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Familiaridade com a nuvem cresce e adoção do modelo passa a ser mais criteriosa

Confira algumas tendências que impactarão o mercado de Cloud Computing em 2017

Da Redação

Publicada em 15 de novembro de 2016 às 14h14

As empresas continuam a investir fortemente na computação em nuvem, mas também estão se tornando mais ctiteriosas na adoção da tecnologia. "A realidade é que o mercado está se tornando mais exigente à medida que os usuários compreendem melhor o que a computação em nuvem envolve", comenta Seth Robinson, diretor de análise da CompTIA, que divulgou recentemente os resultados do estudo Trends in Cloud Computing.  Mais de 90% dos 500 executivos de TI e de negócios ouvidos na pesquisa, realizada em julho deste ano, afirmam usar alguma forma de cloud.

Baseado em dados como este, Pat Gelsinger, CEO da VMware, projeta que computação em nuvem deve superar os ambientes tradicionais de TI a partir de 2021. Na opinião do executivo, dentro de cinco anos, os fluxos de trabalho em cloud representarão 50% do total, com estruturas públicas representando um percentual total 30% e os 20% restantes rodando em ambientes privados. “Cloud será a força que fará expandir os investimentos em TI”, projeta Gelsinger.

Na opinião do executivo, até 2030, somente a nuvem pública abrigará 52% das cargas totais de tecnologia da informação; cloud privada respondendo por 29% e apenas 19% se mantenha dentro do conceito como é visto hoje. “Trata-se de uma mudança que leva tempo para se concretizar”, observa o CEO, sinalizando que, nessa transição, parte do trabalho de empresas como a VMware é manter-se relevante para os CIOs e parte é ajudar o ecossistema de provedores de serviços de TI a se desenvolver.

São projeções realistas.

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O estudo da da CompTIA mostra que a familiaridade com detalhes técnicos tem crescido, e embora muitas oportunidades de negócios ainda floresçam em torno de modelos mal rotulados como nuvem, o mercado está mais esclarecido. Software-as-a-Service (SaaS) é o modelo mais utilizado (74% das pesquisadas), embora Infraestrutura como Serviço (42% atualmente) possa se tornar o modelo de crescimento mais rápido nos próximos anos . Plataforma (33%) também crescerá à medida que as empresas se tornem mais sofisticadas com sua abordagem de desenvolvimento.

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Os dados sobre o uso de aplicativos também sugerem uma maior compreensão de como a TI está sendo executada - e onde a nuvem se encaixa. Para a maioria das aplicações houve uma queda dramática no número de empresas que dizem estar usando uma solução em nuvem. Mas isso não é ruim. "Esse reequilíbrio não significa que o mercado global de nuvem esteja em declínio", explica Robinson. "A nuvem é uma parte robusta do cenário de TI e uma grande parte do total de gastos com TI mudará para nuvem", completa. Segundo ele, muitos executivos já compreendem que muitos sistemas >em regime de colocation não chegaram a fazer uma transição para a nuvem.

 

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Grau de maturidade
Para facilitar a análise, o estudo da CompTIA divide a adoção da nuvem em quatro estágios distintos: Experimentação, Uso Não-Crítico, Produção Completa e TI Transformada. Na fase Experiência, as empresas estão simplesmente se familiarizando com o modelo de nuvem, sua terminologia e os princípios básicos de trabalho. Durante esta fase, uma empresa pode testar os sistemas de nuvem através de instâncias virtuais ou do uso de serviços freemium. Em seguida, as empresas passam para um estágio de Uso Não-Crítico. Aqui, os sistemas em nuvem são realmente usados ​​para o fluxo de trabalho operacional,  desde que não envolvam seus sistemas mais importantes ou dados mais sensíveis. A partir daí, uma vez alcançado um certo nível de conforto no uso da nuvem, as empresas passam para o estágio de produção completa. Ness fase, geralmente as preocupações com segurança já foram atenuadas e os sistemas de nuvem passam a ser vistos como uma opção viável para a maioria das operações de TI, incluindo alguns sistemas que podem ser críticos para os negócios.

Cada estágio de adoção tem seus próprios desafios. Na fase de Experiência, os dois principais desafios são a curva de aprendizado e a integração de sistemas em nuvem à arquitetura existente. No estágio de Uso Não-Crítico, o foco muda para as operações propriamente ditas. Com um escopo maior, os custos aumentam rapidamente e tendem a exceder as estimativas originais. Um novo desafio nesta etapa é a modificação do fluxo de trabalho para a incorporação dos recursos da nuvem. No estágio seguinte, à medida que as empresas avançam para uma arquitetura multi-nuvem, elas lutam não apenas com a integração de sistemas em nuvem e sistemas on-premise, mas também com a integração de diferentes sistemas em nuvem juntos. Já a fase final, da Transformação de TI, é difícil dizer quais desafios surgem como maiores. No entanto, não seria surpresa se o principal desafio permanecesse sendo o de mudanças de políticas, que carcateriza a terceira fase.

De acordo com o estudo deste ano, cresceu aqueles que afirmam que o uso de cloud está relacionado aos sistemas não-críticos.

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Investimentos e benefícios
O Gartner sinaliza que o mercado mundial de serviços em nuvem pública deverá crescer dois dígitos em 2016 (16,5% em comparação aos US$ 175 bilhões de 2015), alcançando US$ 208,6 bilhões. Para 2017, a Gartner acredita que o mercado continuará a crescer, a uma taxa anual de 17,3%. A partir daí, as coisas vão abrandar um pouco, com o cresciemnto ano-sobre-ano projetado em 14,6% em 2018.

De acordo com a consultoria, o maior crescimento em 2016 virá dos serviços de infraestrutura (IaaS), que devem aumentar 42,8%. As aplicações em cloud (SaaS), um dos maiores segmentos no mercado global, crescerão 21,7% ao longo do ano, movimentando totalizando US$ 38,9 bilhões.

Sid Nag, diretor de pesquisas do instituto, aponta que a expansão se vincula ao fato de que as organizações estão economizando 14% de seus orçamentos como resultado da utilização de tecnologias “as a Service”.

Segundo o estudo da CompTIA, o corte de custos voltou ao primeiro lugar na lista de benefícios da nuvem nas grandes empresas (500 ou mais funcionários). Empresas médias (100-499 empregados) e pequenas empresas (menos de 100 funcionários) estão mais interessadas em reduzir gastos de capital.

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Já para os analistas do Gartner,  a modernização da TI é hoje o principal condutor da adoção de cloud pública, seguido pela economia de custos, inovação, agilidade e outros benefícios. E esse foco na modernização da TI indica um uso mais sofisticado e estratégico desses serviços, que estão sendo adotados não somente para reconhecer os benefícios táticos de economia de custos e inovação, mas também para estabelecer um ambiente de TI mais moderno que pode servir como fundação estratégica para futuras aplicações e processos de negócios digitais.

Preocupações
As preocupações com segurança e privacidade (aí incluída regras para armazenamento seguro de dados) continuam a ser os principais inibidores para o avanço do modelo. “Os serviços em nuvem pública oferecidos pelos principais provedores são seguros. Mas ainda é preciso mais educação para ajudar as organizações a superarem o mito associado às preocupações com segurança”, afirma Ed Anderson, vice-presidente do Gartner.

Segundo os estudo da CompTIA, as empresas têm sendido a necessidade de adoção de novas regras para operar ambientes de nuvem, de novas habilidades para implementar estratégias e de novas parcerias para otimizar as ofertas.

Por exemplo. Uma das características da computação em nuvem é a acessibilidade, e essa acessibilidade acelerou uma aparente ameaça para muitos departamentos de TI: a Shadow IT.

Quando perguntados sobre quem determina a aquisição de aplicativos em nuvem, os executivos entrevistados para o  estudo da CompTIA alegaram que as áreas de negócio respondiam por 26% a 54% das aquisições. As aplicações usadas amplamente em toda a empresa - como desktop virtual ou e-mail - tendem a ser adquiridas pelo departamento de TI e as aplicações usadas apenas por um único departamento - como gerenciamento financeiro ou de RH - tendem a ser adquiridas pela linha de negócios.

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À medida que as unidades de negócios se esforçam por uma maior autonomia em suas escolhas de tecnologia, privilegiando a nuvem, as empresas começar a sentir a necessidade de  determinar regras para produzir os melhores resultados. Segurança e gerenciamento de dados são exemplos de políticas que se aplicam a todos os departamentos da empresa.  A construção dessas políticas deve ser um esforço interdepartamental, que considere uma contribuição significativa da equipe de TI.  As melhores políticas representarão um acordo em todos os níveis da empresa sobre como os recursos da nuvem deverão ser adquiridos e usados.

E o Brasil?
Estudos do Gartner apontam que em 2017 os investimentos das empresas brasileiras em Cloud devem chegar a US$ 4,5 bilhões, e até 2020 devem atingir US$ 20 bilhões.

O país aparece em oitavo lugar no ranking da Asia Cloud Computing Association (ACCA) entre as nações que oferecem melhores condições para a oferta de computação em nuvem. Só estamos atrás de países como Hong Kong, Cingapura, Nova Zelândia, Alemanha, Reino Unido, Austrália Japão e Estados Unidos.bO ranking leva em consideração questões fundamentais como conectividade internacional, qualidade da banda larga, disponibilidade e sustentabilidade de energia elétrica, risco a data centers, privacidade, ambiente regulatório, proteção à propriedade intelectual, sofisticação dos negócios, liberdade de informação e, claro, ciberseguranca.

A edição 2016 do estudo IT Leaders, realizado pela Computerworld, revela que a maioria dos CIOs brasileiros pretende investir mais em cloud (80%), desenvolvimento de aplicativos móveis (93%) e soluções de segurança (52%) em 2017. O questionário foi respondido por 200 executivosde TI.



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