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De CIO a CDO, para ditar o ritmo de reinvenção da empresa

Os mais aptos a promoverem a Transformação Digital estão dentro das próprias empresas. Porém, é importante evitar que sejam sufocados dentro da burocracia das organizações e da necessidade de manter a roda girando

Wesley Almeida *

Publicada em 13 de maio de 2016 às 08h12

Era uma vez uma empresa pequena que enviava DVDs para seus clientes, que recebiam os filmes alugados em casa em troca de uma pequena assinatura mensal – uma evolução no mercado de home vídeo, aquele até então dominado pela Blockbuster. A gigante foi atrás, lançando o mesmo tipo de serviço. Só que depois veio a revolução: a pequena empresa passou a disponibilizar filmes e séries via streaming na internet para serem vistos em qualquer lugar, em qualquer dispositivo.

Sim, estou falando da Netflix, que hoje está presente praticamente em todo o mundo e, de acordo com o balanço de 2015, tem uma receita mundial de US$ 6,7 bilhões. A Blockbuster? Fechou as portas em novembro de 2013.

Essa história, com mais ou menos detalhes, já é conhecida. O que você talvez não saiba é que este é um dos primeiros grandes exemplos da chamada “Transformação Digital”, que está revolucionando outros mercados e setores. Um processo que neste momento está derrubando gigantes do mercado corporativo e promovendo o nascimento de novas forças.

Porém, como as grandes empresas, que já dominam seus mercados, podem liderar essa Transformação Digital?

Para começar, se faz necessário o surgimento de uma nova liderança nas companhias: o CDO (Chief Digital Officer). É ele quem irá ditar se a empresa irá se reinventar como uma nova Netflix, ou tombar como um dinossauro que foi a Blockbuster. E essa nova figura pode vir do departamento de TI: o CIO.

Até hoje, a Tecnologia da Informação foi responsável por automatizar processos, facilitar na comunicação, melhorar o RH, entre outras coisas. Investir em servidores, analisar custos e investimentos eram, de certa forma, processos importantes para a TI. Só que isso mudou, afinal estamos no terceiro estágio dessa história. Não vivemos mais num mundo onde o debate deve ser qual mainframe adotar, por exemplo, mas sim entender como a tecnologia pode revolucionar o produto final da empresa, assim como a vida do cliente.

No exemplo do começo deste artigo, a grande diferença entre Blockbuster e Netflix é que a segunda percebeu que o seu produto final não era o DVD, mas sim entretenimento na forma de filmes e séries. Dessa forma, a TI não foi em busca de um novo formato de entregar discos pelo correio para reduzir custos com logística, mas procurou uma forma para a tecnologia entregar vídeos diretamente para o cliente.

É essa mesma visão que devemos ter em mente logo no início do planejamento da Transformação Digital.

No entanto, o CIO não pode ficar preso às amarras do passado e, quando se der conta, perceber que continuou a apenas automatizar processos. Se fizer isso, ele ficará para trás, abrindo espaço para outro executivo que pode ocupar esse vácuo dentro da corporação: o CMO (Chief Marketing Officer). Isso acontece por este profissional estar mais atento nas tendências de consumo e em como a transformação digital está revolucionando o resto do mercado – e, assim, as ideias inovadoras podem partir dele.

De qualquer forma, os mais aptos a promover essa Transformação Digital estão dentro das próprias grandes empresas, aquelas mesmas que são relevantes em seu setor atualmente. Ninguém conhece o mercado e seus desafios mais do que eles. Porém, é importante evitar que sejam sufocados dentro da burocracia das organizações e da necessidade de manter a roda girando – que é, também, um ponto importante, já que ninguém pode se dar ao luxo de ignorar aquilo que atualmente gera receita.

Uma forma de conquistar esse objetivo é por meio da TI Bimodal, com um pequeno time de técnicos liderados pelo CDO seguindo o formato de uma startup e se dedicando exclusivamente à Transformação Digital, enquanto a maior parte do departamento de TI continua se dedicando ao negócio principal.

Se isso não acontecer, aí sim as grandes ideias vão partir das startups – provavelmente de gente que você nunca viu ou ouviu no mercado. Quer mais um exemplo? O Airbnb foi criado por profissionais da área de design e completamente alheios ao ramo hoteleiro, mas hoje é a maior rede do tipo em todo o mundo, com mais de 1,5 milhão de hospedagens disponíveis – e sem ser o proprietário de nenhuma delas.

A ideia poderia ter partido de grandes redes hoteleiras como a Accor, IHG, Hilton, Hyatt ou Marriot? Se elas tivessem apostado na Transformação Digital antes, é possível que sim.

Nos Estados Unidos, o terceiro estágio da revolução gerada pela tecnologia entrou de forma definitiva na agenda das grandes empresas em 2013, a partir do entendimento da necessidade de se adaptar para liderar esta mudança no mercado. Em um processo de três anos, 2014 viu a maior adoção da Transformação Digital e 2015 concluiu o ciclo com a percepção de que este é um caminho irremediável – mostrando que não é apenas mais uma expressão do momento e com uma representativa adesão por parte das grandes empresas. Por volta de 2020, os resultados da Transformação Digital serão perceptíveis nos mais diversos segmentos da indústria e dos serviços.

Porém, nem tudo é má notícia para nós, brasileiros. Tudo que é um pensamento consolidado nos EUA chega como tendência aqui no Brasil – colocando a Transformação Digital como o grande assunto local em 2016. Quem começar agora, investindo em uma TI Bimodal e na revolução que a tecnologia pode trazer, certamente será um precursor.

Só não podemos deixar essa oportunidade passar. Se você não promover a Transformação Digital dentro da sua empresa, alguém o fará. E se ninguém ocupar esse espaço aí dentro, as portas ficam abertas para o surgimento de novas e muito mais dinâmicas startups. O sucesso de nomes como Facebook, Airbnb, Netflix e LinkedIn estão aí, para ninguém duvidar deste futuro.

 

(*) Wesley Almeida é CTO da Vert



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