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Tecnologia

E o mapa de calor para tecnologias corporativas no Brasil

Analistas e indústria preveem incrementos dos projetos baseados nas quatro megatendências no próximo ano pela pressão que as companhias estão enfrentando para transformação de seus negócios

Edileuza Soares

Publicada em 20 de janeiro de 2014 às 08h12

Os investimentos em TI continuarão em crescimento no Brasil em 2014. Estudos do Gartner apontam que os gastos das empresas no próximo ano, nessa área, alcançarão US$ 129,7 bilhões, com aumento de 3,6% com relação a 2013, cujo total projetado é de US$ 125,2 bilhões. A taxa projetada é menor que a de anos anteriores por causa da desaceleração da economia. 

Donald Feinberg, vice-presidente do Gartner, observou que a economia local está andando mais lentamente, com redução do Produto Interno Bruto (PIB) e que o País terá uma agenda atípica em 2014. Haverá carnaval em março, Copa do Mundo em junho e eleições em outubro. 

Apesar de 2014 ter menos dias úteis para negócios, Feinberg avalia que o cenário é positivo para o Brasil por ser um dos mercados da América Latina que mais crescem e com demanda interna aquecida. Entre as tecnologias que estarão no radar dos CIOs, o analista do Gartner prevê que vão prevalecer nos primeiros lugares as três que se destacaram em 2013 que são: ferramentas analytics e BI; mobilidade e cloud computing.

Val Sribar, vice-presidente do Gartner, avalia que há muitas oportunidades no mercado brasileiro. Ele afirma que o aumento da importância do consumidor é fundamental para o crescimento sustentado dos gastos de TI no País. O analista chama atenção para a diversidade de negócios que surgirão com a Economia Industrial Digital, que será construída sobre as fundações da Terceira Plataforma de TI, que a consultoria conceitua como “Nexo das Forças”, apoiada em quatro alicerces: cloud computing, mobilidade, social business e Big Data. 

Essas quatro forças integradas e combinadas com a Internet de Todas as Coisas, segundo o Gartner, darão inicio à Era Digital com verdadeira transformação dos negócios. O motor que vai puxar essa mudança é a mobilidade. Projeções do instituto de pesquisas indicam que em 2020 haverá quase 30 bilhões de aparelhos conectados, sendo a maior parte deles interligados a produtos, beneficiando diversos setores como varejo, saúde e transporte. Outros 7,3 bilhões de devices estarão nas mãos das pessoas, com poder para compras online, navegação nas redes sociais e consumo de uma variedade de serviços.

Com esse cenário, a recomendação dos analistas do Gartner é que os gestores de TI alinhem seus projetos para fortalecerem em 2014 iniciativas que contemplem os pilares das quatro forças que vão digitalizar processos e alterar os modelos de negócios. 

Big negócios
Para Fernando Belfort, analista de mercado sênior da Frost & Sullivan para América Latina, as megatendências de TI impactam toda a sociedade de forma horizontal. O conceito de smart será disseminado pelas cidades, redes de energia, carros, dispositivos móveis, prédios, fábricas etc. Essas mudanças vão refletir na economia, cultura, trabalho, modo de vida das pessoas e formas de fazer negócios, alerta o consultor.

“Daqui a cinco anos todas as companhias competitivas precisão ter implantados, como práticas do dia a dia, projetos de mobilidade, cloud e Big Data”, reforça Belfort, que acredita que muitas dessas iniciativas vão ganhar espaço em empresas locais a partir de 2014. O analista constata que em 2013 muitas organizações olharam apenas para uma ou duas dessas vertentes, ainda assim de forma isolada, sem unir as peças. “O CIO que pensa Big tem que ter esses temas em sua agenda”, endossa.

O aumento dos dispositivos móveis no País vai pressionar as empresas a investirem mais nas tecnologias que sustentam a Terceira Plataforma em 2014, avalia Frank Meylan, sócio da área de Management Consulting da KPMG no Brasil. “A mobilidade está ganhando muita força pela sua agilidade e dinâmica aos negócios, tomando o largo espaço dos PCs”, enfatiza o executivo, mencionado o interesse dos bancos em explorar essa tecnologia depois que o Banco Central aprovou regulamento em 2013, permitindo que os celulares se tornem meio de pagamento.

Já Alexandre Campos, analista de TI e Telecom da IDC Brasil, avalia que 2013 foi o ano em que cloud computing começou a dar frutos no País, com aumento de maturidade e disseminação de projetos. As empresas investiram US$ 257 milhões em nuvem pública, US$ 123 milhões em infraestrutura (IaaS), enquanto a plataforma como serviço (PaaS) somou US$ 25 milhões e software como serviço (SaaS) US$ 109 milhões, segundo a IDC. Ele acredita que o conceito ganhará mais força aqui em 2014 e prevê crescimento anual de 74% do mercado local, chegando em 2015 com receita total de US$ 798 milhões. Uma das mudanças é que os negócios de SaaS ultrapassarão os de IaaS em faturamento.

Terceira Plataforma
A Terceira Plataforma começou a ganhar mais força no Brasil em 2013, com participação nos novos projetos de TI, conforme revelou a 13a edição do Prêmio IT Leaders, realizado em agosto pela COMPUTERWORLD, em parceria com a IDC, que elegeu os 100 melhores CIOs do Brasil. O levantamento comprovou a existência de uma ou mais iniciativas baseadas no novo conceito nos investimentos das companhias que concorreram ao prêmio.   

O estudo mostra que os gestores de TI vão abraçar esse conceito em 2014. Entre os entrevistados, 89% informaram intenção de investir em consumerização e uso de dispositivos móveis. Uma parcela de 74% disse que planeja iniciativas para infraestrutura de TI no modelo de cloud computing, 89% desembolsarão recursos para BI e 69% vão comprar ferramentas de Customer Relationship Management (CRM) para reforçar o relacionamento com os clientes.

A IDC estima que em 2020, cerca de 90% do crescimento de TI estará relacionado à Terceira Plataforma, que hoje representa 22% dos gastos com Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Diferentemente de outras ondas tecnológicas em que o Brasil entra atrasado, nesta o País está junto aos demais mercados. 

Em estudo do Gartner sobre as dez prioridades dos CIOS em 2013 o Brasil aparece pela primeira vez alinhado com o resto do mundo, apontando nos três primeiros lugares as mesmas tecnologias do mercado global e da América Latina, que são: ferramentas para análise de dados (analitycs e BI), mobilidade e cloud computing, na respectiva ordem. 

Cassio Dreyfuss, chairman e keynote do Gartner/ITxpo 2013, realizado no começo de novembro em São Paulo, diz que antes as tecnologias levavam uns três anos para chegar ao mercado brasileiro e que hoje os lançamentos são quase que simultâneo. “Existe uma pressão grande para que as empresas invistam em novas tecnologias para serem mais competitivas”, constata.

O consultor observa que a situação privilegiada do Brasil atraiu mais fornecedores internacionais, obrigando eles a reposicionar seus produtos para o mercado local. “Antes, eles traziam produtos enlatados. Agora os vendors perceberam que a forma de o CIO brasileiro gerir TI é diferente”.

Por que adotar a Terceira Plataforma?
O crescimento do uso da mobilidade no Brasil é a necessidade de dar respostas rápidas aos negócios são algumas das alavancas para as empresas investirem na Terceira Plataforma. Hoje o País conta com quase 270 milhões de celulares ativos e, segundo relatório da IDC, 46,2% dos terminais vendidos no primeiro semestre de 2013 são smarthphones. Ainda de acordo com o instituto de pesquisas, foram comercializados, 3,3 milhões de tablets nos primeiros seis meses de 2013, com aumento de 165% sobre os volumes do mesmo período em 2012.

Aliado a isso, o Brasil está ampliando as redes de 4G e de Wi-Fi em locais públicos, permitindo que mais pessoas acessem internet. Erasmo Rojas, ex-diretor da 4G América para América Latina, observa que o Brasil já conta com mais de 400 mil usuários das novas redes de quarta geração, o que é uma oportunidade para as empresas lançarem serviços de dados para dispositivos móveis. 

A consumerização faz com que usuários levem seus dispositivos para o ambiente de trabalho, desafiando as companhias a abraçarem o movimento do Bring your Own Device (BYOD) e buscarem ferramentas de segurança para proteger informações sensíveis que serão acessadas por esses aparelhos pessoais. 

Transformar negócios em um mundo conectado com inovação. Esse é o lema dentro das empresas. “Todos estão buscando ser mais competitivos e mais rápidos”, afirma Eduardo Lopez, vice-presidente de Aplicativos da Oracle para a América Latina. A TI tem a grande missão de ajudar as companhias a se reinventarem. O executivo acredita que a saída para os CIOs liderarem esse movimento é se apoiarem nos quatro pilares da Terceira Plataforma. Eles são os facilitadores para implementação de arquiteturas que permitem projetos com mais velocidade, como aplicações para colaboração e redes sociais, bem como soluções em nuvem.

Com mobilidade, as pessoas estão conectadas o tempo todo, navegando em redes sociais, consumindo e acessando uma série de serviços. “As companhias têm que ser rápidas para agir antes que o cliente faça queixas”, adverte Lopez, ressaltando que esse dinamismo puxado pela mobilidade e consumidor conectado exige que as organizações tenham inteligência para ouvir o que as pessoas estão falando de suas marcas nessas mídias. 

É preciso dar respostas com produtos personalizados. Lopez afirma que a tendência daqui para frente é a área de marketing apoiar o desenvolvimento de novos produtos não mais baseada em análises históricas de dados, mas em informações coletadas em tempo real nas redes sociais.

Arlindo Maluli Junior, diretor de estratégia e alianças da Microsoft, acredita que as companhias do Brasil vão investir mais em ferramentas de mídia social não apenas para monitorar clientes, mas para ganhar produtividade internamente Segundo ele, muitos funcionários estão preferindo usar mais as redes sociais corporativas para se comunicar com seus times que o e-mail.

Uma pesquisa realizada pela Microsoft com 9,9 mil profissionais em 32 países, incluindo o Brasil, revelou que 51% acreditam ser mais produtivos com uso das redes sociais corporativas. Com a possibilidade de as empresas contratarem essas aplicações na nuvem, Maluli aposta num crescimento da busca por esse tipo de solução em 2014, principalmente pelo desejo dos funcionários de terem seus serviços de comunicação integrados para acesso em qualquer lugar e qualquer dispositivo.

Maturidade da nuvem
A forma mais rápida, encontrada pelos CIOS para colocar aplicações no ar e ampliar a infraestutura de acordo com a necessidade dos negócios, é a contratação de serviços na nuvem. Esse modelo, que era visto com desconfiança no Brasil, avançou no Brasil em 2013 e o ritmo de crescimento tende a continuar em 2014.

Estudos do Gartner estimam que o mercado brasileiro termine o ano com movimento de US$ 2 bilhões em contratos de serviços de cloud computing. Para 2017, os negócios nessa área mais que vão se multiplicar no País e gerar uma receita de aproximadamente US$ 4,5 bilhões.

Ao analisar o estágio dos serviços em nuvem no Brasil, Cassio Dreyfuss, vice-presidente Gartner no Brasil, avaliou que as empresas estão mais receptivas a esse modelo de contratação de TI. “Os CIOs estão percebendo que cloud é inevitável”, afirmou o executivo.

Fabio Costa, presidente da VMware Brasil, constata crescimento nas aplicações de nuvem no País, pelo aumento das vendas de seus sistemas para implementação de ambientes preparados para esse modelo de processamento. Ele observa que uma das razões que estão fazendo com que CIOs migrem para cloud são os orçamentos apertados para inovar. Hoje 70% do orçamento deles são para manutenção e que sobra apenas 30% para infraestrutura. Assim, o novo modelo permite expandir com maior controle dos investimentos.

A nuvem também tem se apresentado como solução para as pequenas e médias empresas (PMEs), informatizarem seus negócios, constata Alexandre Kasuki, diretor de marketing da HP. Ele revela que as soluções de rede pública da companhia têm registrado uma grande procura por esse segmento e que o cenário é otimista para 2014.

Entretanto, Dreyfuss observa que a falta de infraestrutura de telecomunicações fora dos grandes centros ainda é uma barreira para expansão desse modelo no Brasil. Apesar de reconhecer que a conectividade é um obstáculo para nuvem no País, Ione Coco, responsável pelo programa de CIO do Gartner Brasil, afirma que esse problema não deve ser uma desculpa para adiar os projetos de cloud. Sua recomendação é: “comece pequeno, mas faça. Não reclame da falta de infraestrutura”, aconselha.

CIOs colocam pés na nuve

Forçados a dar respostas rápidas para atender à velocidade dos negócios, CIOS brasileiros estão investindo em projetos baseados nos quatro pilares (cloud computing, mobilidade, Big Data e social business) que sustentam a Terceira Plataforma de TI. Uma das formas de encurtar o caminho para entrega das aplicações é a adoção de cloud computing, modelo que começa a ganhar mais maturidade no País com aumento da confiança dos gestores de TI. 

O 13o Prêmio IT Leaders, realizado em agosto pela COMPUTERWORLD, em parceria com a IDC, que elegeu os 100 melhores CIOs do Brasil, é um dos termômetros do aumento dos investimentos em projetos de cloud computing no País. O estudo revela que 74% dos líderes entrevistados têm planos de investir em serviços nessa área em 2014.

Algumas iniciativas foram lançadas em 2013, conforme projetos publicados na 13a edição do Prêmio IT Leaders da COMPUTERWORLD, envolvendo compra de tecnologia sob demanda de Infraestructure as a Service (IaaS) e também de Sofware as a Service (SaaS). Ao relatarem seus projetos, CIOs confessam que a nuvem surge como uma salvação para atenderem aos pedidos dos negócios com rapidez. 

Apesar de cautelosos com os aspectos de seguranças, executivos de companhias de diversos setores da economia estão desenvolvendo planos para mover aplicações para nuvem. Os projetos contemplam redes privadas e públicas, levando-se em consideração a criticidade da aplicação, seguindo a tendência do mercado da composição de ambientes híbridos. 

“Muitos projetos são barrados hoje porque a TI não tem agilidade”, reconhece Jones Emerson Costa Lima, diretor de Tecnologia da Universidade Tiradentes (Unit) de Aracajú (SE), ao elencar as razões pelas quais sua instituição decidiu colocar os pés na nuvem.

A Unit optou por esse modelo pela necessidade de ter um site de contingência de seu data center. O projeto nasceu com hospedagem na cloud da Amazon Web Services (AWS) para processar todas as aplicações da instituição, incluindo as críticas como o ERP e o sistema acadêmico que atende 35 mil alunos dos cursos de graduação e pós. 

“Fizemos um amplo estudo e acabamos optando pela nuvem pública da Amazon”, explica Lima. Os testes começaram em outubro com implementação em etapas. A conclusão está prevista para o fim de julho de 2014. 

A consultoria Deloitte ajudou a mapear processos críticos, mas houve dificuldade para contratação do fornecedor. “Não era só levar as aplicações para nuvem. Precisávamos preparar a infraestrutura física, com instalação de uma rede de fibra óptica, firewall e links web”, conta o CIO. 

Velocidade para acompanhar o ritmo dos negócios também foi o argumento de José Luiz Junqueira Simões, gerente de TI da União Química Farmacêutica Nacional. Ele menciona como exemplo disso a redução do tempo para preparação da infraestrutura de TI para suportar a operação de novos distribuidores da companhia, que caiu de um ano para três meses. 

A nuvem é um componente importante para o programa “Mais com Menos”, resultado do planejamento estratégico da União Química, que tem a meta de elevar a receita em 20% até 2016 e é chamado de 20x16. 

Para apoiar as unidades de negócios nesse desafio, o CIO reestruturou processos informatizados relacionados à cadeia de suprimentos, produção, qualidade, distribuição e comercialização, perseguindo as diretrizes táticas propostas pelo board da companhia. 

Esse processo exigiu a incorporação de dois distribuidores. “Eles nasceram100% na nuvem com ERP SAP, CRM e outros software”, informa Simões, frisando que há uso de rede privada e pública. Essa última, segundo ele, está protegida. Para o CIO, toda essa mudança “mostrou uma nova dinâmica nos processos de negócios corporativos e o melhor, totalmente alinhado ao planejamento estratégico”.

A possibilidade de melhorar a eficiência da TI e ter elasticidade para alocar recursos em picos sazonais da produção é um dos impulsionadores que colocaram a Fiabesa na nuvem. A fabricante de embalagens, localizada em Pernanbuco, está se transferindo para cloud, com a implementação de um projeto arrojado. 

A meta do CIO da Fiabesa, Carlos Diego Cavalcanti, é até 2015 levar todas as aplicações da companhia para uma cloud privada. O projeto vai além de aspectos e decisões técnicas. “Trata-se sim, de um marco estratégico para a organização, no sentido de apontá-la um caminho de futuro”, explica o executivo. 

A iniciativa começou no segundo semestre de 2012 e prevê sete etapas. O pontapé inicial foi a mudança do backup para uma cloud storage. Depois será a vez dos servidores de banco de dados e das aplicações verticais de negócio menos críticas. Na sequência, migram as aplicações de média criticidade, seguidas do ERP e serviços de rede.

Cavalcanti argumenta que havia dificuldade para manter investimentos contínuos em infraestrutura de TI, que não eram percebidos pela operação. Com IaaS (Infrastructure as a Service), esse cenário muda porque contratação será por demanda. 

“É um projeto inovador pela adoção de uma nova tecnologia por parte de uma organização que não é de TI e porque estamos rompendo paradigmas locais, onde há a cultura de que precisamos ‘tocar` nos investimentos que fazemos em TI”, endossa o CIO, IT Leader 2013, na categoria Indústria de Manufatura.



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