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A Era da Cloud Computing como a conhecemos já está perto do fim

Dê boas-vindas à Era da Edge Computing ou, segundo a Cisco, da Fog Computing

Brandon Butler, NetworkWorld/EUA

Publicada em 30 de dezembro de 2016 às 07h10

Eis uma previsão incomum nos dias atuais, mas feita de forma categórica: A computação em nuvem, tal como a conhecemos hoje, estará obsoleta dentro de poucos anos. A previsão é de ninguém menos que Peter Levine, sócio da companhia de capital de risco Andreessen Horowitz, que investe em empresas de tecnologia como o Groupon, Lyft, BuzzFeed, Skype, entre outras.

Ele acredita que o maior poder computacional dos dispositivos inteligentes de Internet das Coisas, combinado com tecnologias de aprendizagem de máquina cada vez mais precisas, substituirão em grande parte as infraestruturas de nuvem pública (IaaS).

"A nuvem hoje é baseada em um modelo muito centralizado de computação”, disse Levine. "Informações são enviadas para a nuvem, onde são armazenadas e processadas. Muitas aplicações vivem na nuvem e os data centers estão sendo migrados para ela", acrescentou.

No entanto, já estamos começando a ver dispositivos de Internet das Coisas substituindo algumas aplicações de computação em nuvem, tais como máquinas autônomas, robôs, eletrodomésticos e carros inteligentes. "Cada um desses dispositivos coleta de dados em tempo real. Dada a latência da rede e a quantidade de informação, em muitos desses sistemas, não é o ideal que essa informação volte para a nuvem central para ser processada," diz Levine. Ele argumenta que a extremidade da rede [onde são executadas as aplicações] será forçada a se tornar mais sofisticada. E acrescenta: "Esta mudança vai transformar a nuvem como a conhecemos."

Isto leva a que haja um maior número de data centers a serem colocados junto dos usuários ou da fonte de dados (“edge”) versus a abordagem mais tradicional onde os data centers estão remotos e geograficamente distantes do usuário.

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Levine cita o exemplo do carro autônomo. "Ele precisa ser capaz de identificar um sinal de pare ou um pedestre e agir instantaneamente, com base nas informações que recebe dos sensores. Não posso esperar por uma conexão de rede para acessar a nuvem para que ela diga o que fazer. Esse processamento precisa acontecer no carro."

Na opinião de Levine, esse novo mundo não eliminará a necessidade de uma nuvem centralizada, diz Levine. A nuvem, segundo ele, será onde a informação ficará armazenada por longos períodos de tempo, e onde os algoritmos de aprendizado de máquina acessarão vastas coleções de dados para análise e treinamento.

A ideia de dar mais poder à borda de rede não é original. A Cisco, por exemplo, cunhou o termo fog computing (computação em névoa), que é a ideia de analisar e agir, em tempo real, sobre dados sensíveis na borda da rede.

Tudo isso é um momento "de volta para o futuro", observa Levine.

Ele recorre à própria evolução da computação para sustentar sua tese.

A computação começou com um modelo centralizado, focado no mainframe. Depois veio o mundo distribuído cliente-servidor. A nuvem tem direcionado a computação de volta para uma plataforma centralizada. Essa guinada para a inteligência de borda mais uma vez vai estremecer o mundo da computação, levando-o de volta aos sistemas distribuídos."

Neste vídeo (com 25 minutos) o próprio Levine explica os motivos do fim da nuvem como a conhecemos. Vale assistir.


 

 



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