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Tecnologia

A Internet das Coisas e a transformação do e-commerce

O Comércio das Coisas ou Commerce of Things começa a despontar

Cezar Taurion *

Publicada em 28 de dezembro de 2015 às 11h22

A Internet of Things (IoT) ou Internet das Coisas já começa a despontar como uma força disruptiva muito forte. As previsões são de vários bilhões de dispositivos conectados. Já vemos exemplos em todos os cantos. Coisas como os veículos autônomos, como os do Google e os belíssimos automóveis elétricos da Tesla são redes de computadores e algoritmos sofisticados sobre rodas. Vemos seu uso no dia a dia com Fitbit e Apple Watch e os potenciais usos em quase todos os setores, como transporte, saúde e manufatura, esta última, por exemplo, com manutenção preditiva. 

Em todos os usos está claro que o potencial da IoT é a utilização em conjunto do dispositivo acrescido das tecnologias de mobilidade, Big Data, Analytics, Cloud e as plataformas sociais. O dispositivo isolado tem valor limitado. É apenas um gadget. Pelo imenso potencial do mercado, novos atores entram forte no mercado, como a GE, com sua estratégia de “Industrial Internet of Things”. O artigo da Forbes, “GE To Take On IBM In The Race For IOT Dominance” demonstra este novo e ultracompetitivo cenário.

Mas um setor tem passado desapercebido em seu potencial. A IoT tem o poder de transformar drasticamente o e-commerce! Qualquer objeto conectado pode, em princípio, se tornar um canal de acesso para aquisição de algum bem ou serviço. O e-commerce passa a ter mais um canal de comunicação, além dos websites e apps.

Se analisarmos a evolução do e-commerce veremos uma contínua evolução no sentido de tornar-se cada vez mais flexível, self-service e onipresente. Em consequência, a redução do atrito ou desgaste na interação entre o consumidor e o vendedor vai tendendo a zero. 

Olhemos os websites. Eles são muito mais cômodos para usar que o deslocamento a uma loja física, mas você tem que estar conectado a um desktop ou laptop. Para usar um desktop você tem que se dirigir a ele. O laptop também nos obriga a parar para usá-lo. 

Surgem os smartphones e os apps, intuitivos, fáceis de usar e que podem ser utilizados até mesmo caminhando na rua. Ou seja, o impulso da compra pode ser satisfeito no ato, sem esperar ter acesso a um computador. Ele já está no seu bolso.

Este ano, o uso dos conceitos de “buy button” e “one touch payment” começaram a decolar nos EUA. O artigo da Venturebeat, “How the buy button defined mobile payments in 2015”, mostra claramente este fenômeno. Um exemplo fascinante é o “Pinterest buyable button”. Em novembro de 2015 Pinterest já registrava mais de 60 milhões de “buyable pins” nos EUA.

Mas, além do smartphones, algumas outras iniciativas pioneiras de uso de IoT para e-commerce já começam a aparecer aqui e ali, sinalizando o seu imenso potencial. Vamos olhar alguns exemplos interessantes de como a IoT pode tornar o ato de compra praticamente invisível, sem atritos. Começamos com o botão Dash, da Amazon. Disponível apenas nos EUA, é uma maneira de, praticamente sem esforço, repor o estoque de sabão em pó de sua lavadora automática, por exemplo. 

Um passo além é o Echo onde você pode interagir com o assistente pessoal da Amazon e, numa conversa informal, fazer um pedido de compra. Também ainda limitado aos EUA, é uma experimentação, assim como Dash. Ambos têm um bom caminho a percorrer. Com o avanço exponencial da tecnologia, estará pronto em dois anos e não em dez como poderia supor o nosso modo de pensar, linear.

Outra experiência que vale a pena conhecer é da Tesco, com a tecnologia Powatag

Recomendo também ver a iniciativa da rede francesa Comptoir des Cotonniers em Paris, descrita em  “Comptoir des Cotonniers opens 10,000 ‘boutiques’ across France as it turns adverts and bus stops into virtual shops”. 

Sugiro, adicionalmente, estudar o uso do Powatag na Dinamarca, em parceria com a JCDecaux, usando outdoors e cartazes em ônibus para facilitar compras. Viu um anúncio? Gostou? Aponte o smartphone e voilá, compre! Aliás, a Dinamarca está caminhando rapidamente para ser um país onde não haverá necessidade de uso de numerário, pelo menos no varejo: “Denmark Aiming to Go Cashless by 2016”.

Além disso, os assistentes pessoais estarão cada vez mais presentes no nosso dia a dia, pelo menos nos EUA.... Vale a pena ler o artigo da Economist, “The software secretaries”. Eles estão, cada vez mais, se integrando ao e-commerce e avançando em direção a um cenário onde o mundo virtual e o físico estarão se mesclando.

A oportunidade de juntar o IoT ao e-commerce, através de diversas tecnologias, está batendo às portas. Já sabemos que embarcar software em um carro, relógio, termoestato, turbina, locomotiva, geladeira ou qualquer outro objeto nos abre oportunidades de agregar valor muito maior que o do próprio objeto em si, transformando-os em meios de ofertas de serviços. De produto final passam a ser plataformas intermediárias para serviços. 

Com a inserção do e-commerce no processo, abre-se um novo e imenso ambiente de oportunidades de geração de valor. A geladeira pode repor o estoque automaticamente e o cliente em uma simples “conversa informal” com um assistente pessoal faz o pedido de compra em um supermercado para preencher o ingrediente que falta no jantar que está planejando fazer. E apertando um simples botão, encomenda-se mais sabão em pó. 

O comércio das coisas ou Commerce of Things começa a despontar. O varejo americano e europeu já começa discutir o assunto, como mostra o artigo da Internet Retailer, “The Internet of Things foreshadows Commerce of Things”. 

É uma oportunidade que não pode e nem deve ser ignorada aqui no Brasil.



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