hospedar seus dados em todo o mundo, diferentes instâncias de máquina virtual para otimizar suas cargas de trabalho e novas formas de gerenciar e analisar dados que já estão na nuvem.

Razão pela qual os clientes tornaram-se cada vez mais confortáveis ​​usando-as. E mais empresas comprometeram-se  a desligar seus próprios data centers e mover seus aplicativos mais importantes para IaaS.

Estudos do Gartner apontam que em 2017 os investimentos das empresas brasileiras em Cloud devem chegar a US$ 4,5 bilhões, e até 2020 devem atingir US$ 20 bilhões. Para tal, jogadores de peso no mercado de Cloud Computing já estão presentes no Brasil, como Amazon (AWS), Microsoft e IBM, e em 2017, Google e Oracle prometem presença em território nacional - afinal todos querem a sua fatia no mercado, e concorrem ferozmente com ofertas de empresas brasileiras.

Então, quais tendências definirão 2017? Aqui estão 10 que definirão o mercado de nuvem pública:

1. Receitas em alta
A Forrester Research estima que o mercado global de nuvem está se expandindo a uma taxa de crescimento anual de 22% e deverá atingir US$ 146 bilhões até o final de 2017.  E as previsões são as de que atinja  US$ 236 bilhões até 2020. IaaS e PaaS devem ser um mercado de US$ 32 bilhões em 2017, crescendo 35% ao ano. Bem  mais rápido que o mercado SaaS.

A AWS pode atingir US$ 13 bilhões em receitas, enquanto a Forrester acredita que a Microsoft Azure será cerca de duas ou três vezes menor (a Microsoft não divulga suas receitas da Azure) e a Google ficará entre meio bilhão e US$ 1 bilhão. "Tivemos que atualizar nossa previsão", diz Dave Bartoletti, analista da Forrester. "Este mercado está crescendo mais rápido do que esperávamos em 2014", afirma.  A nuvem está sendo adotada a um ritmo mais rápido do que a virtualização. Espera-se que este meteórico crescimento continue até 2017.

2. Nuvem 2.0
Dado este crescimento maciço, o principal analista da IDC, Frank Gens, acredita que a indústria está no alvorecer de uma nova  fase da nuvem. A 2.0, caracterizada pela adoção em massa por parte das empresas. Até 2018, Gens prevê que 60% das cargas de trabalho de TI serão off-premise; 85% das empresas se comprometerão com um modelo de arquitetura multi-nuvem e em 2020 mais de 70% das receitas dos provedores de serviços em nuvem serão mediadas por parceiros de canal/corretores. "Mesmo para aquelas empresas já familiarizadas com a nuvem, será um novo desafio se preparar para essas mudanças significativas do que as nuvens são, e são capazes de fazer", diz Gens. "As premissas de mercado sobre (e casos de uso para) a nuvem - à medida que ela se torna mais distribuída, confiável, inteligente e especializada - se expandirão enormemente".

3. Aprendizado de Máquina/IA 
Se há uma tendência que deve dominar as prioridades dos fornecedores de nuvem este ano é a aprendizagem de máquina e Inteligência Artificial. Todos os três principais fornecedores fizeram grandes anúncios em 2016 relacionados a este campo. O Google lançou o TensorFlow, uma plataforma de aprendizado de máquinas de código aberto. A Microsoft introduziu uma plataforma baseada na nuvem para o aprendizado de máquinas e a Amazon anunciou três novos serviços de aprendizado de máquinas durante a conferência re:Invent. Mais novidades nessa área são aguardadas para  em 2017, com esta tecnologia tornando-se mais fácil de usar por parte usuários diários e de integrar em aplicativos construídos pelos desenvenvolvedores sobre estas plataformas de nuvem.

4. Computação sem servidor
Uma tendência que começou em 2015, ganhou força em 2016 e deve continuar em ascensão em 2017 é a da computação sem servidor. É a idéia de criar aplicativos que são executados sem provisionar recursos de infraestrutura. O código é acionado por eventos - um dispositivo IoT enviando informações para um banco de dados, por exemplo. A plataforma de computação sem servidor executará então uma ação correspondente: fazer uma cópia dessa entrada de banco de dados em um data warehouse, por exemplo.

Aplicativos inteiros podem ser construídos dessa maneira. A plataforma Lambda, da AWS, estreou em 2015, enquanto a Microsoft tornou as Funções Azure disponíveis em novembro e a IBM disponibilizou sua plataforma de computação sem servidor OpenWhisk (que também é um projeto de código aberto) em dezembro no BlueMix PaaS.

Ainda é cedo para avaliar a computação sem servidor, mas esperamos que mais e mais casos de uso - especialmente em torno da Internet das Coisas - surjam em 2017.

IaaS

5. Containers
Enquanto a computação sem servidor e o aprendizado de máquinas se tornaram populares em 2016, os containers podem ter sido a palavra de ordem do ano para os fornecedores de nuvem. O analista de IaaS da ID, Deepak Mohan, classifica a computação sem servidor e os containers na categoria de "computação de próxima geração", que ultrapassa a construção tradicional de máquinas virtuais e servidores.

Esperamos que 2017 seja um ano em que as plataformas de gerenciamento de containers _ incluindo orquestradores como o Kubernetes e ferramentas específicas para segurança e armazenamento _ conquistem presença no mercado e interesse das empresas. Os fornecedores de nuvem estão oferecendo suas próprias plataformas para fazer isso - o Google tem seu Container Engine, a AWS tem o Elastic Container Service e a Microsoft tem o Azure Container Service. Bartoletti diz que apenas cerca de 10% das empresas usam containers em produção hoje, mas até um terço já os estão testando. Espera-se que mais casos de uso cristalizem em 2017.

6. Unificação da cloud privada e da infraestrutura hiperconvergente
As mudanças previstas não se limitam à cloud pública. Abrangem também as infraestruturas on-premises. "Em 2017, o mercado de nuvens privadas se afastará agressivamente das tradicionais suítes para soluções mais simples e baratas que incluem e integram os recursos da PaaS, gerenciamento de nuvem e suporte de containers", prevê a Forrester Research.

As nuvens privadas serão cada vez mais construídas em cima de plataformas hiperconvergentes - infraestrutura que vêm pré-embaladas com computação, rede e armazenamento. Também existem outros modelos, como private-cloud como um serviço, onde o fornecedor controla a infraestrutura e software, mas fica atrás do firewall de um cliente.

Uma notícia específica a ser observada é a introdução da Azure Stack pela Microsoft - uma oferta de infraestrutura convergente destinada a ser compatível com a nuvem pública Azure. Espera-se que esteja disponível em algum momento em 2017.

7. Nuvem híbrida
A cloud híbrida está sempre no horizonte das empresas. Ainda que optem por colocar os seus sistemas numa cloud privada, consideram eventualmente permitir que fluxos de trabalho sejam executadas na cloud pública.

Os grandes fabricantes têm tido estratégias distintas nesta matéria, mas em 2017 a cloud híbrida poderá brilhar ainda mais.

A computação em nuvem híbrida tem sido parte da estratégia de nuvem da Microsoft desde que lançou o Azure. A AWS ignorou a ideia de computação em nuvem privada e híbrida, mas lançou uma série de produtos e serviços no re:Invent. Eles incluem um novo dispositivo Snowball Edge que pode fazer computação local e,  em seguida, enviar dados para a AWS. 

8. Gestão maior de recursos na nuvem
A gestão maior dos fluxos e das cargas de trabalho na nuvem é outra das tendências para 2017. A Forrester diz que a gestão dos recursos IaaS é de responsabilidade dos clientes.

Certifique-se de que as máquinas virtuais não utilizadas estão desligadas. Avalie cuidadosamente a possibilidade de pré-comprar tanta capacidade quanto possível para poupar dinheiro. Certifique-se de que os controles de acesso estão protegidos com autenticação de múltiplos fatores. Automatize o máximo possível para garantir a consistência, melhorar a eficiência e reduzir o erro humano.

Estas são apenas algumas das maneiras pelas quais os usuários das plataformas IaaS gerenciam suas nuvens. Há um número crescente de fornecedores que ajudarão os clientes a gerenciar o uso de qualquer plataforma em nuvem. Eduque-se sobre as melhores práticas para usar a nuvem, ou encontrar alguém que possa ajudá-lo a certificar-se de que você está usando a tecnologia da maneira certa.

9. Construção de mais data centers
Como o mercado de computação em nuvem IaaS continua a crescer aos trancos e barrancos, os fornecedores estão rapidamente construindo espaço de data center em todo o mundo para acompanhar a demanda e as necessidades dos clientes. Mas não é só por escala que os fornecedores estão investinedo no aumento da infraestrutura - eles também estão adicionando data centers em regiões geográficas específicas para cumprir legislações locais de soberania de dados. O Google, por exemplo, anunciou planos para mais do que o dobro de sua pegada de regiões de nuvem. O Brasil está entre as novas regiões. Confira aqui um mapa interativo de onde os provedores de nuvem já têm data centers em todo o mundo.

10. Consolidação do mercado - haverá apenas três?
Quão resolvido está o mercado de nuvem IaaS? Mohan, analista da IDC, diz que a resposta depende da sua perspectiva. Nos EUA, o mercado está bem definido e ele acredita que seria difícil para os novos players ter uma participação significativa. "Fora dos EUA, este ainda é um mercado muito fragmentado", diz ele. Fornecedores como Alibaba e Tencent, na China, têm oportunidades de conquistar grandes participações de mercado nessas localidades. Será que essa força internacional potencial se traduzirá no mercado dos EUA? 2017 pode fornecer algumas pistas.



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