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Tecnologia

Cinco considerações sobre Blockchain

Aos poucos vamos criando massa crítica de conhecimento para entendermos e explorarmos seu potencial

Cezar Taurion *

Publicada em 23 de agosto de 2016 às 08h34

"Every now and then, a truly stellar new technology emerges, and it always takes us to places we never imagined”, disse o evangelista em blockchain,  Mike Schwartz, em sua palestra no TED. "Like the combustion engine, the telephone, and the Internet before it, blockchain promises to transform how human society functions. We’re not there yet, but if all goes as planned, blockchain may just underpin the first real revolution of the Information Age”.

Blockchain ainda é novidade. Temos muitas incertezas e dúvidas, mas não as devemos usar como desculpas para ficar inertes. O potencial de disrupção é enorme, e afetará os modelos de negócios e a organização das empresas. O assunto me parece tão relevante que gostaria de compartilhar minhas visões, e seria ótimo, se todos os interessados pelo assunto também o fizessem. Assim, aos poucos criaremos massa crítica de conhecimento para entendermos e explorarmos seu potencial.

Escrevi cinco artigos aqui na Cio.com, logo após o CIAB, onde o tema foi bastante debatido. Lá ouvi muita gente falando da tecnologia. Até altos executivos de bancos abordaram o assunto em suas apresentações. Mas a maioria das pessoas com quem conversei ainda associa Blockchain a moedas virtuais, como Bitcoin, e portanto, ligado diretamente aos bancos. Na verdade, o potencial de uso de Blockchain vai muito além das moedas virtuais ou cryptocurrencies. Em teoria, poderá transformar os bancos e muitos outros negócios, governos e nossa sociedade. O artigo mencionado está aqui.

Blockchain

Não foi surpresa que o texto tenha gerado bastante curiosidade e provocado muitas trocas de e-mails, telefonemas e algumas reuniões executivas com empresas preocupadas com a relevância estratégica do tema. Ficou bem nítido, pelo teor das conversas, que ainda estamos dando os primeiros passos em entender esse conceito, mas seu potencial de disrupção é enorme. Publiquei então o segundo artigo, mostrando que o setor financeiro já está ciente de sua relevância. Sabe que com Blockchain existe o potencial de criação de um cenário competitivo muito diferente do atual. Mas, olhando com mais atenção, Blockchain vai muito além do setor financeiro.

Das diversas reuniões com executivos ficou claro que ainda existe muita desinformação e receio. Nada a estranhar. Se fizermos uma analogia com a Internet veremos que a web começou em 1991, a primeira transação comercial pela web aconteceu em 1994 e em 1999, embora a maioria das empresas listadas na Fortune 500 já possuísse um web site, eles eram basicamente brochuras digitais. O mesmo fenômeno de ceticismo e relutância que víamos em 1998/1999 sobre o potencial da web transformar o comércio e as transações financeiras se repete quando debatemos Blockchain com os executivos.

O terceiro texto aborda o fato, que, de maneira geral, novas tecnologias e conceitos, como Blockchain, causam mais rupturas no longo prazo do que parece à primeira vista. E isso torna mais difícil a tarefa de descobrir se o que está acontecendo é hype, tendência ou um tsunami que está chegando. Por outro lado, nada fazer é um risco imenso. Blockchain não deve ser subestimado.

E no quarto, exploramos o uso potencial do Blockchain além dos bancos, analisando seu potencial de ruptura e potencial ameaça a empresas e setores que mantém modelos de negócios tradicionais baseados em garantia de confiança, como tabeliões e autoridades públicas de registro de automóveis, casamentos, propriedades, patentes, passaportes, registros médicos, entre outros.

No quinto e último da série, uma chamada à ação, com a criação de um “Blockchain Lab”. Esperar muito pela maturidade da tecnologia pode significar perder oportunidades de negócio e até mesmo colocar o seu atual modelo em risco. O objetivo do “blockchain lab” é evangelizar e criar provas-de-conceito.

Portanto, me apoiando em Geraldo Vandré, vamos embora, vamos em frente, que esperar não é saber, afinal quem sabe faz a hora, não espera acontecer!



(*) Cezar Taurion 
é CEO da Litteris Consulting, autor de seis livros sobre Open Source, Inovação, Cloud Computing e Big Data


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